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Mostrando postagens com marcador Fernando Sabino. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, julho 09, 2012

É só uma questão de gosto, uma questão de cheiro-curva-do-pescoço-com-ombro-onde-o-de-nenhuma-pessoa-é-igual-ao-de-outra, uma questão de toque, peles que se encontram e não importa muito o grau do arrepio, é uma questão de cena - bota as cores, uma iluminação diferente, cenário bem escolhido, uma questão de trilha sonora, vozes sussurradas, inesperadas, timbres, melodias, batida forte pulsando junto com ouvidos entorpecidos, músculos relaxados e gestos aparentemente despretensiosos.

Questão de não ter questão nenhuma, não ter peso, não ter amanhã, não ter paixão triste, submissão, renúncia. Não tem nada além dos tais sentidos que no fim das contas guiam, perdem, acham-se em fundos de copos, fundo dos olhos, poça de lágrimas que sempre acham o tal caminho de casa. Sabe deus por quanto tempo... Quem saberá quantas expressões idiomáticas serão necessárias, quantos ninguéns para quem ser, quantos espelhos em que a gente procura estender-se, esticar, espreguiçar, caber. E nunca cabe, fica nesse transbordamento sem fim, essa procura que se fantasia de passo de dança porque vai que é esse o caminho.

As citações estão prontas e ainda há muitos livros na estante. Muitos papéis em branco, muitas tintas querendo se espalhar nos dedos, desembocar em papel - em cor ou palavra, da melhor forma que caia a carapuça. Poça de sangue, de lama, de lágrima ou mesmo de chuva que molha a raiz do cabelo e lava junto aquilo que chamamos de alma.

E para os dias de frio, basta ter café e bons cobertores. O resto a gente inventa pra se distrair sem saber de fato o que existe.

quinta-feira, março 01, 2012

O que é isso, Fernando?

O começo do eterno retorno faz com que repita sem pensar um mesmo trajeto de anos antes. A sensação de um passado longínquo corresponde mais à falta de reais distâncias a percorrer do que a embaçamentos na memória fraca. Sempre foi boa - e, afinal, foi mesmo ontem, não haveria razão para. Fato é que o tal do novo tão temido, desnorteador, desestabilizador, que há não muito cegava, provocava suores, insônias, pesadelos e angústias. Estas últimas também mais por hábito, dependência, vício que realmente por reação a acontecimentos reais.

Nenhum acontecimento real. Nenhuma novidade maior que a de pegar de volta os mesmos caminhos, voltar aos mesmos lugares, olhar nos mesmos rostos. De um lado duros, cheios de obstáculos para perpetrar. De outro ansiosos para que eu traga-lhes também um caminho, alguma coisa perto de uma certeza, uma forma próxima de concreta. Nenhum dos dois lados sabe o quanto não posso oferecer nada disso. Não sabem que trago as mesmas perguntas, os mesmos desejos de achar respostas. Talvez para um dos lados eu seja ainda muito ingenuamente sonhadora e para o outro demasiado incrédulo, no sentido de uma desesperança no que concerne a achar as respostas.

O que não sabem, ninguém sabe. É que todos fazem parte de uma mesma procura cíclica, cansativa e estimulante. Como uma escada, um medo, uma ponte ou um passo de dança. Sempre sem interrupção.