sábado, dezembro 02, 2006

A saudade é arrumar o quarto do filho que já perdi...

Eu tenho tido muitos sonhos perigosos.
Me visto de vermelho e ando corajosa pela vida.
Coragem é uma exigência muito cruel.

As vias se cruzam, entrelaçam e descruzam muito rápido ultimamente.
Tenho medo de um dia não dar mais pé.
Eu vi muita coisa passar por aí e acabei me deixando ficar em alguns cantos.
Paredes confortáveis de amarelo-sol.
O tempo não pede licença pra te atropelar, mas ele vira de costas depois que já passou e te dá um tchauzinho irônico.
Já vesti muitas máscaras pelo caminho. E algumas delas deixaram marcas profundas no meu rosto.
Hoje eu me despeço do tempo que já se foi. Lembro de roupas que agora só são lembranças... Guardo memórias e lugares eternos. Fica um monte de conhecimento inútil na cabeça.
E de tudo, conquistei pessoas lindas que o tempo, ainda que afaste, não apaga. Os rostos sorriem lindos nas fotos que eu vou lembrar e guardar.
Passei na rua e alguém chamou: - Pedro II!?
E eu vi que era comigo mesmo...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Enquanto eu devia estudar matemática...

A minha vida é um poema!
Não dá pra fugir disso.
Depois de buscar siriemas
e sanpoernas de menta
eu descubro - não tem jeito -
minha vida é poesia.
Dessas antipoéticas
cheias de coisinhas,
obstáculos chatos,
assim, com um monte de vida no meio.
A montanha canta se você parar para escutar
e as estrelas fazem barulho de sorriso
Não é pra ter explicação
nem pra parecer bonito.
Tem gente que faz aniversário
e pode até ser só por isso
que as coisas caminham pro caminho que precisam seguir
E tudo dá certo no final.
Só que o certo é muitos jeitos.


(OBS: Eu finalmente estou aprendendo a andar com as duas pernas que agora tenho.)


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Fora isso,
a saudade é um castigo pior
quando é saudade
da saudade que existia.
Fui tão infinita
quanto o tempo permitiu.
Tenho saudade de ter tempo
correndo solto e sem pressa.
Saudade daquela saudade
que imprensa o peito,
sufoca a alma
e desacaba num suspiro qualquer...
Mas eu há muito sabia
que o tempo não pára
e a saudade, vadia!,
perambula um montão de esquinas
e de tão esguia
me fugiu aos dedos.
Eu, tão menina!,
fiquei esperando alguém me olhar da janela.

sexta-feira, novembro 10, 2006

E a liberdade, quando é que volta?

Houve um tempo em que eu esperava o futuro com ânsia. O porvir - juro! - parecia promissor.
Eu já não sei se a vida perdeu a leveza ou se fui eu que aprendi a caminhar com esse ar pesado. O que eu perdi foi aquela noção de liberdade. A liberdade para encarar o mundo. Aceitar que, de um jeito ou de outro, tudo acaba se arranjando.
Eu não cresci, eu não mudei tanto assim. Entretanto, eu não sei mais esperar nada do Natal. Comemoro a Páscoa apenas para dormir. Os aniversários são dolorosos - nunca contem nada daquela esperança leve que eu desejo aos outros. Outro dia me disseram que eu parecia mais velha. Logo eu, uma menininha! O que me pesa nos olhos é a seriedade da vida. A busca de resultados que não vêm. A desesperança dos romances mal resolvidos.
Aliás, eu já me perdi dentro de mim. Perdi a boneca-flor-botão-crescente que olhava pra lua e sabia que viver era mágico e sentia o vento do mar nos olhos e chorava não de vento, mas de emoção transbordante. Nesse tempo, as distâncias pequenas do cotidiano eram passaportes para outros mundos. O peito desparava com qualquer felicidadezinha. Eu tinha refúgios dentro de mim e dos meus caminhos.
Hoje o tempo passou e a vida tá séria.

Tenho muita saudade de mim e dos que me rodeavam - aqueles bons amigos...


sexta-feira, novembro 03, 2006

Um dia em que eu tava transbordando...

Lula eleito. Sérgio Cabral também. Fotos. Fotos. Fotos. Francês. Pedro Correa do Lago. E eu - mesmo sem números - aqui sangrando. Hoje a comida não tinha gosto e eu pensei por um momento que eu nem tivesse vida. Meu Deus! Eu tenho uma vida inteira pra arrumar. Estive de luto. En français je ne peux pas utiliser le verbe sans le pronom. Respeito. Perspectiva. Colapso. Não amo ninguém, parece incrível! E não há um vazio fundo e doloroso, em lugar disso, uma urgência menor de sofrer. Nem por isso o peito desacelarou de vez, a vida ainda brilha intensa em mim. Uma vez aprendi que todo aprendizado é eterno. Aprendi também que o desespero da vida vale e muito a pena, e que tudo tem o seu tempo. O tempo arde. E quanto dele a gente já perdeu... Tantas frases engasgadas. Paixãozinha. Agora sim o presente parece ter se tornado passado. Juro que vi um ponto final, a princípio tímido, mas mais um pouco acaba até um capítulo. E eu juro que guardo ele com carinho na gaveta.

Fase de transição e cheia de medos. Eu não sei agora o que eu faço com essas coisas que só ele sabe. Muita falta de vergonha na cara isso.

A cada amor que nasce, brota uma flor na calçada. A cada amor que morre, guarda-se uma pétala seca dentro de um livro. Eu queria saber se só existe mesmo um amor. ("o amor não pode ser um"!) Vi meu amor cair na calçada e alguém passou distraído, pisou. Pena, fosse uma manhã de sol, a flor teria pisado no alguém. Eu não sei, apenas me disseram, que é muito preciso e necessário dizer o q se sente. Mas tem também q dizer o q não sente mais? Alguém distraído pisou na minha flor de amor e, sorrindo de leve, passou quase acanhado.

Garanto que uma flor morreu. Mas também garanto que ela um dia existiu e era a mais linda numa terra sem jardins.

- (frase engasgada.) -

domingo, outubro 22, 2006

Minhas confusões mentais

Já me acostumei na insegurança
De quem não quer sofrer
A paixão certeira que nos alcança
Quem poderá prever ?
A profundidade e o envolvimento
Não dá pra controlar
A longevidade do sentimento
Só o tempo dirá
Pode ser uma nova ilusão
Pode ser esse meu coração
Ou será o amor, ou será
Quando a tua boca me rouba um beijo
Sinto meu chão rachar
Amo os teus contornos, em ti me vejo
Dentro de teu olhar
Mas bem lá no fundo me bate um medo
Medo de me entregar
Vem que todo mundo tem um segredo
Me ajuda a desvendar
Pode ser uma nova ilusão
Pode ser esse meu coração
Ou será o amor, ou será

segunda-feira, outubro 16, 2006

Entre murros e aquarelas

Pensar nas pessoas é ruim
Olhar muito de perto enoja,
que nem quando você tem hipermetropia e enfiam um papel bem na sua cara
Fica tontinha
Hoje em dia tudo é arte
O muro torto pintado de piche com um quase menino de fuzil na mão é q não é
Porque ninguém vai tirar uma foto e mandar pra imprensa
Senão era debate com MVBill na TVE
E motivo de revolta, pena! pros jovens idealistas da burguesia
Assim, igualzimquinem eu
Desses que procuram problemas
pra escrever um bonito poema
desses angustiantes
que fazem querer mudar o mundo
acabar com a fome
querem Tanto!
Não, não é qualquer coisa que é poesia
Não é isso que é arte.
Eu vi um menino no muro colorido com um fuzil na mão
E não era bonito
Não era assunto pra um poema
Isso não é poema.

prá Babs

quarta-feira, outubro 04, 2006

Saudade

Porque essa é a única palavra na minha cabeça. Porque os amigos não deviam voar, deviam crescer junto de nós.
Porque eu sei que os amigos voam, o tempo passa, a gente cresce, a vida segue.
Ou porque eu to morrendo de saudade da natassja mesmo.
E qnd eu escrevi "ou" quase saiu oui.
Ai, vida...
Mundo mundo vasto mundo.
saudade é um troço bem fundo...
hehe.

terça-feira, setembro 19, 2006

Náusea

Da última vez que te vi, vomitei.
Vomitei nosso filho que não tivemos
Nossos sonhos que já morremos
Nossos dias de chuva e sol
Nossas noites de palavras confusas
Vomitei nossa música, seu cabelo, sua guitarra.

As cartas, as frases, os silêncios eternos
Todo aquele escuro
- a luz acesa -
Os sussurros no ouvido.

Guardei mesmo só os olhares criminosos.
O encostar lento de lábios.
Ficaram dentro de mim os gozos e as peles quentes se abraçando.
Afinal, é o que mais vale a pena.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Memória Drummoniana

RAIOU - Jorge Vercilo
Eu já nem sei
se ainda tem jeito ou terminou
Na minha vida ela marcou
Marcou, marcou
Tudo que ela me deixou
reinou, reinou
De castigo estou
Quando ele vem
ele desarma um coração
Eu fico zen, eu perco o chão
Raiou, raiou
mas voltar atrás não vou
não vou, não vou
Decidida estou
Só sei tudo que sonhei,nela eu encontrei
Se ela não vem,não haverá ninguém
Eu abro mão de amar e querer bem
Eu sei que o tempo vai sarar
Se ele me deixar,posso acostumar
mas essa luz no olhar ...
Eu abro mão de querer bem e amar
Ela voltou
só pra buscar o que restou
Meu coração se iluminou
Raiou, raiou
quando eu vi o meu amor
Raiou, raiou
Já não sei se vou

Bem, - oudeveria dizer mal - a vida nunca é exatamente como a gente quer e isso já é recomendação inicial da bula de nós mesmos. Piora é quando nós começamos a não ser como queríamos, ou quando somos e ser se torna incabível em nossa vidinha provinciana. Saudade é ruim e isso eu já devia saber há muito tempo. Mas não desse jeito, não longe assim... A vida é reticenciosa e estar distraído é elemento essencial para não se perder, só que perder é uma parte de ter. É quando mais se tem vontade e mais se sabe que já teve. Lembrança é pior e melhor que saudade, às vezes é quase um conforto. Porém, confrontos são doloridos e deixam marcas piores do que essas que por aqui já vão sumindo. Estou só como sempre fui. Tenho essa alegria superficial necessária ao convívio social. Mas trago agora também uma inevitável sinceridade resultante dos sofrimentos da vida. Traduzindo: Não pergunta não que é bem capaz de eu responder. Fiz isso hoje. Lágrimas vãs não valem de nada e se preservar um pouco é necessário. Ninguém é forte o tempo todo, mas há quem não o seja em momento algum. Estou precisando de gente, de vida. Precisava de um riso sincero também. MAs o mundo não é sincero, só eu sou e ninguém = ninguém. Seria bom não me escutar, pois estou gritando aqui. Gritando meu silêncio particular. Não sei se dói mais perder perto pra sempre passageiro ou perder longe infinito definitivo quem se ama. Amor vale a pena, mas só enquanto não é passado. Depois fica roxo, verde, escuro até cicatrizar por fora. Mas tem coisas que dentro teimam em não apagar. Agora é a própria menina que paga pelos erros que não cometeu.

segunda-feira, junho 19, 2006

"Estamos tão ligados, já não temos o que temer"

"Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei prá ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia, ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
O que fazes por sonhar
É o mundo que virá prá ti e prá mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor..."

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"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Teu paletó enlaça o meu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Meus seios inda estão nas tuas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir."

segunda-feira, junho 05, 2006

"Toda vez que falta luz o invisível no salta aos olhos"

Não dá pra ser eu só por dentro
E fingir que não vem nada de fora
Nem pra fingir que sou o centro
do meu próprio mundo agora
Meu mundo de dentro
não pode sair
Meu mundo de dentro
não quer ver o mundo
não quer ver a vida passar
Meu mundo se tranca
Ele se prende
Toda vez que ele me prende
Só ele sabe o que meu corpo sente
Mas meu mundo não é só meu corpo
Minha alma não ´tá no rosto
exposta a todo olho
Mesmo assim não nego
Algumas vezes, olho no olho
não tem como mentir
E nem quero
Um dia eu aprendi o que quero
Quero ser feliz!

17 anos, aí vou eu!

A partir de agora nada começa com pontos. Eis que uma menina – já não tão menina assim – acorda certo dia e BAM!, há uma mancha vermelha no seu rosto. Sem maiores dramas, sem maiores novidades, simplesmente mais um aniversário. Um ano a mais para ver quando se olha para trás. Menos tempo de vida também, só que sem motivo para depressão por isso. Acima de tudo um dia de sentir-se gostado. Não necessariamente. Parando para pensar... De porta trancada, com som bem alto, aquela tal essência que costuma se esconder da vida social pode aflorar livremente. Isso! Dia de saber um pouco melhor quem se é, o que se quer fazer e o que se quer ser. Se possível, ser a gente mesmo por mais que isso possa parecer grotesco em alguns espelhos.
E que nunca mesmo alguém ouse me dizer que os pedidos de quando se sopra a vela e corta o bolo são bobagens. Pois eu afirmo com toda certeza que se pode ter: eles se realizam! Realizar. Buscar coisas/pessoas que nos façam bem e seguir todas as vontades por apenas um dia. Apenas um dia normal. E o dia passa rápido. São só vinte e quatro horas como todas as outras que temos todos os dias quando acordamos.
A diferença está no fato de que alguém um dia nos disse que esse dia era especial. Todos acreditaram sabe deus porquê. Talvez porque dá muito trabalho viver como se quer ser todos os dias. Só que a vida passa muito rápido...

terça-feira, maio 02, 2006

Boneca de pano

Feita de louça
Torna-se moça
Cresce de repente
Feito sol nascente

Passeia tranquila
Dobrando as esquinas
Dobrando o papel
No meu carrossel

Menina tão doce
Amor, tão amada
Me pede que fosse
De novo apaixonada

Faça o que quiser,
boneca de pano,
te faço mulher
ao som de um piano

Em algum dia de 2003

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14 de abril de 2006

A boneca de pano, de tão remendada, acabou mesmo virando mais que enfeite de prateleira. E olha que ela também nunca teve manual. O som do piano passou sem que ninguém parecesse ouvir... A boneca, ali na rua, anda apressada, embora muito segura, sobre o salto alto. Ela agora se pinta das cores do céu para esconder as marcas do peso dos anos. Mas os anos nem passaram de verdade no relógio... Em contrapartida, a alma vai cheia de rugas, esguia e segura dos modos que tem. Há quem só veja a boneca nua, sussurrando entre sonhos secretos um prazer indescritível.
Outro dia mesmo cruzei com ela na esquina. Parada esperando lhe vir a vida sem saber que esta não vem. Só sabe ir...

segunda-feira, abril 10, 2006

Tudo novo de novo

O meu começo não tem ponto, não tem vírgula e não há de ter nada. Fica eleito o vazio pra meio de transporte. Pois que há sim cura para toda loucura. Há fim para toda dor, assim como também há prazer no sofrimento. E há o medo de envelhecer, medo do tempo passar e tudo ir embora, ou a gente mesmo ir e tudo ficar aqui. Mas a gente se desfaz em mil partes nessa vida, vai deixando por aí caquinhos de nossa essência desnecessária. E da filosofia do nada eu fico com a busca por coisa alguma. A busca. Mas com uma confiançazinha de que encontrando ou não - sabendo que mais provavelmente nada de encontrar - a vida é só o que temos. Pois não dá pra confiar no futuro. Não dá pra confiar que Deus vai mesmo nos levar pro céu só porque mergulhamos num rio, piscina ou molhamos um pouquinho a cabeça. É, não há mesmo garantias. Mas há vontade. E ela pode bastar. Vida besta essa... Afinal, uma hora ou outra a gente acostuma, com vinte um dias vira hábito, e simplesmente vai vivendo. Pois a vida é mesmo simples e mágica. Dói muito às vezes, mas quem foi que disse que a dor não é simples? E sempre passa... Assim como os momentos bons... O que me faz entender certo desgosto com o tempo. Motivo algum para comemorar datas se a certeza do porvir é nada perto das lembranças que nunca hão de voltar. Mesmo assim a gente segue. E vai vivendo...

quarta-feira, abril 05, 2006

O último-primeiro-dia-de-aula de nossas vidas

Com esperança de cura de um suposto e auto-diagnosticado Transtorno Bipolar com quadro agravado de Tripla Personalidade. Por alguns chamado de Frescurite Agudíssima ou Falta de Porrada/Problema Generalizada.

Mas não importa. Tem uma grade impedindo minhas palavras. Há obstáculos impedindo qualquer um de se aproximar fisicamente dessa louca desvairada. Por isso eu explodo. Em tristeza profunda... Mas acalmem-se, eu já pus os remédios no lugar. Não foi dessa vez que entrei pra História.

Nesse exato instante, e desde que acordei, estou eufórica.

Queria dizer muito mais, só que estou sem tempo e afastada das palavras há alguns dias.

segunda-feira, março 27, 2006

Algumas considerações aleatórias sobre a vida

Então um dia eu descobri que queria ajudar os outros. Que queria ensinar-lhes tudo o que pudesse. E para isso é preciso aprender tudo o que puder. E sim, a gente aprende com o que já sabe. Chama lembrar. Redescobrir como verdades coisas que a gente achou que nem valiam mais. Chama origem também. É da onde a gente vem, de tudo o que aprendeu. É de vez em quando lembrar o motivo pelo qual a gente age. Sabe como e porque aprendi um dia cada coisa que sei. E ficar feliz simplesmente com a euforia de tudo que ainda posso aprender. E saber que não vou aprender tudo o que quero. Que algumas lições são difíceis, posso errar muitas vezes, mas desistindo fácil eu não tenho como saber se conseguiria.
Descobri um dia que sempre amei as palavras. A referência mais antiga que tenho de mim mesma é que sempre quis ser bailarina. Não sei o que é ter um pai. Nunca chamei ninguém por essa palavra, mas sei o que é ter várias pessoas tentando me proteger ao mesmo tempo. Cada uma à sua maneira. Talvez por isso eu tenha essa ânsia insaciável por uma liberdade que sequer saberia definir. No fundo, gosto de seer cuidada e protegida, mas prefiro é estar no controle. No entanto, o mundo não cabe nas mãos. Não é sempre que consigo deter tudo com meus dedos, como também não é sempre que quero isso. Devo ser bem frágil, ou melhor, sou frágil. Por isso é preciso ter precaução com os sentimentos, manter certa distância, por segurança. Dos outros também, pois tenho o costume de machucar os outros. Dizer que é sem querer é demasiado piegas. Machuco os outros quando é uma questão de escolher entre a felicidade deles e a minha. Eu geralmente escolho a minha.
Tento parecer forte, só que às vezes é muito difícil. Tenho habituais contradições humanas. Acho que emoções são importantes e devem ser expressadas. De modo algum são sinônimo de fraqueza.
Fico pensando se a sociologia, ao invés de tentar entender o comportamento humano, não o está mecanizando. Sou mecênica às vezes. Conheço bem o gosto de minhas lágrimas por outro lado. Deixamos de ser máquinas quando, no meio do trabalho, nos dá vontade de fazer sexo com a pessoa que amamos. Ou quando no meio do trânsito, atrasados, queremos saber como está um amigo.
Dizem que palavrões não combinam comigo. Mas uma das mais importantes declarações de sentimento que já recebi veio regada deles.
Acho que amor é para poucos. Pois deve ser inteiro, intenso, incondicional. E por mais que a gente não perceba, ele nos desgasta. Com a melhor sensação de desgaste do mundo! Incondicional é uma coisa difícil às vezes. Porque as pessoas que amamos podem nos magoar. Amor é quando a gente sabe que tem razão e mesmo assim pede desculpas. Pois razão não é tão importante quanto o sorriso de alguém. Mas amor termina... Paixão é quando a gente pensa que, se determinada coisa acontecesse, não seria possível parar de remoer. Perdão é uma demonstração de sentimento de superioridade. Deve ser invenção da Igreja. Ninguém tem o direito de dar. Justiça é uma coisa importantíssima, vem de valores coletivos, que devem ser respeitados e periodicamente questionados.
Há uma sensação desesperada do peito que eu chamo êxtase. Ao mesmo tempo em que se quer segurar o mundo, achar que o tem nas mãos. Mãe é uma palavra estranha. Um hábito, uma pessoa pra quem não se tem vergonha de pedir e por quem se deve ter incontável gratidão. Família a gente não escolhe, mas pode conhecer pessoas maravilhosas - que o acaso nunca nos apresentaria - através dela. Pode descobrir o ódio dentro dela também. No mais, a gente vai vivendo.

quinta-feira, março 23, 2006

Não sei dizer...

A vida é espontânea demais pro meu gosto às vezes. Já é bem antiga a história de que não adianta pensar como teria sido, mas muitas vezes é também inevitável. Moulin Rouge. The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return. Vontades movem a vida. Pode ser aparentemente impossível aceitar algumas vezes. O que estou pensando? Ah, eu estou acima de tudo vivendo. Eu sei que nos parece um fim dos tempos, mas há muita coisa pior no mundo. Coisas que talvez nem suportássemos. Hoje não há imagens. A gente deixa passar coisas e não adianta chorar depois. Lágrimas são diamantes e diamantes são the girls best friends. Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar. Meu coração se divide em vários e quem poderá me entender? O Chapolin Colorado.
Eu ontem tive um pesadelo. Ontem à noite eu conheci uma guria que eu já conhecia. Já era tarde, era quase dia. A saudade é arrumar o quarto do filho que já perdi. E passam muitas meias, passam muitas horas. Tanto que chega um dia em que mudar a vida é uma questão de escolha. E abrir mão do que se tem não é opção. Se tudo passa, talvez você passe por aqui e me faça esquecer tudo o que vi.
Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho o café com guaraná... A canção tocou na hora errada...
E eu já nem sei de que forma mesmo vc foi embora.
Entre por essa porta agora que eu não vou gostar de vc porque sua cara é bonita. O amor é mais que isso. Deixa de bobagem vem cá que eu estou aqui agora. Inteiro, intenso, eterno, pronto pro momento e você cobra. Deixa de tolice é claro e certo e belo como eu quero. O corpo, a alma, a calma, o sonho, o gozo, a dor e agora pára. Será que é tão difícil aceitar o amor como é? E deixar que ele vá e nos leve pra todo lugar... Como aqui. Será melhor deixar essa nuvem passar e você vai saber de onde vim, aonde vou e que eu estou aqui! Nunca foi tarde, começamos o fim, é assim. O melhor pra você, o melhor pra mim. Eu não voltaria mesmo e você bem podia ter ficado aqui. Mas agora é mesmo tarde. Preciso ir.

quinta-feira, março 16, 2006

Quem foi que disse que eu era forte? Nunca pratiquei esporte e nem conheço futebol...


... o meu parceiro sempre foi o travesseiro e eu passo o ano inteiro atrás de um raio de sol. De lutas de alma eu entendo um pouco. Há muito o que fazer no mundo me disseram. E começar por mim, há de se aceitar as diferenças dos outros antes de exigir que aceitem as nossas. Há que se saber que nunca seremos aceitos também. Como disse minha amiga Babs: o negócio é torcer pra não nascer humano da próxima vez. Um belo dia eu resolvi mudar e fazer tudo o que queria fazer. Mesmo assim é ilusão achar que vou me libertar fácil assim da vida vulgar que eu levo. Tudo é tão difícil que eu não vejo a hora disso terminar e virar só uma poesia no meu caderno. Pois quando eu digo só, eu digo só mesmo, porque isso não é nenhum mérito. Outro dia me perguntaram como andava minha produção literária e eu acabei concluindo que o que há de melhor no meu caderno de confidências é a capa mesmo.
Se eu sou uma pessoa interessante? Acho que sim, como qualquer um observado a uma distância segura - como me disseram uma vez. Ai, céus, é difícil isso de ter mil e uma motivações para continuar vivendo. Tava certo quem disse que não haveria ninguém para compreender detalhadamente tudo o que se pensa. Pensar não leva ninguém a lugar nenhum. Imaginar talvez.
Algumas pessoas a gente vê uma vez só na vida e nunca vai esquecer. Alguns acontecimentos deixam marcas profundas na gente. Essa foto aí foi da viagem que fizemos com o colégio, para Paraty, no primeiro ano. Eu lembro bem que esse dia me doeu na alma. A novela nova - por incrível que pareça - resgatou isso em mim. Essa dor atrasada pelo abolicionismo...
Eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês.
O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar, o amor só mudou de cor, agora já tá desbotado... Corra lá vem a tristeza atirando pra todos os lados. Pegue o vestido estampado e guarde prum Carnaval, guarde que eu nunca te quis mal. Até um feriado... Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar. Como velhos desconhecidos, se você não me escuta eu não vou te chamar.
Consideramos justa toda forma de amor - mesmo que não a entendamos.

segunda-feira, março 13, 2006

Daria tudo por meu mundo e nada mais.

Eu vou é forrar as paredes do meu quarto de misérias com manchetes, tragedies e poemès pra ver que toda brincadeira é séria e vou provar pra todo mundo que não existe perdão. Portanto, não há mal nenhum em sermos todos chatos. Tolos em banco de praça, alimentando as ideologias e as baratas poesias alheias. Eu tenho é medo do mais fundo escuro. E – a quem pergunte – me dou muito é bem com a tal solidão. Só que fui descobrindo na vida que sofrer junto pode ser também muito bom.
Um dia esqueceram de me dizer como era ou que tinha que fazer e eu resolvi que nem queria mais fingir que amor não existe. Ora, ele existe. Mas falar de amor é um saco. Então, ir pra vida ou ficar na mesmice do prazer já nem faz diferença, já que se pode ir e vir por direito. E se pode ir mais longe quando se fica quieto, escutando... No mesmo lugar. Todos os dias iguais têm o agravante de serem cotidianamente diferentes e tudo uma hora cansa. E já passa das três. A hora sempre me avança. Agora, eu calo em português errado, imperfeito feito passado.Ai de mim que sou assim. Dói em mim saber de tanta coisa que eu sei. E olha que eu não vi nada ainda... A vida é uma só e nunca saberemos quanto vale. Pra mim, se vale alguma coisa – e disso estou certa – já compensa todos os crimes. “A medida de amar é amar sem medida”.

quarta-feira, março 08, 2006

As vitrines



Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
Dá tua mão, olha prá mim
Não faz assim, não vá lá, não
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão frouxa de rir
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Saindo de malas de um conto de fadas

Quando nada faz muito sentido e a gente continua sentindo muita coisa. É tarde pra querer voltar e cedo ainda pra dizer que é. Pois nada é de verdade. Não há nada além de um sussurro escondido, as mesmas - e cada vez mais fundas - três palavras só. E mesmo se fosse só o sol, já seria muito. E a vida breve é mesmo muito bonita e divertida. Mas deixa pra lá se ninguém é tão capaz de entender. Ninguém é tão capaz de se despir de tudo para ser imperdoavelmente feliz. É tudo urgente demais para ser tão breve. Quem inventou o amor, me diz? Quem disse que amor é papai-e-mamãe uma vez por semana debaixo do cobertor? Eu digo que é amor porque eu amo. E ponto final. Quem quiser ouvir, ouça. Quem quiser ficar especulando e perdendo tempo com pequenas coisas... Eu apenas posso lamentar.
Mas é isso mesmo. A vida lá fora tá soprando uma brisa fresca, o tempo me espera, a vida é uma só até que possam provar-me que não. e se quer saber, não faz diferença. Eu já sei o que quero. Quero sempre mais. As malas tão prontas e a vida bate à porta. Esperem um pouco que estou indo lá abrir.

É Carnaval, é carnaval, écarnaval!!!!

Se me deixarem brincar de felicidade, eu juro, hoje saio de nariz pintado.

domingo, fevereiro 05, 2006

Egocentricity

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto a você
E em tudo que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Eu sei que eu nasci pra saber
E fui andando sem pensar em voltar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro, uu
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você, iê, iê
Agora só falta você, aaa...
Agora só falta você, iê, iê
Agora só falta você, au

Treinando pra quando eu for famosa...(hehe)

Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo pára um coração
A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez, nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter
Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem esta prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum
A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez, nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter
Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem, também tem
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

Fotos do cabelo novo



terça-feira, janeiro 31, 2006

Eu acordei um dia e naum havia ninguem ao lado. Meu corpo nem era mais meu, acho que nada havia ali.
Eu fui dormir chorando um dia e acordei querendo acreditar mais em sonhos. O sonho acabou meu bem.
Os dias passaram, os anos passaram e o tal do tempo que me disseram curandeiro perdeu a hora da visita.
Esqueci os cosnelhos antes meus e, diante da dor, continuei deitada esperando sabe deus o que...
Um dia desses, eu espero encontrar explica'caum, mas que seja longe dos encontros casuais que me cortam a alma. Era tudo mentira a minha simpatia. E a gente algumas vezes escuta coisas que cortam a alma sem nenhum barulho, quase sem dar pra notar...
Teve um dia... Eu fiquei com medo de ficar sozinha no escuro e quis voltar para onde as portas trancadas podiam me proteger de mim mesma. Era para termos morrido, era para termos feito TUDO. Mas acabou.
E eh isso mesmo que a vida eh.
"Penso no que vai ficar de mim. Eu soh sei insistir."
Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo... E de repente eu me vi assim completamente seu.
Vi a minha força amarrada no seu passo.
Vi que sem você não há caminho,eu não me acho.
Vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia!
Quando o meu mundo era mais mundo e todo mundo admitia uma mudança muito estranha: mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar.
Quando a canção se fez mais clara e mais sentida... Quando a poesia realmente fez folia em minha vida..."Você" veio me falar dessa paixão inesperada por outra pessoa.
Mas não tem revolta não: Eu só quero que você se encontre. Saudade até que é bom, eh melhor que caminhar vazio. A esperança é um dom que eu tenho em mim... Eu tenho sim.
Não tem desespero, não. Você me ensinou milhões de coisas!!!!!! Tenho um sonho em minhas mãos e amanhã será um novo dia e certamente eu serei mais - seremos todos muito mais felizes, certo? - feliz!!!!!!!

Pra quem quiser ler...

Para quem entende que viver pode doer muito.
Para quem entende que sofrer eh essencial em muitos momentos.
Para quem entende - ou tenta entender - que o sofrimento naum eh soh nosso.
Para quem aceita a vida.
Para quem fica inconformado algumas vezes.
Para quem chuta o balde, pula do bonde e faz tudo errado.
Para quem sempre faz a coisa errada.
Para quem erra tentando acertar.
Para quem quebra e pede desculpas.
Para quem tem coragem de voltar atras.
Para quem tem medo da vida.
Para quem tem coragem de enfrentar os medos.
Para quem sabe esperar.
Para quem levanta e vai em frente.
Para quem naum prolonga as coisas.
Para quem tem dois bra'cos paralelos que podem fazer muito.
Para quem tenta aceitar os recome'cos.
Para quem chora sozinho no escuro.
Para quem se conhece e sabe o que naum pode ter.
Para quem quer tudo o que naum pode.
Para sempre.
Quero paz interior.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Sonhos deuses desacreditados -in-existentes

Ela queria uma foto do sol e teve o sol inteirinho pra ela.
Ela podia tocar o feixe de luz e a mente de imagem a podia levar onde quisesse.
Era o que queria. Pensava ser apenas, mas pensar podia ser tudo quando era iludida por pura escolha.
E as letras deviam ser maiores - GARRAFAIS - para fazer tudo grande feito sua alma.
Ela era demasiado piegas, certamente. Mas gostava de ser-se sempre.
Acreditava que nada podia ser irreversivel.
Nada de choro que podemos viver bem.
Nada disso, meu bem, venha e me traga um sorriso daqueles...

sábado, janeiro 21, 2006

Mais do nunca mais o mesmo.


Eu não tenho idade para viver o que ainda não vivi.
Tem muita coisa que fica aqui na cabeça.
Têm dias mágicos para lembrar na vida.
Um samba na guitarra, um mundo na palma das mãos.
Ei, mãe, eu tenho o que na vida por muito tempo foi tudo o que eu queria ter.
Ei, mãe, agora eu estou me sendo sozinha.
Ei, mãe, viver dói.
São coisas terminavelmente lindas que a gente sempre tem.
E desde sempre já sabíamos o que seríamos: eternas lembranças lindas!
Então, vamos pra vida viver.
"Pois sem ti, mesmo sentir, é meio menos."
Então é isso, bem como a gente achou que ia ser.
A vida tão simples é boa - quase sempre.
E quando a gente está contente, nem pensar a gente quer.
Fim. A noite acabou feito gim, espuma branca lavando meus pés.
"Mas as coisas findas - MUITO mais que lindas - essas ficarão!"
E eu vou crescendo, eu vou aprendendo a ser do que me ensinaram. Sem dúvida, se agora eu sigo sozinha é porque aprendi a me bastar. E não aprendi sozinha. Hoje é uma menina-flor de sua beleza única (rara) que sabe um pouco ser mulher. A vida tem seus caminhos estranhos... Eu hoje vou pro lado de lá, mas não levo tudo de mim, deixo boas coisas para lembrar - mesmo que isso às vezes traga lágrimas. Quem sabe um dia desses, num desses encontros casuais...
E do que sobra eu vou levando... Sem nunca esquecer do que sou.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Recanto de madeira ao contraste com o céu nublado

Hoje eu passei por um canto
E achei-o tanto quanto recatado
Eu catei uns muitos prantos
- eles eram tão santos -
Que fiquei envergonhado
Fiquei também certo tempo
Um pouco assim, meio parado
Com cara de abismamento
Por lembrar dessas coisas
Foram tantos momentos

Eu visitei um recanto
Que - penso - ninguém nunca viu
cheguei a pensar em acalanto
Mas tudo mesmo já partiu

Cantei memórias doces
Soltei do cabelo os grampos
Provei mil e um amores
E ainda está lá o canto
Feito uma juventude perdida
Pedindo enquanto eu janto
Que perdeu-se de tão jovem
Feito bebê envolto em manto
E achou-se fora de ordem
Sem querer ordenhar ninguém

Disso ficou uma moça despudorada
Uma louca enrubrescida de ego inflado
Saia curta e roupa íntima
E viver, vale quanto?

Perguntei por aquela menina
Mas o canto era deserto
Tive receio do silêncio
Vi melhor sair de perto

Fui embora sem saber
S'inda mora alguém ali
Sem demora quero ver
Os remorsos que menti

Vida de ventos tantos
Ondas de mar e seus encantos
A madeira escureceu
ou terá sido apenas o céu?
Vejo chuva e nolite aqui
Noite de lua fresca
Onde passeia uma mulher
Meio desacostumada a sê-lo
E ainda sem saber o que é
A menina evoluiu, ficou velha e gasta
Agora, são suas mesmo as rugas alisadas
Os tempos elisados com z
O tempo de tantos anos
Foi ontem, eu sei...

terça-feira, janeiro 10, 2006

Pra não dizer que não falei das dores...

Estou trancado em casa e não posso sair
Papai já disse, tenho que passar
Nem música eu não posso mais ouvir
E assim não posso nem me concentrar
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação Sexual
E eu odeio Química
Não posso nem tentar me divertir
O tempo inteiro eu tenho que estudar
Fico só pensando se vou conseguir
Passar na porra do vestibular
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação Sexual
E eu odeio Química Química Química
Chegou a nova leva de aprendizes
Chegou a vez do nosso ritual
E se você quiser entrar na tribo
Aqui no nosso Belsen tropical
Ter carro do ano, TV a cores, pagar imposto, ter pistolão
Ter filho na escola, férias na Europa, conta bancária, comprar feijão
Ser responsável, cristão convicto, cidadão modelo, burguês padrão
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Não saco nada de física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação sexual
E eu odeio Química, Química, Química
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação sexual
E eu odeio Química, química, química

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Sem nunca esquecer da matemática, é claro!!!!

Isso pq ainda nem é vestibular.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Se não for isso o que será?

Tem alguma coisa me doendo muito aqui dentro. Como uma saudade antecipada e ao mesmo tempo atrasada. Um saudade que não sabe se deve ser saudade ou nostalgia. Uma saudade buarquiana, que é o pior dos tormentos, pior que sentir o braço ausente. Receio ter finalmente perdido o membro que tanto me disseram que eu perderia. E está sendo tão ou mais difícil do que pensei lidar com as situações que se enrroscam no meu pescoço.
"Aquilo que eu temia aconteceu ou foi só ilusão? Você manchou nós dois e desbotou a cor de um só coração ou anda sozinho me esperando pra dizer coisas de amor?" Pois eu já nem sei mais de mim. E atesto que desisti de saber. Já se dizia que é querer muito querer ser feliz depois de tudo. Viver sem me corta a alma inteira em pedaços que perco de vista. Há caminhos sem volta. "E o que é que a vida fez da nossa vida? E o que que a gente não faz por amor? Também já me esqueci de te esquecer porque o seu desejo é meu maior prazer e o meu destino é querer sempre mais. "
Ora, não sei do meu destino. Meus baratos desatinos de ausência. Ontem fui dormir com medo. Um olhar inesquecível - e lindo - me encarava, sentado numa cadeira de praia. E confundiu todos os meus pensamentos.
Eu bem podia tentar implorar de todos os jeitos e tentar impedir o que mostram os indícios. Eu podia e queria. Mas acho que não cabe a mim. Que fiquem para trás os laços e terminem os ciclos que têm de terminar. Mas como doem os fins!!!! Eu apenas torço para não ser esquecida. Para que sejam lembradas as conversas intensas: "Daqui a vinte anos, casado, longe, sei lá onde... Você ainda vai lembrar de mim?" Lembre como uma lembrança apenas. Mas não esqueça das promessas não cumpridas. O ano leva muitas coisas com ele. Primavera levou tanta coisa consigo. Só não seria capaz de dizer que não sabia. Novos horizontes. "Nossa conta conjunta, de tanta labuta acabou de zerar./ E não precisa voltar para cobrir todos os cheques sem fundo, / pode seguir, viajar o mundo / Enquanto espero seu cartão postal./ (...) E não sobrou nem ficha pra te ligar no Carnaval. / No desse ano vou me vestir de cinza e chorar meu pranto sozinha. / Com cara de quem te espera ainda..."
Queria ter aprendido a não esperar nada da vida. Mas a vida me ensinou que nunca consigo aprender as lições de que mais preciso. Contraditória? Pode até ser. Antes de tudo eu sou eu e acho que vou continuar sendo enquanto conseguir sobreviver. Dói tanto desde que perdi o controle de meus sentimentos...

Primavera se foi e com ela meu amor
Quem me dera poder consertar tudo que eu fiz
O perfume que andava com o vento pelo ar
Primavera soprando pra um caminho mais feliz
Mais feliz, pois a rosa que se esconde
No cabelo mais bonito, é um grito
Quase um mito, uma prova de amor
Primavera se foi, e com ela essa dor
Se alojou no peito devagar
A certeza do amor não me deixa nunca mais
Primavera brilhando em seu olhar
E o olhar que eu guardo na lembrança
Ainda traz a esperança
de te ter ao meu ladinho numa proxima estação
Mais feliz
Mais feliz

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Do que não me ensinaram...

Os antigos brinquedos da infância,
Num rompante do destino desavisado,
Tornam à lembrança.
Entornam juntos na taça,
Embebem juntos na cerveja,
Esquecem juntos no desabraço...
Retornam antigas promessas,
Reformam as mesmas palavras,
Tocam as mesmas notas
E da noite sem planos
Emerge um sonho por trás da fumaça.
Os sonhos de vinho tinto
Fazem unir os instintos
Que acordam a madrugada,
Mas na hora de redizer o mesmo
- os olhos cheios de vontade -
vão adormecendo em outros olhos...
Ainda há tempo que não vá com os anos?
O vento leva o voto dos santos.
E se não dá para falar em alento,
Nem vou pensar em aliança.
Isso é brincar de fazer verdade
Os sonhos de duas crianças.

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Sentimentos já subvertidos pelo tempo. Nem dá mais pra voltar atrás. Não dá também para ficar pra sempre nas mesmas frases piegas e sem muito sentido. As condições vão ficando inaceitáveis para a vida. Não adianta fazer dicionários com verbetes atemporais, pois as sensações mudam com o tempo. Tempo é algo difícil demais pra falar. Je suis vraiment desolée. Estou me atualizando, tentando parar de chorar ou ao menos desacostumar com o gosto do meu “mar de lágrimas”. E a vida ainda tem muitas portas para se entrar. E muitas e muitas “meia-hora” para mudar muitas e muitas “minha vida”. É ruim sonhar com coisas que não dá pra saber. É chato isso de o mundo não depender só de mim. Me iludem com a tal autonomia. Estou numa vida que não me permite mais erros e eu não consigo aceitar isso. Eu ainda não descobri nada de verdadeiramente útil.
Descobri que posso viver sem, mas não sei se sem e mesmo viver ou se é só o tal “ir vivendo”. Era tudo o que eu não queria e se eu queria enlouquecer, perdi a única chance. Deixa estar e ser como tem de ser. Tudo no seu devido lugar.
É meu último dia.