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terça-feira, julho 16, 2013

Inesperado

Despercebido e inesperado, ele chega. Precisaria de outro nome para descrever, porque nunca é igual e até o novo nome ele traz. Não poderia não amar o que já é sinônimo de amor. Ah, poderia... É claro que poderia porque assim é que é a liberdade, mas ao mesmo tempo não é uma escolha. Ao menos não consciente. O corpo escolheu e eu o culpo com os dois mil anos de cristianismo negado que também me fazem separar de mim a carne e a pele com as quais convivo.

Não há separação, classificação. Há o amor. Que quando dito não diferencia o verbo que prova que existe da exclamação surpresa por sua existência. Amor de pica, amor de corpo, amor de gozo, de trilha sonora, de palavra. Amor simplesmente. Amor de copos de cerveja, de histórias repetidas. Amor sem pretexto. Amor que ousa assumir as vontades. Amor birrento, mimado e infantil. Amor-fruta-mordida-e-tranquilidade. Amor que se acha definido em poesias e canções, e que ao mesmo tempo se sabe indefinível. Amor que deixa o verão pra mais tarde. Amor que acaba antes das onze, que morre de saudade, mas que sabe esperar o dia seguinte. Amor que respeita quando não é dia. Amor que investiga milímetros de corpo mais do que detalhes da rotina. Amor que vive e não pede desculpas por amar. Amor que acorda e se esconde no cheiro do pescoço. Aliás, deve ser esse o único detalhe repetido. Não importa quanto o amor mude, ele sempre se esconde na curva do pescoço com ombro, ali onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao de outra. Amor que testa essa teoria.

quinta-feira, abril 04, 2013

Saldo do dia...

 ..ou Drops de Eliza.

Ao som de Antes de começar (Moska).

Um belo dia você descobre que, ao contrário do que você sempre imaginou, o mundo não é dominado por um apocalipse zumbi antes das nove da manhã. Ele existe.
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Pode ser péssimo para a minha reputação (oi?) admitir isso, mas: eu gosto do bairrismo de Botafogo.
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Eu sei que estou na Zona Sul. Não porque Botafogo passa a ser subúrbio. Não por causa do trânsito infernal e intermitente do Jardim Botânico. Não pela praça que inaugurou (pelo menos acho que) essa mania de chamar os lugares de Baixo-Lugar-Descolado-da-Galera. Não pelo cheiro de batata frita que não é um cheiro de gordura velha, é cheiro de uma apetitosa batata frita. Eu sei que estou na Zona Sul quando me cobram 50 centavos por UMA cópia.
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Há momentos em que vejo alguma coisa e sinto uma vontade enorme de tirar uma foto para postar no feicebuque. Fosse um tempo atrás, eu me defenderia dizendo que não tenho um aparelho tecnológico o suficiente para fazer isso. Agora tenho. E vou resistir pelo menos até que as pessoas esqueçam a matéria sobre banalização da imagem que compartilhei outro dia. A hipocrisia vai bem, obrigada por perguntar.

O problema todo é que, como eu não fotografei, o mundo (aham...) nunca saberá a graça que foi a mãe e a funcionária tentando manter quieto um bebê de seis meses a fim de tirar a foto para o RG da criança. Acrobatas perdem.

A parte boa é que não veremos um comentário da minha irmã na foto dizendo que obviamente ela tem 3 meses ou dois anos.  Certeza mesmo só a minha inabilidade para reconhecer a idade dos pimpolhos.

Agora imagina o bebê apresentando o RG na porta da buátchi!
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O Registro de ocorrência é bom o bastante para os bancos, para o plano de saúde, para a secretaria de pós-graduação, para o drama com os amigos, para conseguir dinheiro emprestado, para que as pessoas exerçam a atividade cotidiana e tão necessária para a humanidade que é me mimar, para justificar faltas, ausências e crises de choro. Entretanto, não é bom o suficiente para o Detran. Quem entenderá? Sem falar que eles podiam ter me dito isso antes que eu pagasse uma fortuna pela cópia do BO insuficiente. Até o bebê pode ter um RG, menos eu.
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Só a cafeína expulsa a madrugada das pessoas.
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Se a padaria estava fechada, a programação matinal foi dar com a cara na porta, o cartão não tinha chegado, o BO não servia e o cartucho da impressora estava em falta, por que cargas de ingenuidade e otimismo eu fui achar que meu diploma estaria pronto?
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A vida funciona assim: tem o caderno lilás fofinho, tem o vermelho charmoso, tem o de capa dura, tem o quadriculado... e tem o que custa cinco reais e trinta e cinco centavos. E já é um sofrimento me convencer de que isso é barato.
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Moral da história: comer dá fome e sempre há Oz no fim do túnel.

domingo, setembro 02, 2012

Tudo novo de novo (Paulinho Moska)


Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

segunda-feira, julho 02, 2012

Último adeus


A partir de agora
Você me abala
Mas não me anula
Eu já fui embora
E você ainda fala
Que quer que eu te engula

Está confirmado
Nada foi errado
Você é sozinha
Não levei teu ouro
Tao fundamental
Pra vida de rainha

Me deixa viver
É só o que eu te peço
Escute meu último adeus
É assim que eu me despeço

Mas chegou a hora
De acertar as contas
Com a sua própria vida
Se olhar no espelho
E encarar seu medo
Beco sem saída
É... eu sempre escrevi e vivi
Desse jeito cruel:
As mesmas palavras sutis
Sobre o mesmo papel

Me deixa viver
É só o que eu te peço
Escute meu último adeus
É assim que eu me despeço
Me disperso

quinta-feira, junho 21, 2012


Se você não suporta mais tanta realidade
Se tudo tanto faz, nada tem finalidade
Então pra quê viver comigo?
Eu não vou ficar pra ver nossa ponte incendiada
Nossa igreja destruída, nossa estrada rachada
Pela grande explosão que pode acontecer no nosso abrigo
Olhei pro amanhã e não gostei do que vi
Sonhos são como deuses
Quando não se acredita neles, deixam de existir
Lutei por sua alma, mas admito que perdi
E agora vou me perder nesse planeta conhecido
Intuir novos mistérios que ficaram escondidos
Naquelas palavras marcadas na sua carta de Adeus
Meu corpo vai sobreviver mesmo estando ferido
E até na hora de morrer eu não vou me dar por vencido
Porque sei que meus perdões vão estar bem ao lado dos teus

O que fazer com nosso amor
Se já te devo tanto ?
O que fazer com nosso amor 
Você me deve mais 
Se nossas contas se perderam 
Pois já não se pagam 
Se nossas noites de amor 
Não acordam mais ninguém
O que fazer com nosso amor 
Se agora falamos pouco 
E o relógio da cozinha a nos contemplar 
A qualquer momento as paredes vão ruir 
E nada, nada vai sobrar inteiro por aqui 
Quem será o último a sair 
A porta está aberta, mas não consigo enxergar 
Eu sei que também queres partir 
O chão está tão perto, mas não consegues caminhar
O que fazer com nosso amor 
Se andas com minhas pernas 
O que fazer com nosso amor 
Se vejo com teus olhos 
Um mundo louco e tenso de paixão e medo 
Dorme, Amor, nos meus braços 
Como se eu fosse o primeiro

segunda-feira, junho 18, 2012

Afinal, quem saberia que seria preciso inventar um novo mundo pensando um esboço do tal sentir-se em casa e chegar ao topo da mais bonita montanha montada para saber que o conforto não é compatível com os tais sentimentos. O conforto é o estagna, o que deve existir apenas tempo suficiente para acender a vontade irritante e constante de mudar.


É preciso uma coragem enorme para fazer cada partezinha, cada pilar desse novo mundo. É preciso também humildade para saber que ele não é, como teria desejado Leibniz, o melhor dos mundos possíveis. Mas ele é um mundo. É preciso muito orgulho também, para se defender dos dedos acusadores que dirão "isso não é um mundo", "mas olha como é apenas um rascunho" ou "você não está vendo esses borrões? essas fissuras?". As pessoas dirão muitas coisas e pensarão que não é mundo por não saberem que outro é possível. É preciso tranquilidade e equilíbrio para também não achar que aos outros falta é inventar também o seu mundo. Há mundos que se cruzam. Há pessoas que vivem bem no delas e deixe que fiquem bem por lá.


Há que saber também que os tais pilares serão sempre frágeis, mas que, se usado com cuidado, o tal mundo pode ser usado por uma pessoa durante toda a sua vida - desde que ela saiba que nunca estará pronto e nem por isso desista da tarefa árdua e diária que será fazê-lo. Com perseverança, dizem, cabem dois inquilinos, mas aí, o caso fica mais delicado, pois além de saber do quão interminável é a tarefa, há que saber que cada um está fazendo o seu próprio mundo - apesar de a olhos nus de estranhos pareça tratar-se do mesmo. Há que saber a quantidade de cores que é possível colocar nas paredes e que quando a gente mistura duas diferentes dá uma terceira, que às vezes pode resultar bonito, noutras algo que nenhum dos dois pretendeu. Faz parte da brincadeira o esforço de tirar a tinta - ou pintar por cima, ao gosto do freguês - para fazer tudo de novo.


Para quem não esquece de colocar o ponto final, vale lembrar que é tudo novo de novo.
Aos poucos, eu vou aprendendo a molhar a rosa. Aos poucos, acerto as doses diárias de água. Percebo os dias em que ela prefere uma boa dose de uísque ou mesmo uma cervejinha gelada. Ela vai ganhando pétalas novas, vai abrindo a cada dia. Percebo que sou capaz de garantir que ela não morra. Sei adubar a terra, podar os espinhos mais traiçoeiros e deixar os que são necessários para que ela se defenda.

Aos poucos eu entendo que uma roseira não é uma margarida. Não é uma avenca. Vejo todos os dias que ela é apenas uma roseira. Vejo todos os dias que ela não quer ser nenhuma outra. Vou percebendo que sua finitude não é displicência, não é excesso de água, falta de uísque, de espaço, de terra. Percebo que ela precisa de mim para se alimentar e vejo em seus olhos a gratidão pelos meus cuidados assim tão insistentes, tão diários.

Todos os dias eu acordo cedo e não tardo a pegar o meu regador. Sinto um orgulho enorme de mim mesma ao ver, todas as manhãs, que ela está ali, vivíssima, ávida pelos líquidos que eu puder oferecer no seu tipo preferido de copo. Ela está lá, todas as manhãs. E se morre um pouco por dia é porque morrer de amor é a substância de que a vida é feita.

quinta-feira, novembro 24, 2011

A vontade de férias traz vontade de música, daquela que vem viva e com contorno de sol



O amor precisa da sorte
De um trato certo com o tempo
Pra que o momento do encontro seja pra dois o exato momento
O amor precisa de sol
E do barulho da chuva
De beijos desesperados
De sonhos trocados da ausência de culpa
Talvez o amor só seja assim pra mim
E pra você não seja nada disso
Mas eu prometo tentar aprender a te amar do jeito que for preciso
Mas se o amor quiser mudar as leis do que é certo
Ele faz que o improvável aconteça
Quando o amor vier não tema, tenha fé
Que ele será seu olhar, esplendor e beleza
Talvez o amor só seja assim pra mim
E pra você não seja nada disso
Mas eu prometo tentar aprender a te amar do jeito que for preciso


terça-feira, novembro 01, 2011

"Tudo quanto não seja literatura enjoa-me e torna-se detestável para mim porque me importuna ou entrava, mesmo que seja hipoteticamente" (Diários, Franz Kakfa)

Não sei onde quero chegar indo a lugar nenhum nem me pergunto mais se eu sei o que é bom para mim se eu sempre caio nas minhas próprias armadilhas.

Repetir repetir repetir até ficar diferente.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Antes de começar

Abri janela para o sol entrar
Mas era a chuva que estava por vir
Liguei o radio para disfarçar
Mas não tocou o que eu queria ouvir

Peguei um livro pra me distrair
Mas as palavras não estavam lá
Troquei de roupa pronto pra partir
Mas não consigo sair do lugar

Eu sei
Que já não adianta forçar
Quando um dia termina
Eu sei
Que não há o que se possa mudar
Quando um dia termina
Antes de começar
Antes de começar
Ahhhhhh

Tranquei a porta pra me esconder
Mas escutei batidas no portão
Desci a escada para atender
Mas era só minha imaginação

Fiquei num canto pra ninguém me ver
Mas ao meu lado estava a solidão
Fechei os olhos pra não perceber
Mas ela estava no meu coração

Eu sei
Que já não adianta forçar
Quando um dia termina
Eu sei
Que não há o que se possa mudar
Quando um dia termina
Antes de começar
Antes de começar
Ahhhhhh

Telefonei para um amigo qualquer
Mas do outro lado não encontrei ninguém
Pensei, ok, venha o que vier.
Mas não estava vindo nada bem

Tentei quebrar os santos no altar
Mas me senti um pouco Talibã
Eu quis mandar a casa pelo ar
Mas ela pode voltar amanhã

Eu sei
Que já não adianta forçar
Quando um dia termina
Eu sei
Que não há o que se possa mudar
Quando um dia termina
Antes de começar

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Sinto encanto

Eu ouço sobre o amor e me calo
Eu não quero nem saber
O que me espera
Eu acelero
Tomo um gole do que eu não conheço
E meu primeiro porre
Será um mistério imenso
Eu vim do avesso
Reverso do que era aceito
Ninguém sabe tudo
Nada é perfeito

Eu escuto fora
Com o ouvido de dentro
Eu me alimento
Do meu silêncio
E canto
Porque sinto um encanto
Sinto e canto