quinta-feira, setembro 04, 2008
A outra volta do parafuso (Moska)
Que, finalmente,
Tua máscara ia cair
Definitivamente
Eu estava cansado
De te ouvir mentir
Meu corpo doía de um lado
Minha alma fervia do outro
De novo no mesmo lugar
E eu não queria estar ali
Tenho certeza que tu és o castelo
Onde o meu desejo mora
Mas me machuquei
Quando me aproximei
De tuas paredes de pedra
E tudo que sonhei
Me incomoda agora
Seja qual for o dia
Seja qual for a hora
Antes de pensar em me procurar
Me apague da tua memória
Porque já tranquei as portas
E escondi as chaves
Só não vi de que lado fiquei
De dentro, ou por fora, nem sei
Você me dói agudo e isso é grave,
Grave
Antes de te reencontrar
Sei que preciso voltar
A ser alguém
Alguém que saiba, pelo menos
Tudo aquilo que não quer
Alguém que tente
Atravessar o túnel no final da luz
Pois fiquei cego, surdo e mudo
E agora quero me esquecer de tudo
Pra descobrir em fim o que sobrou de mim
Que ainda me seduz
Se por acaso pensas que
Eu vou me perder por aí
Ainda vou gritar no teu ouvido
Que a vida é um parafuso sem fim
Que a cada volta
Aperta mais
E nunca afrouxa
Para trás
Só então saberás que
Desde o início eu já era assim
Salubridade da alma
A loucura é pois a essência da arte. É o instrumento de que é feita a nossa nova vida imaterial, pseudo-cultural. É da abstração e do mergulho em nossos mais esdrúxulos devaneios que provém o que enaltecemos como genialidade.
O espectro da loucura perpassa a arte há séculos na tentativa de justificá-la. Fico tentada a pensar se a ação não é recíproca: a arte subsiste como meio de justificar a loucura que, apesar de considerada um desvio da normalidade, mostra-se há séculos tão abundante em nossas sociedades; ao passo que a loucura sobrevive como um instrumento do qual a arte é feita, o alimento de que é feita.
O delírio, a imaginação, a inversão e a subversão dos valores morais – entre outros aspectos condenáveis para o bom funcionamento da vida prática – ganham lugar nos palcos, nas páginas literárias, nas telas etc.
Já me ouvi muitas vezes dizendo que escrevo para não enlouquecer. Bobagem. Eu escrevo porque a literatura é o espaço onde posso enlouquecer sem pudor. A dimensão da arte é onde é possível devanear, extravasar minhas alucinações, minhas paranóias, minhas obsessões. Escrevo para viver tranqüilamente minha esquizofrenia. É com as palavras que posso viver minhas muitas vidas que explodem dentro de um corpo só. Nas palavras me cabe bem ora melancolia, ora minhas tolas manias. Escrevo para experimentar meu autismo, minha literatura é meu mundo particular e impenetrável. Escrevo para enlouquecer sozinha e em paz.
quarta-feira, agosto 27, 2008
Perigoso
o amor é cinza
e a raiva amarela.
Porque todas as coisas
só existem quando e porque
a gente precisa delas.
E principalmente porque o desejo...
Ah, o desejo tem várias cores,
o desejo tem várias horas.
O desejo é vermelho,
um puxão de cabelo,
uma cicatriz no tórax.
O desejo é branco,
pratos limpos,
termos claros,
versos tantos.
O desejo é róseo, rígido e calado,
o desejo é até meio azulado
- como bem o são as segundas-feiras -
O desejo oscila entre claro e escuro,
conforme a luz: apagada ou acesa.
O desejo é chuva, é ponto de ônibus,
é banco de carro, rede, chuveiro e chão de quarto.
O desejo chupa, cospe, ou só roça a mão de leve
e depois me põe no colo
e diz o quanto me merece.
quinta-feira, agosto 14, 2008
Me arranca no suspiro da pele sob seu toque macio...
Vem, arranca esse poema dos meus olhos,
arranca esse umidecer
que nunca explode em lágrima inteira.
Arranca esse poema preso na garganta,
arranca junto com os gritos de prazer.
Arranca essa sensação que me arranha o peito,
arranca essa metade, essa leveza:
transforma esse instante bonito no grito intenso.
Tira de mim esse cheiro de sexo grudado no suor,
impregnado em mim de um jeito
que já me parece impróprio suar se não for por orgasmo
Tira seu pau da minha boca,
arranca esse gosto de porra
e vê se eu cuspo poesia!
Arranca minha roupa, meu ar, sei lá...
Leva tudo!
Mas não leva esse poema não.
Deixa eu guardar a poesia disso
só aqui dentro de mim.
terça-feira, agosto 12, 2008
Palavra.
Bobagem supor que existam palavras fiéis o bastante a ponto de descrever um silêncio tão puro. Um silêncio pleno. A sintonia plena. A respiração mútua. Talvez o barulho da água caindo na pele seja o som mais próximo de uma tradução, o barulho impossível de ser escrito. Talvez o intervalo entre as músicas de fundo. Talvez o silêncio da hora em que sobem os créditos dos filmes. Talvez o som dos copos brindando. Talvez alguma música alta, tocada pela segunda vez no carro. Talvez a respiração ao pé do ouvido.
Talvez um misto veloz e confuso de todos esses sons.
Talvez nem caiba tentar descrever ou escrever.
Fica a lembrança indizível. O afeto invisível. O instante indescritível. Um corpo indivisível. Os momentos inesquecíveis.
Será que você vai ler essa cena nas minhas palavras?
Tem coisas que a gente só lê no tom da voz, e não nas palavras que ela profere. Tem coisas que a gente só lê no brilho dos olhos, no toque dos dedos, das mãos, da pele. Tem coisa que a gente só lê nos silêncios puros.
domingo, julho 20, 2008
Conto
Foi. Decidiu. Inteira. Passos lentos. Firmes. Segurando com o sorriso o vento no rosto. Chegando, foi abrindo logo as metáforas bobas, as garras presas no peito.
– É que eu sou...
Parou aí. Sem saber por onde continuar. Sem saber em que pedaço de si estaria a transitividade disso. Pareceu que o alcance dessa definição exigia que fosse ainda mais dentro do que já estava. Se não podia alcançar aquilo, não era. Então não era. E não podia dizer. Querer que dissesse já seria muito. Seria transpor, ir muito além. Um mergulho que ali não acabaria definindo sua vida, seu mais profundo e superficial eu, tampouco sua frase. Não podia dizer! Engoliu em seco. Depois engoliu quente uma parte de fora que confortava. O líquido escuro, quente, amenizava sua culpa de não ver através das coisas. Afinal, não era só ela que não era transparente. Uma superfície inebriante, enigmática.
E ele ali com aquela cara de objeto direto, substantivo próprio com artigo definido e tudo. Com aquela cara tão definitiva e aqueles olhos estranguladores de quem sabia que ela não era nada. E sabia tanto que achava que nem precisava dizer. E não precisava mesmo. Não era nada. Já não tinha como tentar não deixar transparecer também em seus olhos. Então todos os olhos diziam a mesma coisa. Cada um a sua maneira. Seu ar de tudo de um lado. O ar de nada dela do outro. Transparente. Ele denunciando. Ela admitindo. Assumindo a culpa. Se fora ali para justamente despir as roupas de seu espelho – mas agora fugia a coragem, queria até fugir os olhos, desfazer a firmeza com que entrara, trocar o que ele estava pensando até que não pensasse. Isso. Queria esvaziá-lo num grito. Colocar sua alma inteira ali na mesa e esmiuçá-la tanto e tanto até que não sobrasse mais por onde ele ficar inteiro. Tinha de existir um pedaço não imune. Precisava existir.
Já não sabia precisar direito (tampouco esquerdo) a quem se dizia ali tão acalorada e silenciosamente. Quis ficar do outro lado. Quis ter o olhar superior. Ou enviesado. Cega que fosse. E não estivesse mais sob os holofotes invisíveis da sua consciência. Quis até não ter dito nada nunca na vida. Que tivesse resistido ao ímpeto de ser do lado de fora sempre. Desde bebê recusado a repetir os parentescos incognoscíveis. As sílabas de onde se deduz os afetos completamente indizíveis, indecifráveis. Pudera então ter recusado também andar, seguir o caminho inevitável de todos. Não ir a lugar algum que lhe dissessem. Nem saberia compreender as linguagens. Seria imóvel. Com o tempo desprenderia-se naturalmente de ouvir. Primeiro, não decodificando. Depois, ignoraria por inteiro os sons. Então é que seria. Entre todos os sentidos jogados no lixo cuidadosamente, ficaria apenas o sentir. Daí saberia ser intransitivamente, transcendentalmente. Sem olhos ou espelhos. Sem ter de sair de casa para ir se dizer por aí. Sem ter de precisar as coisas inexplicáveis nunca. Pra ninguém mesmo. Sem, contudo deixar de precisar das coisas inexplicáveis. Tão indispensáveis o tempo todo. Para tudo. Dissociando o que levava consigo e tão dentro de si do reflexo externo que emprestava – já não dava! – aos outros a quem dizia-se. Viu também assim que não era só ele. Que não era só para ele. Que o que mostrava ali, gritaria ao mundo inteiro. Estava mesmo gritando ali. Platéia e tudo. Destoando da paisagem. E as pessoas ao redor jamais compreenderiam o poder que tinha de ser. O poder que tinha de não ser absolutamente como a viam ali. Em pé. Olhos cheios d’água. Frase engasgada no meio. Firmeza trêmula da maior atitude que já tomara na vida. E o gole descia queimando a garganta. Queimando a face antes artificialmente ruborizada. Ergueu imperceptivelmente a cabeça. Piscou lenta. A breve escuridão serviu como um suspiro longo que a coragem aparente – e tão verdadeira! – não permitia que desse ali. Resolveu guardar o segredo de sua recente descoberta numa sala escura e deserta de um prédio abandonado em seu espírito. E teve certeza.
– É que eu sou!
E voltou.
sábado, julho 12, 2008
Só por hoje
Só por hoje eu bato à sua porta vestindo salto alto, alguma coragem, álcool enrubrescendo as faces e peças fáceis de despir no meio dessas palavras fáceis de cuspir no meio de sorrisos leves e de graça. Só por hoje as palavras que você vai usar não importam. Só por hoje eu sou puro personagem. A roupa, o rosto já não escondem - é tudo a mais pura mentira invetada, com toda sinceridade.
Inventei com tanto carinho. Toma! Pra você de presente. Faça bom proveito. Pode roçar assim, bem de leve, a mão no meu peito que hoje eu até finjo incidente. Hoje eu tenho cara de indigente inesquecível, daquelas pessoam estranhas que passam por você na rua uma vez e ficam n'algum canto da memória, no mesmo em que fica o desejo.
Eu sou capaz, hoje, de passar pelo mundo na rua e não ver ninguém.
Hoje eu sou vermelho-intenso, vermelho-brega, vermelho-vulgar, vermelho-sexy, vermelho-ruiva-drogada-de-decote, vermelho-parado-na-esquina, vermelho-lingerie-vagabunda-de-renda, vermelho-liquidação-de-quinta-do-dia-dos-namorados, vermelho-excesso.
(Mas cuidado que vermelho envelhece também feito sangue, enferruja, enruga e fica amarronzado. Um vermelho recém acordado é feio, cuidado!)
Mas só por hoje eu fico hoje até amanhã de manhã.
quarta-feira, julho 09, 2008
Vai ver nem tanto assim
Mas as cenas têm de ser espontâneas...
Não!
Tire essas palavras vulgares da boca, pois elas não lhe cabem. Simplesmente não combinam com o penteado, destoam como cores complementares: há de se ter muita ousadia para usar. Nâo vê? Que elas misturam lados distintos das coisas.
É que despir a maquiagem é mais difícil do que as roupas e minha alma já não fica nua há muito tempo. Por isso tem medo de que, caso a toquem, venha a público o tamanho de sua aspereza. Os meus gestos também não são crus há tanto tempo... E todo esse excesso - "no meio desse excesso, no meio desse excesso" - no meio, nas bordas, nos eixos, nas arestas, transbordando artificialidades desde sei lá quando. No fim das contas, esconde apenas o medo prosaico de ser prosaica.
Já não foi inteira. Já não sabia decidir inteira. Uma parte queria pensar no antes antes do depois, antes do casual arrependimento, da falta de coragem de assumir as vontades escondidas atrás da amnésia alcoólica.
E a parte maior queria amanhecer ali, entre sussurros leves, adormecendo de leve, um carinho de leve...
É que não cabe, como não cabe na boca. Como não couberam as palavras de ensaio, os termos comuns.
terça-feira, junho 24, 2008
(vercilo)
do que já vivi
Não me lembro de nada na vida
que mais se pareça com amor
como lembro de ti
Na minha ilusão
O seu coração
é a peça perdida
no quebra-cabeças daquela emoção
que um dia perdi
Flor,
Minha vida tá despetalada sem teu amor
e parece que nada vai mudar
Chuva que cai sem parar
deixa no canto do peito
esse gosto de dor
Vem,
Eu guardei o meu tempo de vida
pra mais ninguém
Seja fogo de palha ou seja amor
Seja do jeito que for
só de pensar em você
já me faz tanto bem
segunda-feira, maio 26, 2008
Retrato na parede
De tanta labuta, acabou de zerar
Não precisa votlar para cobrir
Todos os cheques sem fundo
Pode seguir, viajar o mundo
Enquanto espero seu cartão postal
O meu crédito acabou há muito
não sobrou nem ficha
pra ligar no Carnaval
No deste ano vou me vestir de cinza
E chorar meu pranto sozinha
Com cara de quem te espera ainda
Com duas taças de vinho tinto
Visto na fantasia a máscara
da liberdade tão sóbria e vazia
Sua imagem na foto embaça
Ferida por todas as traças
dos anos em que sumiu
Mas hoje, é outra quem bebe a tinta
Do vinho tequila e cachaça...
Em todo esse tempo de só
Fiquei sem vontade e desejo
contente de apenas um beijo
a me molhar a garganta
Mudo dos dias o tempero
equilibro sem ti a balança.
(2004)
quarta-feira, maio 07, 2008
Préférence (com sotaque francês)
Na roupa e no sexo
Embaçando os odores velhos
Das idéias vencidas.
O toque leve dos dedos,
As palavras mansas
Querendo ser os berros
Mais intensos,
As unhas querendo
Rasgar mais que os panos,
Mais que a pele...
Vontade de arrancar
Junto com o gozo
A tal verdade visceral
Que me contam,
Em sussurros ensurdecedores,
Os seios pulsando forte – juntos.
E depois de suor, suspiros,
Banho, abraço e mil carinhos,
Te vestir de boneca,
Te pintar o rosto feito porcelana
E te ver distante,
Os passos tão firmes
Das pernas que sei tão frouxas.
segunda-feira, maio 05, 2008
Olha a gota que falta pro desfecho da festa:
Chico Drummondiano:
A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amavaCarlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha
sábado, julho 07, 2007
Tô sempre ensaiando coisas que eu nunca vou falar
Amores secretos, revistas semanais, deputados federais...
A vida é uma viagem - passagem só de ida
Há quem diga que não vale, há quem mate pra viver
Não perder a razão pra ganhar a vida nem perder a vida pra ganhar o pão
Segredos secretos
As coisas mudam de nome mas continuam sendo o que sempre serão
Às vezes tudo muda e continua tudo no mesmo lugar
O que eu faria no seu lugar, se tivesse pra onde ir e não tivesse que esperar
Às vezes não entendo o que quero dizer qnd fico calada.
Os dispostos...
Cada dia-a-dia a sobreviver
o caminho é um só.
sexta-feira, junho 22, 2007
Simetria ("eternidades da semana")
o simples fato de não ser igual:
às vezes o amor amorna,
parece apenas normal.
Não que esfrie, mas
o sangue morno passa mais fácil pela garganta.
Não é porque ganha entorno
que o amor deixa de ser eterno;
pode parecer sangue-frio
o amor-mór ficar normal,
fica leve de levar
e talvez só menos desigual.
Não faz mal o amor-mór
não fazer mal.
Se só deixa de ser metade
(Atinge a meta?)
Se deixa de ser tão inteiro
(Fica mais intenso?)
Se fica mais inteiro
(E menos tenso?)
[Nós ficamos mais inteiros
quando não somos Nós
Nós ficamos mais intensos
quando somos só nós mesmos
- nós só somos Nós quando estamos sós]
NÃO SE MORRE MAIS DE AMOR!
- Porque a partir de agora
não há mais ressurreição -
O amor-mór
nunca se quis eterno.
Morre o amor,
ficam os sentimentos ternos.
O amor-mór
nunca pretendeu herdeiros.
Amputam uma metade,
deixam antigos meios.
Puta com as pretensas perfeições
prorrogadas do pretérito,
até as feições mudam
diante dos mesmos fatos.
Fetos de um velho sonho,
viga do amor de aço!
Diante do amor-mór,
eu me nego e me amordaço.
segunda-feira, junho 18, 2007
Há mistério em quase tudo...
E as coisas findas?
E as coisas findas?
E as coisas findas?
Eu sei das infinitas,
que fincam
e ficarão.
Talvez a eternidade exista.
quinta-feira, junho 07, 2007
Não sei não...
"O mundo é bão, Sebastião"!
...e meu também...
sábado, maio 26, 2007
terça-feira, maio 08, 2007
noite liquefeita
tudo toma forma
do corpo que se deita
na escuridão
escuridão
nenhum olhar aceita
tudo se transforma
numa cama desfeita
na escuridão
escuridão
hora da colheita
pra quem semeou vento
numa cama desfeita
na escuridão
um corpo que se deita
um corpo em tempestade
agora já é tarde
solidão
hora da colheita
pra quem semeou o vento
num corpo que se deita
na solidão
de uma cama desfeita
um corpo em tempestade
agora já é tarde
no inverno fica tarde + cedo
só depois de perder você descobre que era um jogo
um jogo que não acaba nunca, nunca acaba empatado
se foi um jogo, você ganhou: eu perdi a direção
se foi um sonho, se foi o céu, eu não sei
eu que não sei perder, perdi o sono
na escuridão, na escuridão
só depois de perder você descobre que era um jogo
um jogo que não acaba nunca, nunca acaba empatado
se foi um jogo, você ganhou: eu perdi a direção
se foi um sonho, se foi o céu, eu não sei
eu que não sei perder, perdi o medo
da escuridão, da escuridão
segunda-feira, abril 02, 2007
pra alguém ler e chamar de chato
Amassar, tacar num saco
ou enrolar bem fininho
e fumar devagar sob a aurora ou ocaso
Ou esmigalhava em mil milhões de átomos de vida
Punha numa garrafa de uísque vazia
Entornava pra dentro
e de cara lavada
- mas nem tão limpa -
encarava sem poder mutar
o vivo irreversível lá de fora.
sábado, março 24, 2007
3x4
Composição: Humberto Gessinger
Diga a verdade ao menos uma vez na vidaVocê se apaixonou pelos meus erros
Não fique pela metade
Vá em frente, minha amiga
Destrua a razão desse beco sem saída
Diga a verdade
Ponha o dedo na ferida
Você se apaixonou pelos meus erros
Eu perdi as chaves
Mas que cabeça a minha!
Agora vai ter que ser para toda a vida
Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher
Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho
Eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho
Feitos um pro outro... feitos pra durar
Uma luz que não produz
Sombra
Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode esconder
Nuvem
Composição: (Humberto Gessinger)
Se está com ele está sozinha
e sozinha não quer mais ficar
se está com ele é porque quer
porque não quer mudar
Diga adeus
diga adeus ou não diga nada
diga adeus
se está chegando o fim da linha
'tá na hora de saltar
se está com ele está sozinha
e sozinha não quer mais ficar
diga adeus
diga adeus ou não diga nada
diga adeus
não vá perder a hora certa com a pessoa errada
diga adeus, !adeus!
a vida não pode ser um contagotas na tua mão
chuva que não chove...sol que não sai
a vida não pode ser medida com precisão
motor que não se move...nuvem que não se vai
se está com ele está sozinha
e sozinha não quer mais ficar
se está chegando o fim da linha
'tá na hora de saltar
não vá perder a vida inteira com a pessoa errada
diga adeus, diga adeus
vai chover, vai secar, serão águas passadas
diga adeus, !adeus!
domingo, fevereiro 18, 2007
Mas eu conheço tantas palavras que não sei usar e outras tantas que não conheço. Tem dias que acordo e quero me jogar no lixo. Noutros só quero saber quem sou e de onde vim. Tenho medos e solidões. Tenho desejos e coragem.
Tem dias que acordo e acho que não vale a pena. Já mostrou que não vale. Mas quando vou dormir sempre ardo em desejo. Eu quase nunca entendo - quando estou sozinha - esse vórtice no meu peito. Nunca sei se estou mesmo só ou se posso contar com alguém. Tenho muito o que dizer e niguém para ouvir. Me doem alguns passados. Algumas pessoas, apesar das mágoas, fazem falta. Outras fazem pela distância. E fico achando, só pq não as tenho, que elas seriam as únicas que poderiam compreender. Mas no fundo eu sei que ninguém mesmo entenderia. Porque eu não sei dizer.
Eu me sinto. E longe não sei até onde poderia ir. Sozinha eu não garanto, não sei ficar.
Já tentei desatar os nós, mas meu peito não deixa, acostumou-se a eles. Frouxos e indesatáveis. Angustiantes. Acho que não sei mais ser desse jeito. Às vezes eu acordo assustada e vejo que não tem mesmo nada a ver. Já perdi tudo o que tinha pra perder. E o que eu tenho parece pouco, sempre parece quando vou dormir.
É vc que sempre aparece quando eu penso que já consigo fugir.
Não sei.
Bloco do eu sozinho
Os rios de asfalto não me levam a lugar nenhum. Os mosaicos coloridos da caixa-preta não me ferem nem m falam. A cidade anda calada entre uma e outra marcha. Pinta-se de bolas, confete, serpentina. Põe chapéus coloridos na cabeça vazia. Canta, dança, pula, gira, encanta. eu quieta. Esquecida n'alguma cidade submersa que o meu carnaval não é esse. É mais longe. Meus blocos montam casas, contam outras estórias. Passam alas, muitas casas, avenidas. Reflito no espelho uma tez desconexa, fora de contexto. Sento-me quieta com meus livros, jornais e cadernos - cantando marchas, sambas, marchinhas. E vamos todos na solidão de dia do Rio seco e vazio de gente. Enlouqueço qualquer dia.
sábado, fevereiro 10, 2007
Todos os caminhos levam ao mesmo lugar,
É meu esconderijo, o meu altar,
Quando todo mundo quer me crucificar.
Eu só quero estar com você...
Ficar com você.
Quando o tempo fecha e o céu quer desabar,
Perto do limite, difícil de agüentar,
Eu volto pra casa e te peço pra ficar...
Em silêncio... só ficar...
Eu tenho muitos amigos, tenho discos e livros,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Tenho sorte e juízo, cartão de crédito e um imenso disco rígido,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Quando eu mais preciso... ...eu só tenho você.
Tenho a consciência em paz. (só tenho você)
Tenho mais do que eu preciso. (só tenho você)
Mas, se eu preciso de paz, eu só tenho você.
Tenho muito mais dúvidas do que certezas.
Hoje, com certeza, eu só tenho você.
Eu tenho medo de cobras,
Já tive medo do escuro...
Tenho medo de te perder. "
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Os meus/Prece
nem tampouco a esperança
Aprendi desde criança
a chorar pra ver se vem
E juro, chorando comovo até deus
Mesmo não sendo mais neném
Sem saber mais dizer amém
De pé, manhazinha no trem
Eu chamo por deus
e juro! ele vem
Não é pq já me achei no lixo
Amei um e outro vício
Que não posso pedir com beicinho
Pode ver, ele cede aos meus caprichos
Já derrubei foi lágrima
Reguei por demais o chão
E quantas vezes de cara lavada
já o vi estender-me a mão
Ele se faz de surdo
e brinca comigo no carnaval
Depois briga comigo
mas traz sempre presente no natal
Não me pede reza
mas no centro da mesa
um brinde ele não despreza
É porque eu sou bem moça
É porque eu to de fossa
e msmo assim faço festa
Toco cá minha bossa
e não há quem comigo possa
Ninguém mais comigo enfeza
Porque eu não sou só eu
Se pisar no meu calo
Se tentar cobrar mais caro
Se der mais de um disparo
Se tocar no meu cigarro
ou pedir mais de um trago
Se bater no meu carro
Ou não pagar o emprestado
ó, que eu abro o berreiro
Posso não ter tanto jeito
Mas comovo até deus
É pq eu sou bem moça
é pq to de fossa
e msm assim faço festa
toco cá minha bossa
e não há quem comigo possa
nem mesmo deus
perdoa, senhor
esqueci de dizer:
é que eu sou ateu.
"Uma palavra sem significado"
o que tranca a porta
ou quem bate nela.
Cansei de esmurrar as pontas
de facas e cigarros,
pois quando vc me aperta
não penso em estar alerta.
E pouco me fodo
pra porta aberta.
Não me interessa mais ouvir
seus discursos e juras,
tampouco a canção no rádio.
Mesmo esmurrando e surrando
qualquer letra que me apareça
fico cá pensando
no quanto não sou mais a mesma...
É só o amor, meu amor;
o pré-amor, o pós-amor.
O amor desarmado, desalmado.
Acho que eu tava procurando um céu
e não vi que eram só paredes azuis.
Depois dos sonhos,
os sonhos ficaram
e os meus escombros se remoldaram.
Os planos foram surgindo
inevitáveis
com o passar dos anos.
Mas, vez ou outra,
numa gota de surto psicótico,
eu vejo quase a contragosto
a canção ainda linda
as juras meio foices
e cada vez mais doces.
O aperto na pele e no peito,
sempre um deleite louco
e sem nenhum receio.
E nossa porta aberta
com desleixo trancada.
sábado, dezembro 02, 2006
A saudade é arrumar o quarto do filho que já perdi...
Me visto de vermelho e ando corajosa pela vida.
Coragem é uma exigência muito cruel.
As vias se cruzam, entrelaçam e descruzam muito rápido ultimamente.
Tenho medo de um dia não dar mais pé.
Eu vi muita coisa passar por aí e acabei me deixando ficar em alguns cantos.
Paredes confortáveis de amarelo-sol.
O tempo não pede licença pra te atropelar, mas ele vira de costas depois que já passou e te dá um tchauzinho irônico.
Já vesti muitas máscaras pelo caminho. E algumas delas deixaram marcas profundas no meu rosto.
Hoje eu me despeço do tempo que já se foi. Lembro de roupas que agora só são lembranças... Guardo memórias e lugares eternos. Fica um monte de conhecimento inútil na cabeça.
E de tudo, conquistei pessoas lindas que o tempo, ainda que afaste, não apaga. Os rostos sorriem lindos nas fotos que eu vou lembrar e guardar.
Passei na rua e alguém chamou: - Pedro II!?
E eu vi que era comigo mesmo...
quarta-feira, novembro 15, 2006
Enquanto eu devia estudar matemática...
Não dá pra fugir disso.
Depois de buscar siriemas
e sanpoernas de menta
eu descubro - não tem jeito -
minha vida é poesia.
Dessas antipoéticas
cheias de coisinhas,
obstáculos chatos,
assim, com um monte de vida no meio.
A montanha canta se você parar para escutar
e as estrelas fazem barulho de sorriso
Não é pra ter explicação
nem pra parecer bonito.
Tem gente que faz aniversário
e pode até ser só por isso
que as coisas caminham pro caminho que precisam seguir
E tudo dá certo no final.
Só que o certo é muitos jeitos.
(OBS: Eu finalmente estou aprendendo a andar com as duas pernas que agora tenho.)
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Fora isso,
a saudade é um castigo pior
quando é saudade
da saudade que existia.
Fui tão infinita
quanto o tempo permitiu.
Tenho saudade de ter tempo
correndo solto e sem pressa.
Saudade daquela saudade
que imprensa o peito,
sufoca a alma
e desacaba num suspiro qualquer...
Mas eu há muito sabia
que o tempo não pára
e a saudade, vadia!,
perambula um montão de esquinas
e de tão esguia
me fugiu aos dedos.
Eu, tão menina!,
fiquei esperando alguém me olhar da janela.
sexta-feira, novembro 10, 2006
E a liberdade, quando é que volta?
Houve um tempo em que eu esperava o futuro com ânsia. O porvir - juro! - parecia promissor. Eu já não sei se a vida perdeu a leveza ou se fui eu que aprendi a caminhar com esse ar pesado. O que eu perdi foi aquela noção de liberdade. A liberdade para encarar o mundo. Aceitar que, de um jeito ou de outro, tudo acaba se arranjando.
Eu não cresci, eu não mudei tanto assim. Entretanto, eu não sei mais esperar nada do Natal. Comemoro a Páscoa apenas para dormir. Os aniversários são dolorosos - nunca contem nada daquela esperança leve que eu desejo aos outros. Outro dia me disseram que eu parecia mais velha. Logo eu, uma menininha! O que me pesa nos olhos é a seriedade da vida. A busca de resultados que não vêm. A desesperança dos romances mal resolvidos.
Aliás, eu já me perdi dentro de mim. Perdi a boneca-flor-botão-crescente que olhava pra lua e sabia que viver era mágico e sentia o vento do mar nos olhos e chorava não de vento, mas de emoção transbordante. Nesse tempo, as distâncias pequenas do cotidiano eram passaportes para outros mundos. O peito desparava com qualquer felicidadezinha. Eu tinha refúgios dentro de mim e dos meus caminhos.
Hoje o tempo passou e a vida tá séria.
Tenho muita saudade de mim e dos que me rodeavam - aqueles bons amigos...
sexta-feira, novembro 03, 2006
Um dia em que eu tava transbordando...
Fase de transição e cheia de medos. Eu não sei agora o que eu faço com essas coisas que só ele sabe. Muita falta de vergonha na cara isso.
A cada amor que nasce, brota uma flor na calçada. A cada amor que morre, guarda-se uma pétala seca dentro de um livro. Eu queria saber se só existe mesmo um amor. ("o amor não pode ser um"!) Vi meu amor cair na calçada e alguém passou distraído, pisou. Pena, fosse uma manhã de sol, a flor teria pisado no alguém. Eu não sei, apenas me disseram, que é muito preciso e necessário dizer o q se sente. Mas tem também q dizer o q não sente mais? Alguém distraído pisou na minha flor de amor e, sorrindo de leve, passou quase acanhado.
Garanto que uma flor morreu. Mas também garanto que ela um dia existiu e era a mais linda numa terra sem jardins.
- (frase engasgada.) -
domingo, outubro 22, 2006
Minhas confusões mentais
De quem não quer sofrer
A paixão certeira que nos alcança
Quem poderá prever ?
A profundidade e o envolvimento
Não dá pra controlar
A longevidade do sentimento
Só o tempo dirá
Pode ser uma nova ilusão
Pode ser esse meu coração
Ou será o amor, ou será
Quando a tua boca me rouba um beijo
Sinto meu chão rachar
Amo os teus contornos, em ti me vejo
Dentro de teu olhar
Mas bem lá no fundo me bate um medo
Medo de me entregar
Vem que todo mundo tem um segredo
Me ajuda a desvendar
Pode ser uma nova ilusão
Pode ser esse meu coração
Ou será o amor, ou será
segunda-feira, outubro 16, 2006
Entre murros e aquarelas
Olhar muito de perto enoja,
que nem quando você tem hipermetropia e enfiam um papel bem na sua cara
Fica tontinha
Hoje em dia tudo é arte
O muro torto pintado de piche com um quase menino de fuzil na mão é q não é
Porque ninguém vai tirar uma foto e mandar pra imprensa
Senão era debate com MVBill na TVE
E motivo de revolta, pena! pros jovens idealistas da burguesia
Assim, igualzimquinem eu
Desses que procuram problemas
pra escrever um bonito poema
desses angustiantes
que fazem querer mudar o mundo
acabar com a fome
querem Tanto!
Não, não é qualquer coisa que é poesia
Não é isso que é arte.
Eu vi um menino no muro colorido com um fuzil na mão
E não era bonito
Não era assunto pra um poema
Isso não é poema.
prá Babs
quarta-feira, outubro 04, 2006
Saudade
Porque eu sei que os amigos voam, o tempo passa, a gente cresce, a vida segue.
Ou porque eu to morrendo de saudade da natassja mesmo.
E qnd eu escrevi "ou" quase saiu oui.
Ai, vida...
Mundo mundo vasto mundo.
saudade é um troço bem fundo...
hehe.
terça-feira, setembro 19, 2006
Náusea
Vomitei nosso filho que não tivemos
Nossos sonhos que já morremos
Nossos dias de chuva e sol
Nossas noites de palavras confusas
Vomitei nossa música, seu cabelo, sua guitarra.
As cartas, as frases, os silêncios eternos
Todo aquele escuro
- a luz acesa -
Os sussurros no ouvido.
Guardei mesmo só os olhares criminosos.
O encostar lento de lábios.
Ficaram dentro de mim os gozos e as peles quentes se abraçando.
Afinal, é o que mais vale a pena.
quarta-feira, agosto 09, 2006
Memória Drummoniana
Eu já nem sei
se ainda tem jeito ou terminou
Na minha vida ela marcou
Marcou, marcou
Tudo que ela me deixou
reinou, reinou
De castigo estou
Quando ele vem
ele desarma um coração
Eu fico zen, eu perco o chão
Raiou, raiou
mas voltar atrás não vou
não vou, não vou
Decidida estou
Só sei tudo que sonhei,nela eu encontrei
Se ela não vem,não haverá ninguém
Eu abro mão de amar e querer bem
Eu sei que o tempo vai sarar
Se ele me deixar,posso acostumar
mas essa luz no olhar ...
Eu abro mão de querer bem e amar
Ela voltou
só pra buscar o que restou
Meu coração se iluminou
Raiou, raiou
quando eu vi o meu amor
Raiou, raiou
Já não sei se vou
Bem, - oudeveria dizer mal - a vida nunca é exatamente como a gente quer e isso já é recomendação inicial da bula de nós mesmos. Piora é quando nós começamos a não ser como queríamos, ou quando somos e ser se torna incabível em nossa vidinha provinciana. Saudade é ruim e isso eu já devia saber há muito tempo. Mas não desse jeito, não longe assim... A vida é reticenciosa e estar distraído é elemento essencial para não se perder, só que perder é uma parte de ter. É quando mais se tem vontade e mais se sabe que já teve. Lembrança é pior e melhor que saudade, às vezes é quase um conforto. Porém, confrontos são doloridos e deixam marcas piores do que essas que por aqui já vão sumindo. Estou só como sempre fui. Tenho essa alegria superficial necessária ao convívio social. Mas trago agora também uma inevitável sinceridade resultante dos sofrimentos da vida. Traduzindo: Não pergunta não que é bem capaz de eu responder. Fiz isso hoje. Lágrimas vãs não valem de nada e se preservar um pouco é necessário. Ninguém é forte o tempo todo, mas há quem não o seja em momento algum. Estou precisando de gente, de vida. Precisava de um riso sincero também. MAs o mundo não é sincero, só eu sou e ninguém = ninguém. Seria bom não me escutar, pois estou gritando aqui. Gritando meu silêncio particular. Não sei se dói mais perder perto pra sempre passageiro ou perder longe infinito definitivo quem se ama. Amor vale a pena, mas só enquanto não é passado. Depois fica roxo, verde, escuro até cicatrizar por fora. Mas tem coisas que dentro teimam em não apagar. Agora é a própria menina que paga pelos erros que não cometeu.
segunda-feira, junho 19, 2006
"Estamos tão ligados, já não temos o que temer"
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei prá ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia, ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
O que fazes por sonhar
É o mundo que virá prá ti e prá mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor..."
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"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Teu paletó enlaça o meu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Meus seios inda estão nas tuas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir."
segunda-feira, junho 05, 2006
"Toda vez que falta luz o invisível no salta aos olhos"
E fingir que não vem nada de fora
Nem pra fingir que sou o centro
do meu próprio mundo agora
Meu mundo de dentro
não pode sair
Meu mundo de dentro
não quer ver o mundo
não quer ver a vida passar
Meu mundo se tranca
Ele se prende
Toda vez que ele me prende
Só ele sabe o que meu corpo sente
Mas meu mundo não é só meu corpo
Minha alma não ´tá no rosto
exposta a todo olho
Mesmo assim não nego
Algumas vezes, olho no olho
não tem como mentir
E nem quero
Um dia eu aprendi o que quero
Quero ser feliz!
17 anos, aí vou eu!
E que nunca mesmo alguém ouse me dizer que os pedidos de quando se sopra a vela e corta o bolo são bobagens. Pois eu afirmo com toda certeza que se pode ter: eles se realizam! Realizar. Buscar coisas/pessoas que nos façam bem e seguir todas as vontades por apenas um dia. Apenas um dia normal. E o dia passa rápido. São só vinte e quatro horas como todas as outras que temos todos os dias quando acordamos.
A diferença está no fato de que alguém um dia nos disse que esse dia era especial. Todos acreditaram sabe deus porquê. Talvez porque dá muito trabalho viver como se quer ser todos os dias. Só que a vida passa muito rápido...
quinta-feira, maio 04, 2006
terça-feira, maio 02, 2006
Boneca de pano
Torna-se moça
Cresce de repente
Feito sol nascente
Passeia tranquila
Dobrando as esquinas
Dobrando o papel
No meu carrossel
Menina tão doce
Amor, tão amada
Me pede que fosse
De novo apaixonada
Faça o que quiser,
boneca de pano,
te faço mulher
ao som de um piano
Em algum dia de 2003
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14 de abril de 2006
A boneca de pano, de tão remendada, acabou mesmo virando mais que enfeite de prateleira. E olha que ela também nunca teve manual. O som do piano passou sem que ninguém parecesse ouvir... A boneca, ali na rua, anda apressada, embora muito segura, sobre o salto alto. Ela agora se pinta das cores do céu para esconder as marcas do peso dos anos. Mas os anos nem passaram de verdade no relógio... Em contrapartida, a alma vai cheia de rugas, esguia e segura dos modos que tem. Há quem só veja a boneca nua, sussurrando entre sonhos secretos um prazer indescritível.
Outro dia mesmo cruzei com ela na esquina. Parada esperando lhe vir a vida sem saber que esta não vem. Só sabe ir...
segunda-feira, abril 10, 2006
Tudo novo de novo
quarta-feira, abril 05, 2006
O último-primeiro-dia-de-aula de nossas vidas
Mas não importa. Tem uma grade impedindo minhas palavras. Há obstáculos impedindo qualquer um de se aproximar fisicamente dessa louca desvairada. Por isso eu explodo. Em tristeza profunda... Mas acalmem-se, eu já pus os remédios no lugar. Não foi dessa vez que entrei pra História.
Nesse exato instante, e desde que acordei, estou eufórica.
Queria dizer muito mais, só que estou sem tempo e afastada das palavras há alguns dias.
segunda-feira, março 27, 2006
Algumas considerações aleatórias sobre a vida
Descobri um dia que sempre amei as palavras. A referência mais antiga que tenho de mim mesma é que sempre quis ser bailarina. Não sei o que é ter um pai. Nunca chamei ninguém por essa palavra, mas sei o que é ter várias pessoas tentando me proteger ao mesmo tempo. Cada uma à sua maneira. Talvez por isso eu tenha essa ânsia insaciável por uma liberdade que sequer saberia definir. No fundo, gosto de seer cuidada e protegida, mas prefiro é estar no controle. No entanto, o mundo não cabe nas mãos. Não é sempre que consigo deter tudo com meus dedos, como também não é sempre que quero isso. Devo ser bem frágil, ou melhor, sou frágil. Por isso é preciso ter precaução com os sentimentos, manter certa distância, por segurança. Dos outros também, pois tenho o costume de machucar os outros. Dizer que é sem querer é demasiado piegas. Machuco os outros quando é uma questão de escolher entre a felicidade deles e a minha. Eu geralmente escolho a minha.
Tento parecer forte, só que às vezes é muito difícil. Tenho habituais contradições humanas. Acho que emoções são importantes e devem ser expressadas. De modo algum são sinônimo de fraqueza.
Fico pensando se a sociologia, ao invés de tentar entender o comportamento humano, não o está mecanizando. Sou mecênica às vezes. Conheço bem o gosto de minhas lágrimas por outro lado. Deixamos de ser máquinas quando, no meio do trabalho, nos dá vontade de fazer sexo com a pessoa que amamos. Ou quando no meio do trânsito, atrasados, queremos saber como está um amigo.
Dizem que palavrões não combinam comigo. Mas uma das mais importantes declarações de sentimento que já recebi veio regada deles.
Acho que amor é para poucos. Pois deve ser inteiro, intenso, incondicional. E por mais que a gente não perceba, ele nos desgasta. Com a melhor sensação de desgaste do mundo! Incondicional é uma coisa difícil às vezes. Porque as pessoas que amamos podem nos magoar. Amor é quando a gente sabe que tem razão e mesmo assim pede desculpas. Pois razão não é tão importante quanto o sorriso de alguém. Mas amor termina... Paixão é quando a gente pensa que, se determinada coisa acontecesse, não seria possível parar de remoer. Perdão é uma demonstração de sentimento de superioridade. Deve ser invenção da Igreja. Ninguém tem o direito de dar. Justiça é uma coisa importantíssima, vem de valores coletivos, que devem ser respeitados e periodicamente questionados.
Há uma sensação desesperada do peito que eu chamo êxtase. Ao mesmo tempo em que se quer segurar o mundo, achar que o tem nas mãos. Mãe é uma palavra estranha. Um hábito, uma pessoa pra quem não se tem vergonha de pedir e por quem se deve ter incontável gratidão. Família a gente não escolhe, mas pode conhecer pessoas maravilhosas - que o acaso nunca nos apresentaria - através dela. Pode descobrir o ódio dentro dela também. No mais, a gente vai vivendo.
quinta-feira, março 23, 2006
Não sei dizer...
Eu ontem tive um pesadelo. Ontem à noite eu conheci uma guria que eu já conhecia. Já era tarde, era quase dia. A saudade é arrumar o quarto do filho que já perdi. E passam muitas meias, passam muitas horas. Tanto que chega um dia em que mudar a vida é uma questão de escolha. E abrir mão do que se tem não é opção. Se tudo passa, talvez você passe por aqui e me faça esquecer tudo o que vi.
Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho o café com guaraná... A canção tocou na hora errada...
E eu já nem sei de que forma mesmo vc foi embora.
Entre por essa porta agora que eu não vou gostar de vc porque sua cara é bonita. O amor é mais que isso. Deixa de bobagem vem cá que eu estou aqui agora. Inteiro, intenso, eterno, pronto pro momento e você cobra. Deixa de tolice é claro e certo e belo como eu quero. O corpo, a alma, a calma, o sonho, o gozo, a dor e agora pára. Será que é tão difícil aceitar o amor como é? E deixar que ele vá e nos leve pra todo lugar... Como aqui. Será melhor deixar essa nuvem passar e você vai saber de onde vim, aonde vou e que eu estou aqui! Nunca foi tarde, começamos o fim, é assim. O melhor pra você, o melhor pra mim. Eu não voltaria mesmo e você bem podia ter ficado aqui. Mas agora é mesmo tarde. Preciso ir.
quinta-feira, março 16, 2006
Quem foi que disse que eu era forte? Nunca pratiquei esporte e nem conheço futebol...

... o meu parceiro sempre foi o travesseiro e eu passo o ano inteiro atrás de um raio de sol. De lutas de alma eu entendo um pouco. Há muito o que fazer no mundo me disseram. E começar por mim, há de se aceitar as diferenças dos outros antes de exigir que aceitem as nossas. Há que se saber que nunca seremos aceitos também. Como disse minha amiga Babs: o negócio é torcer pra não nascer humano da próxima vez. Um belo dia eu resolvi mudar e fazer tudo o que queria fazer. Mesmo assim é ilusão achar que vou me libertar fácil assim da vida vulgar que eu levo. Tudo é tão difícil que eu não vejo a hora disso terminar e virar só uma poesia no meu caderno. Pois quando eu digo só, eu digo só mesmo, porque isso não é nenhum mérito. Outro dia me perguntaram como andava minha produção literária e eu acabei concluindo que o que há de melhor no meu caderno de confidências é a capa mesmo.
Se eu sou uma pessoa interessante? Acho que sim, como qualquer um observado a uma distância segura - como me disseram uma vez. Ai, céus, é difícil isso de ter mil e uma motivações para continuar vivendo. Tava certo quem disse que não haveria ninguém para compreender detalhadamente tudo o que se pensa. Pensar não leva ninguém a lugar nenhum. Imaginar talvez.
Algumas pessoas a gente vê uma vez só na vida e nunca vai esquecer. Alguns acontecimentos deixam marcas profundas na gente. Essa foto aí foi da viagem que fizemos com o colégio, para Paraty, no primeiro ano. Eu lembro bem que esse dia me doeu na alma. A novela nova - por incrível que pareça - resgatou isso em mim. Essa dor atrasada pelo abolicionismo...
Eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês.
O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar, o amor só mudou de cor, agora já tá desbotado... Corra lá vem a tristeza atirando pra todos os lados. Pegue o vestido estampado e guarde prum Carnaval, guarde que eu nunca te quis mal. Até um feriado... Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar. Como velhos desconhecidos, se você não me escuta eu não vou te chamar.
Consideramos justa toda forma de amor - mesmo que não a entendamos.
segunda-feira, março 13, 2006
Daria tudo por meu mundo e nada mais.
Um dia esqueceram de me dizer como era ou que tinha que fazer e eu resolvi que nem queria mais fingir que amor não existe. Ora, ele existe. Mas falar de amor é um saco. Então, ir pra vida ou ficar na mesmice do prazer já nem faz diferença, já que se pode ir e vir por direito. E se pode ir mais longe quando se fica quieto, escutando... No mesmo lugar. Todos os dias iguais têm o agravante de serem cotidianamente diferentes e tudo uma hora cansa. E já passa das três. A hora sempre me avança. Agora, eu calo em português errado, imperfeito feito passado.Ai de mim que sou assim. Dói em mim saber de tanta coisa que eu sei. E olha que eu não vi nada ainda... A vida é uma só e nunca saberemos quanto vale. Pra mim, se vale alguma coisa – e disso estou certa – já compensa todos os crimes. “A medida de amar é amar sem medida”.
quarta-feira, março 08, 2006
As vitrines

Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
Dá tua mão, olha prá mim
Não faz assim, não vá lá, não
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão frouxa de rir
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Saindo de malas de um conto de fadas
Mas é isso mesmo. A vida lá fora tá soprando uma brisa fresca, o tempo me espera, a vida é uma só até que possam provar-me que não. e se quer saber, não faz diferença. Eu já sei o que quero. Quero sempre mais. As malas tão prontas e a vida bate à porta. Esperem um pouco que estou indo lá abrir.
É Carnaval, é carnaval, écarnaval!!!!
Se me deixarem brincar de felicidade, eu juro, hoje saio de nariz pintado.
domingo, fevereiro 05, 2006
Egocentricity
Um belo dia resolvi mudarE fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto a você
E em tudo que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Eu sei que eu nasci pra saber
E fui andando sem pensar em voltar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro, uu
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você, iê, iê
Agora só falta você, aaa...
Agora só falta você, iê, iê
Agora só falta você, au
Treinando pra quando eu for famosa...(hehe)
Um dia me disseramQue as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo pára um coração
A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez, nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter
Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem esta prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum
A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez, nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter
Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem, também tem
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter
terça-feira, janeiro 31, 2006
Eu fui dormir chorando um dia e acordei querendo acreditar mais em sonhos. O sonho acabou meu bem.
Os dias passaram, os anos passaram e o tal do tempo que me disseram curandeiro perdeu a hora da visita.
Esqueci os cosnelhos antes meus e, diante da dor, continuei deitada esperando sabe deus o que...
Um dia desses, eu espero encontrar explica'caum, mas que seja longe dos encontros casuais que me cortam a alma. Era tudo mentira a minha simpatia. E a gente algumas vezes escuta coisas que cortam a alma sem nenhum barulho, quase sem dar pra notar...
Teve um dia... Eu fiquei com medo de ficar sozinha no escuro e quis voltar para onde as portas trancadas podiam me proteger de mim mesma. Era para termos morrido, era para termos feito TUDO. Mas acabou.
E eh isso mesmo que a vida eh.
"Penso no que vai ficar de mim. Eu soh sei insistir."
Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo... E de repente eu me vi assim completamente seu.
Vi a minha força amarrada no seu passo.
Vi que sem você não há caminho,eu não me acho.
Vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia!
Quando o meu mundo era mais mundo e todo mundo admitia uma mudança muito estranha: mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar.
Quando a canção se fez mais clara e mais sentida... Quando a poesia realmente fez folia em minha vida..."Você" veio me falar dessa paixão inesperada por outra pessoa.
Mas não tem revolta não: Eu só quero que você se encontre. Saudade até que é bom, eh melhor que caminhar vazio. A esperança é um dom que eu tenho em mim... Eu tenho sim.
Não tem desespero, não. Você me ensinou milhões de coisas!!!!!! Tenho um sonho em minhas mãos e amanhã será um novo dia e certamente eu serei mais - seremos todos muito mais felizes, certo? - feliz!!!!!!!
Pra quem quiser ler...
Para quem entende que sofrer eh essencial em muitos momentos.
Para quem entende - ou tenta entender - que o sofrimento naum eh soh nosso.
Para quem aceita a vida.
Para quem fica inconformado algumas vezes.
Para quem chuta o balde, pula do bonde e faz tudo errado.
Para quem sempre faz a coisa errada.
Para quem erra tentando acertar.
Para quem quebra e pede desculpas.
Para quem tem coragem de voltar atras.
Para quem tem medo da vida.
Para quem tem coragem de enfrentar os medos.
Para quem sabe esperar.
Para quem levanta e vai em frente.
Para quem naum prolonga as coisas.
Para quem tem dois bra'cos paralelos que podem fazer muito.
Para quem tenta aceitar os recome'cos.
Para quem chora sozinho no escuro.
Para quem se conhece e sabe o que naum pode ter.
Para quem quer tudo o que naum pode.
Para sempre.
Quero paz interior.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Sonhos deuses desacreditados -in-existentes
Ela podia tocar o feixe de luz e a mente de imagem a podia levar onde quisesse.
Era o que queria. Pensava ser apenas, mas pensar podia ser tudo quando era iludida por pura escolha.
E as letras deviam ser maiores - GARRAFAIS - para fazer tudo grande feito sua alma.
Ela era demasiado piegas, certamente. Mas gostava de ser-se sempre.
Acreditava que nada podia ser irreversivel.
Nada de choro que podemos viver bem.
Nada disso, meu bem, venha e me traga um sorriso daqueles...
sábado, janeiro 21, 2006
Mais do nunca mais o mesmo.

Eu não tenho idade para viver o que ainda não vivi.
Tem muita coisa que fica aqui na cabeça.
Têm dias mágicos para lembrar na vida.
Um samba na guitarra, um mundo na palma das mãos.
Ei, mãe, eu tenho o que na vida por muito tempo foi tudo o que eu queria ter.
Ei, mãe, agora eu estou me sendo sozinha.
Ei, mãe, viver dói.
São coisas terminavelmente lindas que a gente sempre tem.
E desde sempre já sabíamos o que seríamos: eternas lembranças lindas!
Então, vamos pra vida viver.
"Pois sem ti, mesmo sentir, é meio menos."
Então é isso, bem como a gente achou que ia ser.
A vida tão simples é boa - quase sempre.
E quando a gente está contente, nem pensar a gente quer.
Fim. A noite acabou feito gim, espuma branca lavando meus pés.
"Mas as coisas findas - MUITO mais que lindas - essas ficarão!"
E eu vou crescendo, eu vou aprendendo a ser do que me ensinaram. Sem dúvida, se agora eu sigo sozinha é porque aprendi a me bastar. E não aprendi sozinha. Hoje é uma menina-flor de sua beleza única (rara) que sabe um pouco ser mulher. A vida tem seus caminhos estranhos... Eu hoje vou pro lado de lá, mas não levo tudo de mim, deixo boas coisas para lembrar - mesmo que isso às vezes traga lágrimas. Quem sabe um dia desses, num desses encontros casuais...
E do que sobra eu vou levando... Sem nunca esquecer do que sou.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Recanto de madeira ao contraste com o céu nublado
E achei-o tanto quanto recatado
Eu catei uns muitos prantos
- eles eram tão santos -
Que fiquei envergonhado
Fiquei também certo tempo
Um pouco assim, meio parado
Com cara de abismamento
Por lembrar dessas coisas
Foram tantos momentos
Eu visitei um recanto
Que - penso - ninguém nunca viu
cheguei a pensar em acalanto
Mas tudo mesmo já partiu
Cantei memórias doces
Soltei do cabelo os grampos
Provei mil e um amores
E ainda está lá o canto
Feito uma juventude perdida
Pedindo enquanto eu janto
Que perdeu-se de tão jovem
Feito bebê envolto em manto
E achou-se fora de ordem
Sem querer ordenhar ninguém
Disso ficou uma moça despudorada
Uma louca enrubrescida de ego inflado
Saia curta e roupa íntima
E viver, vale quanto?
Perguntei por aquela menina
Mas o canto era deserto
Tive receio do silêncio
Vi melhor sair de perto
Fui embora sem saber
S'inda mora alguém ali
Sem demora quero ver
Os remorsos que menti
Vida de ventos tantos
Ondas de mar e seus encantos
A madeira escureceu
ou terá sido apenas o céu?
Vejo chuva e nolite aqui
Noite de lua fresca
Onde passeia uma mulher
Meio desacostumada a sê-lo
E ainda sem saber o que é
A menina evoluiu, ficou velha e gasta
Agora, são suas mesmo as rugas alisadas
Os tempos elisados com z
O tempo de tantos anos
Foi ontem, eu sei...
terça-feira, janeiro 10, 2006
Pra não dizer que não falei das dores...
Papai já disse, tenho que passar
Nem música eu não posso mais ouvir
E assim não posso nem me concentrar
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação Sexual
E eu odeio Química
Não posso nem tentar me divertir
O tempo inteiro eu tenho que estudar
Fico só pensando se vou conseguir
Passar na porra do vestibular
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação Sexual
E eu odeio Química Química Química
Chegou a nova leva de aprendizes
Chegou a vez do nosso ritual
E se você quiser entrar na tribo
Aqui no nosso Belsen tropical
Ter carro do ano, TV a cores, pagar imposto, ter pistolão
Ter filho na escola, férias na Europa, conta bancária, comprar feijão
Ser responsável, cristão convicto, cidadão modelo, burguês padrão
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Não saco nada de física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação sexual
E eu odeio Química, Química, Química
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação sexual
E eu odeio Química, química, química
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Sem nunca esquecer da matemática, é claro!!!!
Isso pq ainda nem é vestibular.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Se não for isso o que será?
"Aquilo que eu temia aconteceu ou foi só ilusão? Você manchou nós dois e desbotou a cor de um só coração ou anda sozinho me esperando pra dizer coisas de amor?" Pois eu já nem sei mais de mim. E atesto que desisti de saber. Já se dizia que é querer muito querer ser feliz depois de tudo. Viver sem me corta a alma inteira em pedaços que perco de vista. Há caminhos sem volta. "E o que é que a vida fez da nossa vida? E o que que a gente não faz por amor? Também já me esqueci de te esquecer porque o seu desejo é meu maior prazer e o meu destino é querer sempre mais. "
Ora, não sei do meu destino. Meus baratos desatinos de ausência. Ontem fui dormir com medo. Um olhar inesquecível - e lindo - me encarava, sentado numa cadeira de praia. E confundiu todos os meus pensamentos.
Eu bem podia tentar implorar de todos os jeitos e tentar impedir o que mostram os indícios. Eu podia e queria. Mas acho que não cabe a mim. Que fiquem para trás os laços e terminem os ciclos que têm de terminar. Mas como doem os fins!!!! Eu apenas torço para não ser esquecida. Para que sejam lembradas as conversas intensas: "Daqui a vinte anos, casado, longe, sei lá onde... Você ainda vai lembrar de mim?" Lembre como uma lembrança apenas. Mas não esqueça das promessas não cumpridas. O ano leva muitas coisas com ele. Primavera levou tanta coisa consigo. Só não seria capaz de dizer que não sabia. Novos horizontes. "Nossa conta conjunta, de tanta labuta acabou de zerar./ E não precisa voltar para cobrir todos os cheques sem fundo, / pode seguir, viajar o mundo / Enquanto espero seu cartão postal./ (...) E não sobrou nem ficha pra te ligar no Carnaval. / No desse ano vou me vestir de cinza e chorar meu pranto sozinha. / Com cara de quem te espera ainda..."
Queria ter aprendido a não esperar nada da vida. Mas a vida me ensinou que nunca consigo aprender as lições de que mais preciso. Contraditória? Pode até ser. Antes de tudo eu sou eu e acho que vou continuar sendo enquanto conseguir sobreviver. Dói tanto desde que perdi o controle de meus sentimentos...
Primavera se foi e com ela meu amor
Quem me dera poder consertar tudo que eu fiz
O perfume que andava com o vento pelo ar
Primavera soprando pra um caminho mais feliz
Mais feliz, pois a rosa que se esconde
No cabelo mais bonito, é um grito
Quase um mito, uma prova de amor
Primavera se foi, e com ela essa dor
Se alojou no peito devagar
A certeza do amor não me deixa nunca mais
Primavera brilhando em seu olhar
E o olhar que eu guardo na lembrança
Ainda traz a esperança
de te ter ao meu ladinho numa proxima estação
Mais feliz
Mais feliz
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Do que não me ensinaram...
Num rompante do destino desavisado,
Tornam à lembrança.
Entornam juntos na taça,
Embebem juntos na cerveja,
Esquecem juntos no desabraço...
Retornam antigas promessas,
Reformam as mesmas palavras,
Tocam as mesmas notas
E da noite sem planos
Emerge um sonho por trás da fumaça.
Os sonhos de vinho tinto
Fazem unir os instintos
Que acordam a madrugada,
Mas na hora de redizer o mesmo
- os olhos cheios de vontade -
vão adormecendo em outros olhos...
Ainda há tempo que não vá com os anos?
O vento leva o voto dos santos.
E se não dá para falar em alento,
Nem vou pensar em aliança.
Isso é brincar de fazer verdade
Os sonhos de duas crianças.
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Sentimentos já subvertidos pelo tempo. Nem dá mais pra voltar atrás. Não dá também para ficar pra sempre nas mesmas frases piegas e sem muito sentido. As condições vão ficando inaceitáveis para a vida. Não adianta fazer dicionários com verbetes atemporais, pois as sensações mudam com o tempo. Tempo é algo difícil demais pra falar. Je suis vraiment desolée. Estou me atualizando, tentando parar de chorar ou ao menos desacostumar com o gosto do meu “mar de lágrimas”. E a vida ainda tem muitas portas para se entrar. E muitas e muitas “meia-hora” para mudar muitas e muitas “minha vida”. É ruim sonhar com coisas que não dá pra saber. É chato isso de o mundo não depender só de mim. Me iludem com a tal autonomia. Estou numa vida que não me permite mais erros e eu não consigo aceitar isso. Eu ainda não descobri nada de verdadeiramente útil.
Descobri que posso viver sem, mas não sei se sem e mesmo viver ou se é só o tal “ir vivendo”. Era tudo o que eu não queria e se eu queria enlouquecer, perdi a única chance. Deixa estar e ser como tem de ser. Tudo no seu devido lugar.
É meu último dia.
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Um fim de ano de balanços e rumos antigos retomados
Mas pula para o banco de trás
Abre a janela contente
Pra ver o sol fervendo no ar
E depois que o olhou
Fica sem falar
Escolhe o esmalte meticulosamente
Por ver razões na cor, que irão se explicar
Pra tudo funcionar simplesmente
Como gesto espontâneo, invulgar
E depois da cor
O que virá?
Se o mundo combinar felicidade e tristeza
Dentro do mesmo time
Lugar que não se vá
É o que há pra duvidar
Se é só isso que existe
Vai confirmar o olho que olhou
Ou esperar o sonho
Que ninguém sonhou
Onde você que chegar
Espalha graça ao pleno presente
E mesmo ausente é doce sua falta
Espelho é o mar, o lago, meus dentes
Com um beijo posso ver sua alma
E depois que eu vou
Não vou voltar.
Enorme o seu lugar, quase o vento
Mas é dentro de mim mesmo que cabe
Não há vogais a mais no silêncio
Que morre se faltar a palavra
E depois falou:- preciso mais!
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Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas
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Tenho medo do tempo que não pára e nem volta, mas é sempre cheio de ironias que nos confundem o tempo todo. Um brinde à vida, Bonne Anée pour tous les gens!
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Desabafo de uma Florzinha amarela que caiu no chão
Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão
Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser
Um erro assim tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E, quando acaba a bebedeira,
Ele consegue nos achar
Num bar
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro,
E uma cara embriagada no espelho do banheiro
Teus lábios são labirintos,
Que atraem os meus instintos mais sacanas
Teu olhar sempre distante sempre me engana
Eu entro sempre na tua dança de cigana
Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão
Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero
Eu fui sincero,
Eu fui Sincero
Teus lábios são labirintos
Que atraem os meus instintos mais sacanas
Teu olhar sempre me engana
É o fim do mundo todo dia da semana
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Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação,
Beijos sem paixão, crimes sem castigo, aperto de mãos
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero eu não espero que você minta
Não se sinta capaz de enganar
Quem não engana a si mesmo
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos
Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação
Beijos sem paixão, crimes sem castigo,
Aperto de mãos, apenas bons amigos...
Pra ser sincero não espero que você me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo
Um dia desses, num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre,
Talvez a gente encontre explicação
Um dia desses num desses encontros casuais
Talvez eu diga, minha amiga,
Pra ser sincero... prazer em vê-la
Até mais...
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Lerolero de sentir sem algumas partes...(Putz, q porra eh essa?)
(Consegui!)
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Um relato qualquer e meio perdido
Um dia me disseram que viver não era crime, que anseios não eram pecados. Um dia me convenceram de que desejo era uma palavra bonita. Disseram-me assim: “Vamos brincar um pouco.” Eu fechei os olhos, joguei fora os medos e perdi o controle. “Vamos fazer um filme” – disseram-me. E de close em close, eu fui perdendo a pose e até sorri feliz, como um dia já disseram. Descobri que a vida é desesperada e, valendo a pena ou não, o que está feito está feito.
Sozinha me descobri pertencente a uma geração que inevitavelmente irá morrer de câncer, então, é preciso mergulhar mais nos prazeres. Aprendi que não dá pra lutar contra o inevitável e que ficar triste por muito tempo não faz poetas, faz gente resmungona e amargurada. Estou tentando ser sincera sem falar demais. Sei que é bom falar o que sente, mas às vezes esperar muda os sentimentos. Me disseram também – mas isso eu ainda não sei – que o tempo é remédio. Só que ele passa tão rápido, leva tanta coisa.
Aos poucos, eu fui criando lembranças só minhas, fazendo meu jeito de ter sempre as pessoas. Fiz uma caixa onde eu me guardo em relíquias sem valor. Vi que valor a gente é que faz e muda. Eu vi que amigos tentam ajudar com seus valores e fazem o que acham que é melhor para nós, e que família depois de um tempo desiste e passa a nos aceitar. Aprendi que culpa pode virar muitas outras coisas e que os fatos crescem e a gente perde o controle da vida.
Eu não sei onde comecei nem onde vou terminar. Um dia eu percebi que estaria sempre no meio. E é bom começar coisas e sonhar coisas mesmo sabendo que sonhos mudam e que não dá tempo de terminar tudo. É bom imaginar mil rumos que poderíamos ter tomado e melhor ainda saber que é impossível saber o rumo que tomaremos. Aprendi que rotina faz falta. Pessoas fazem falta. Objetos fazem falta. Lugares fazem falta. E é tudo saudade irreversível.
Há pessoas que nos deixam felizes apenas por existirem.
A gente ganha e perde o tempo todo, mas a vida não é um jogo. Aprendi que rituais são divertidos e acalmam, religiões sufocam e enlouquecem. Tomar banho é uma das melhores coisas do mundo. Jogos de sedução só valem a pena quando são sinceros. Batalhar por espaço na vida de uma pessoa é angustiante. Ter um espaço na vida de outra pessoa é maravilhoso.
Aprendi que vida não tem moeda. As coisas e pessoas não têm preço. E se nada tem preço, também não existem dívidas e, menos ainda, cobranças. Cobrar é cruel e ser cobrado é ruim. As pessoas têm um espaço que intimidade alguma invade. Desacreditei em fidelidade. Aprendi com uma pessoa muito especial que devemos fazer o que queremos fazer. Devemos aproveitar as chances. Devemos correr atrás dos nossos desejos. Porque desejo é uma palavra linda! E que amor pensa antes no outro, sem deixar de pensar em si, mas levando em consideração a felicidade de ambos. Pois tudo tem dois ou mais lados.
Sei que amor surge com o tempo e vai embora com o tempo. Mas eu não conheço o tempo. Sei que quando se diz: “eu te amo” tem que ser sincero. Não precisa ser recíproco porque amor é egoísta. Mas amor existe. E se não existisse nada valeria a pena e tudo estaria apenas feito. Mas cada amor é de um jeito e cada pessoa acha que seu amor é o verdadeiro. Verdades vêm de muitos lugares. Aprendi que o melhor é amar agora e bem fundo. Estar preparado para tudo. Querer até a raiz do cabelo. Perder até a última lágrima. Esquecer o mundo e suas verdades e suas concepções de amor. Porque amor é dessas coisas que não deviam ser comentadas, discutidas e formatadas. Amor foi feito pra viver e só. Só que é bem melhor se não for só.
Aprendi que chorar faz parte e chorar sempre é drama. Toda intensidade merece uma dose de equilíbrio. Sorrisos e lágrimas têm sua magia.
No fundo todos vivem papéis e representam mil coisas. Só que existem mentiras sinceras. Todos desejamos uma cena pra protagonizar e nem sempre nos basta que a cena pertença só à nossa vida. Queremos sempre muito. Nem sempre temos muito. Nem sempre temos o que queremos. Todos somos muitos. È difícil ser um personagem só. É difícil escolher um caminho só na vida. Correr atrás de desejos é bom. Arrepender-se do que se fez é melhor do que se arrepender do que não fez, pois a vida nos dá álibis. Pessoas nos decepcionam por muitas coisas. Pessoas erram. Decepção é comum e inevitável.
A vida dá voltas que nem sonhamos. Grandes dramas sempre começam com cenas banais que desencadeiam um lindo romance. Mas a vida real não é um livro. Não é um romance. Não é um teatro. As pessoas não são atores. São reais. São imprevisíveis. Sempre. As pessoas são contraditórias e incoerentes. As pessoas são inverossímeis.
Ler é mágico. Sentir é mágico. Vento no rosto é mágico. Beijo na boca é mágico. Sol de fim de tarde aquecendo a pele é mágico. Cerveja gelada no bar com amigos é mágico. Uma boa conversa é mágica. Horizonte é mágico. Nuvem de algodão é mágico. Silêncio cheio de compreensão é mágico. Mudar de humor por causa de uma pessoa é mágico. Fazer outra pessoa mudar de humor é mágico. Sorrir é mágico. Olhar pra baixo de um lugar bem alto é mágico. Ouvir música é mágico. Não ter medo é mágico. Choro compulsivo é mágico. Sorriso sincero é mágico. Andar com o pé na água é mágico. Tomar sorvete na chuva é mágico. Dormir profundamente é mágico. Acordar tarde é mágico. Acordar cedo e de bom humor é mágico. Abraço é mágico. Ter lembranças boas é mágico. Ficar horas sozinho, pensando, é mágico. Ficar horas acompanhado, conversando, é mágico. Ser sincero com alguém é mágico. Ajudar alguém é mágico. Receber ajuda é mágico. Fazer uma coisa porque se quer é mágico. Não fazer alguma coisa que não se quer é mágico. Saber o que quer é mágico. Viver é mágico.
Eu tava pronta pra dizer um monte de coisas e ganhei uma flor para acabar com a minha tristeza.
terça-feira, novembro 29, 2005
Detalhes
| Homenagem a um amigo meu... "Não adianta nem tentar me esquecer durante muito tempo em sua vida eu vou viver Detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes pra esquecer e a toda hora vão estar presentes você vai ver Se um outro cabeludo aparecer na sua rua e isso lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua o ronco barulhento do seu carro a velha calça desbotada ou coisa assim imediatamente você vai lembrar de mim Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido palavras de amor como eu falei, mas, eu duvido duvido que ele tenha tanto amor e até os erros do meu português ruim e nessa hora você vai lembrar de mim A noite envolvida no silêncio do seu quarto antes de dormir você procura o meu retrato mas na moldura não sou eu quem lhe sorri mas você vê o meu sorriso mesmo assim e tudo isso vai fazer você lembrar de mim Se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada pensando ter amor nesse momento, desesperada, você tenta até o fim e até nesse momento você vai lembrar de mim Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada do tempo que transforma todo amor em quase nada mas quase também é mais um detalhe um grande amor não vai morrer assim por isso, de vez em quando você vai vai lembrar de mim Não adianta nem tentar me esquecer durante muito e muito tempo em sua vida eu vou viver" |
segunda-feira, novembro 21, 2005
Direto do caderno de sorvete - o grande
"Uma vez, descobri que a vida é desesperada. Mas vale a pena?" Eu sinceramente não sei. Eu nunca sei. As coisas vão tomando outros rumos, existem ainda mais estradas por aí. E estragos. E estranhos. Como foi surgir essa tal intimidade? Parecem vidas diferentes... Eles também me fizeram. Tem tanta coisa fazendo-me por todos os lados, o tempo todo, e fica impossível determinar com exatidão quem eu sou. Coerção. "Por ser exato..." Eu teria de parar de viver um instante para isso. Morrer? E parece que tudo que eu sou só existe em função de saber quem eu sou - é inútil. e dá-lhe mais filosofia chavão.
É isso aí. Simplesmente sempre diferente dos planos de tantos e tantos anos. De que é feito o pensamento? Sou eu mais uma vez, mais uma noite, sentada sozinha no sofá da sala. Caderno e caneta em mãos. Hoje o som desligado. Sem influências externas. Eu devo ter tido um ponto de partida. Algo como uma molécula dizendo sim à outra. Algo como uma cabeça se apoiando disfarçada na outra. Algo como um telefonema em dia de chuva. - Há histórias com dois começos - Algo como uma conversa determinada, meio por acaso num dia qualquer, buscando um lugar comum. "Vamos fazer um filme?" Eu podia contar a famosa história do elevador - que eu realmente adoro contar - mas assim o início não seria propriamente meu. Coisa de terapeuta tentar buscar tanta origem para as coisas. São só fatos. Quem pediu que explique, porra?
Eu vi um casal trepando na rua de madrugada. Fiquei curiosa pra saber quanto ela cobrava. Acabei não indo ao show. Uma espécie de punição para os meus atos imperdoáveis. Droga. Que merda. Por que a mulher sempre acha que vai salvar o homem? Qual a razão de querermos ser sempre os mais importantes na vida de todo mundo? Não nos chega a nossa? Não. Nunca chega. A alma nunca cabe num corpo só. Puta carência afetiva. O útero é um lugar para onde certamente eu não quero voltar. Também não quero ir pro céu. Mesmo se quisesse, acho que não me deixariam mais. A caligrafia vai ficando assim torta. Queria um dia escrever na velocidade dos meus pensamentos sem ter que pensar mais devagar para isso.
Eita, era pra contar uma história. Os dedos balançando na frente da boca. Não deu para ouvir. É um saco isso de ter que continuar vivendo apesar de. Vontade louca de sumir no mundo, sumir do mapa. Jogar tudo para trás - e não para o alto. De viver a vida como a música do último dia. Mandar o mundo se foder. Ir para um lugar bem longe. Comer todo o chocolate que eu conseguisse.
E se tudo tivesse sido diferente...? Não sei se a vida teria tanta graça se eu naõ fosse uma farsa. Se eu morresse amanhã eu queria... Ah, deixa pra lá os meus quereres. Que merda também isso de a gente não poder mergulhar de cabeça em tudo o que quer. "E se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz? Quem, então, agora eu seria?" Podia ter sido diferente... E nós nunca vamos saber. Não adianta que hoje eu não vou conseguir fugir desses clichês pseudo-filosóficos. Logo que queria tanto fugir de tudo. Eu quero também um dia casar e ter filhos. Afinal, não sou de ferro. Mas acho que se for para engravidar tem que ser uma trepada muito boa pra compensar o parto. Sei lá, também. Não quero nada. O que sei é que a gente muda, vai mudando de sonhos e chega uma hora em que nem percebe, nem lembra. Tenho talento pra ficar calma em horas difíceis, desencanar. Talvez uma predisposição a esperar tudo da vida. Tá dando raiva isso de ver as coisas caindo na rotina e não poder fazer nada. Eu posso. De novo? Pode esperar que da próxima vez vai ser tudo diferente. Eu tô falando pra quem? Isso não vai pra gaveta. Nasci mesmo na contramão. Hoje era eu que queria ser dobrada e guardada na gaveta pra alguém encontrar depois. Amor tem muitos jeitos. Você é pequena ainda pra entender, Eliza. Achei o começo. Foi assim: " - Fizeram-te."
terça-feira, novembro 15, 2005
Auto-justificativa ou um grito pros surdos ou detalhes de minha guerra particular
Eu disse um dia que só existe o AGORA, longe disso não pode haver cobrança, pois nunca houve dívida! Isso ainda vale. E se depender de mim, vai valer sempre. Mesmo sabendo que o sempre não existe. É possível voltar atrás de cada passo que se dá, basta ter consciência de que as coisas nunca vão ser iguais ao que eram antes. "Mas no fundo eu nem ligo...Você sempre volta com as mesmas notícias!" Eu tenho a pele quente de uma alma transbordando, prstes a explodir. Às vezes eu penso que seria melhor se eu não soubesse. Depois eu penso em como é mais fácil porque eu sei. Saber ou não saber não faz tanta diferença quanto sentir.
Eu só escrevo para tentar arrancar de mim tudo o que eu quero tanto deixar aqui. É só um jeito de lavar essa ferida que eu quero manter aberta para continuar vivendo com urgência. Mas se não fosse tão igual... Se não fosse tudo tão igual! "Somos íntimos agora." Sempre que eu relembro eu acho tudo tão bonito. Penso que devia agradecer mais vezes. E fico me preocupando tanto com esses fragmentos de vida... Me escondo num papel dobrado que escondo num canto Da gaveta. Vaga-lume. Eu sonhei. Sonhei com uma mulata linda. Sonhei com uma barata e acordei cantando. Sonhei com uma vida normal e até me assustei ao acordar e ver a vida dormindo ao meu lado calada.
"Cada cheiro de vida, cada gosto de vida,
ao passo que me satisfaz
me aumenta a sede e a fome
(...)
Viver é dádiva.
Viver é dívida.
Vem ver a dália.
Viver é dolo.
Viver é dose.
E não é tão clichê quanto parece.
Prece."
Eu tenho uma vida encantada!!! Os silêncios e segredos fazem parte e me temperam nesse encanto. TANTO!
"- Eu tb." !
Nossa.
Um dia eu acordei e tava tudo fora do lugar, mas você não contou uma estória romântica porque o amor na prática é sempre ao contrário. E todas as minhas desculpas e culpas indesculpáveis são só pretextos de uma alma carregada que cospe, vomita, grita e até cala por não ser capaz de chorar suas sinceras-falsas dores.
domingo, novembro 06, 2005
Esquecendo o post anterior...
| "Vazios são os domingos e eu me escondo no meu mundo." Também tou um pouco vazia por dentro. Meio nublada eu acho. Meu mundo é sempre o mesmo apesar dessas sutis diferenças. A gente vai criando rotinas e quando gosta delas chama de tradição. Mas entre as mesmices contruímos afetos. Algumas coisas ficam pra sempre. E tem outras que a gente sabe que não duram, mas são momentos tão bons que nos fazem crer em eternidade. "- Vamos! Vamos tirar uma foto!" Assim, todo mundo junto, pra tentar reunir esses anos num limite de papel. Isso de tentar escrever faz pensar muito no limite do papel. Eu queria ser uma folha A3 das aulas de arte da oitava série. To começando a ter aquele tipo de saudade de quem já não tem mais, esqueço que ainda me falta um ano de cp2. É bom ouvir as vozes que dão segurança. Acordar e ver que se está exatamente onde queria. Os sussuros distantes de um passado que agora, masi do que nunca, parece ter maturado e se tornado aquilo que sempre sonhamos - a imperdoável felicidade. Mas tudo sempre tem pequenas diferenças que a gente nem percebe. É tudo meio igual. Meu violão é meia-boca. Estou assim, meio desabraçada com vontade de abraçar as pessoas que amo. Bi vem pra cá!!!!! To indo, to indo lá viver. |
sexta-feira, novembro 04, 2005
Uáua tsc tsc tsc
dia 30/10 - Meu tio
dia 31/10 - Meu querido priminho Vítor
dia 04/11 - Nossa tão querida e amada Mamãe e Sartre
dia 06/11 - Nat!!!!!!!!!!!
dia 07/11 - Bia!!!!!!!!!!! e Danielle
dia 15/11 - Minha tão querida, amada e adorada irmã Ellen e Mariana
É isso aí, obrigada a todos pelas comemorações, churrascos, docinhos,...
Eu adorei!!!
E aproveito o espaço também para dizer q finalmente comprei um celular!!!!!!!!!
Mas isso não quer dizer q vcs vão conseguir me encontrar!
É isso, bjs pra vcs
PS: Esse é o pior post q eu já vi, destrói toda a minha imagem de pseudo-poeta.



