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quinta-feira, setembro 18, 2008

Carta pública a um fim sem começo

"E se falasses magia, sonho e fantasia
E se falasses encanto, quebranto e condão
Feitiço, transe-viagem, alucinação
Não te enganarias"
(Bandoleiro, Ney Matogrosso)

(Ou nome próprio das coisas imperdoáveis)

Após tempos e tempos, enfim, voltando a conviver comigo. De certa forma, de bem com minhas esquizofrenias, com minhas múltiplas máscaras e faces - e até mesmo com minha artificialidade e as situações com as quais eu continuo sem ter dedos para lidar, sem saber onde ponho as mãos chamuscadas do que eu mesma incendiei. E até mesmo com a mente que se aprende a ordenar no papel de um jeito (quase) inteligível.

É isso mesmo: até com as minhas guerras e com os meus fracassos eu, enfim, me conciliei. Desculpa se eu te magoei, é que eu tranquei mesmo as portas dessa vez. E sei, dessa vez, exatamente de que lado cada coisa fica. A isso a gente dá os nomes que quiser - eu liberdade, você medo. O importante é que cada um no seu dicionário e não diga que eu não avisei.

É que eu aprendi a até no meu suicídio preservar uma parte de mim. E por isso saio sempre, ao menos em parte, ilesa. Desculpe dizer sem rodeio. Calar sem rodeio. Desculpe até mesmo rodear tanto para não dizer nada: é que eu não tenho nada mesmo para dizer.



*Editado em 19 de outubro de 2012.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Sob o signo de Afrodite

O amor é mesmo uma espécie de sacerdócio,
um ritual de falas ensaiadas,
um palco de luz apagada.
O amor é mesmo o que se espera
de um abraço quente no frio,
de um olhar blasé de carinho óbvio.
O amor é mesmo um acaso qualquer.
O amor é mesmo uma dicotomia.
O amor é mesmo impossível a dois
(às vezes melhor a três).
Um jeito qualquer de engolir sem degustar
a santidade.
Um jeito qualquer de denunciar no toque
uma necessidade precisa,
uma vontade ambígua.
O amor é sempre só o primeiro:
os amores são simulacros,
espelhos de um reflexo já desbotado.
O amor é mesmo o corrimão
da escada que a gente desce em saltos,
sem pestanejar.
O amor é um signo.
O amor é um assunto novo e vencido.
O amor é o equilíbrio
entre o que se quer e o que se espera.
O amor é algum tipo de entrega impossível.
O amor é uma instituição falida.
O amor é chato.
O amor acaba.
O amor é uma verruga na memória.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Porque já estava escrito

Eu é que não disperdiço mais minha sinceridade com ninguém. E, doravante, guardo meus orgasmos só pra mim. Na mesma gaveta recôndita que minhas lágrimas. Lágrimas, sinceridades, orgasmos, fraquezas. Todos esses pedaços de alma que eu tenho mania de engolir com vodka pura quando ninguém me vê. Os mesmos pedaços que eu tenho mania de vomitar por aí, ao telefone, quando não bebo o bastante para submergir em mim mesma. Porque dentro da minha umidade eu sou menos frágil. Sozinha eu me prendo menos ao mínimos detalhes.

No fim das contas meu asilo de loucos fica melhor exposto na estante. E a beleza é mesmo ordinária. Eu ao menos... Eu menos.

Na próxima encarnação eu quero nascer forte, mais forte que eu pelo menos. Versão editada de mim. Um dia eu deixo de ser sincera, de ser ingênua, de ser careta, de ser carente, de ser erótica, de ser simples, de ser definitiva, de ser diminutiva e de me pôr na vitrine.

Um dia desses eu me apaço de mim. Amadureço e caio.


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Do dia em que eu compreendi que vermelho e azul são cores complementares. E que habitam em mim, simultaneamente, a freira e a puta. A ousadia e a doçura. A força e a ingenuidade. Do dia em que as borboletas podem revoar o estômago, enquanto lateja a vontade no sexo - e continuar vivendo por vinte e quatro horas.

A freira e a puta encontraram um jeito de conviver conciliadas, ainda que não exatamente em paz.

Me reconheço de repente. Reconheço minhas atitudes e vejo que não é o outro. Sou eu. Meus ímpetos não são reflexos de pré-sentimentos inexplicáveis, meus sentimentos é que são reflexo de meus ímpetos inexplicáveis. E essa descoberta é como a morte de alguma ingenuidade que ainda restava em algum lugar que eu já nem sabia ter; é como perder outra virgindade ou descobrir que minha alma é, não só transcendentalmente ligada ao me corpo, mas é também - e tão somente - minha.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Caso dos dois velhinhos no metrô

Olhou-a. O olhar era triste e azul, quase infantil no meio das rugas brancas na pele rosada, marcas que pareciam dizer mais uma inocência doce do que os pecados e vivências que provavelmente denunciavam. Parecia mesmo uma criança chorosa implorando atenção. De uma doçura gigantesca, apesar de quase imperceptível sob aquela massa corpulenta. E ainda que ela tentasse dissimular a grandeza do homem pedindo ali, silenciosamente, clemência, a pouca distância se via e entendia-se fácil os dois: ela tentando engolir o perdão engasgado na garganta, ele implorando já por tanto tempo aquela absolvição.

A surpresa dos dois era também indisfarçável em meio àquele encontro casual. O estrondo das portas do vagão abrindo por sorte havia abafado o grito de susto que ela também rapidamente engoliu. Alguém que olhasse mais atento veria que desmoronou-se toda no chão ao ser obrigada a reviver num rompante todo aquele sofrimento dado como morto há anos. Pois viu o quanto estava viva sua memória. Do mesmo modo que seu rancor. Não admitiria nunca, mas descobrira também ali o quanto seu corpo ainda estava vivo, morreria afirmando que o palpitar de seu peito era do excesso de coisas que queriam lhe atropelar a garganta e pular em gritos de raiva pela boca. Mas não era. O seu peito explodia era por ver aquele corpo, por sentir-se acarinhada por aqueles olhinhos que, com o passar da idade, como era possível!, só se haviam tornado mais doces. Pensou se o fato daqueles olhos terem ficado ainda mais iluminados não teria alguma coisa a ver com o tamanho do monte de pecados que eles mentiam. Foi a única explicação que encontrou para se confortar e resistir ao ímpeto de dar-lhe junto com a redenção todo o resto de sua vida. Pois foi o que na verdade quis e não disse. Como tantas outras coisas que não disse ao longo dos anos, da distância e do orgulho que a impediram de procurá-lo, de voltar atrás. O orgulho besta, como se diz, que a fez derrubar as colunas de sustento da sua felicidade gritando com uma raiva passada por ódio que ele é quem as fizera ruir com sua traição.

Ao abrirem-se as portas daquele vagão transformou-se em certeza a dúvida-angústia pesando em sua cabeça todo esse tempo: como teria sido se fosse diferente. Todas aquelas tardes que passara imaginando-se ainda ao lado daquele homem, perdoado e satisfeito com ela só, pareceram-lhe o caminho certo que não escolhera. E a raiva que fingia ainda guardar dele tornou-se de si mesma. Como pudera ser tão burra! Altruísta ao ponto de abrir mão de si mesma esperando que longe dela ele se regenerasse, não acreditando no poder do amor – que julgava tão grande e forte – para fazê-lo, feito receita de bolo na fôrma de suas pernas, seu homem. Mas não, deixara o tempo passar, tempo incompetente que não soubera cuidar do seu homem como cuidaria. Tempo que enrugou a maciez de sua fôrma, de modo que agora já não confiava-se capaz de cuidá-lo como ele merecia. Ele, que depois de anos e anos, estava ali – esperando e pedindo. Ele, que diante do susto que provavelmente também experimentara, podendo optar pelo orgulho – e sabendo que se pudesse era o que ela faria – continuara pedindo e esperando.

Nisso já estava parada, em pé, nem muito perto nem muito longe, tentando fingir que não via e, se não funcionasse, que não ligava. Mas era só o pretexto para esperar passar um tempo e tomar um gole grande de coragem que lhe empurrasse todos os impropérios pro estômago e só sobrassem na garganta as verdades tão ansiosas por serem ditas. Ele fez menção de se levantar e, tão rápido quanto pode, ela pensou que, se não lhe saíssem as palavras agora mesmo, o seguiria até o infinito respirando seu ar enquanto a coragem não vinha.

Respirou o mais fundo que pôde, parecendo acreditar que nas profundezas de seu pulmão estariam guardadas as palavras perfeitas e cabíveis. Tentou recuperar alguma parte de seu prumo natural, ajeitou-se com toda dignidade que só os mais velhos conseguem ter. O trem parou. As portas se abriram. Muitas pessoas saíam ao mesmo tempo. Perdeu-o de vista. Desesperou-se vendo esvair-se novamente sua felicidade. Tentava em vão vencer a multidão vigorosa. Vendo-se incapaz, aceitou mais aquela jogada cruel da vida. O vislumbre efêmero de sua felicidade já não doía como antes. Faz tempo havia se acostumado a dor, já não se deixava ferver pelas coisas. Pareceu lógico, apesar de irônico, aquele encontro não passar de um esbarrão no passado. Como encontrar uma foto antiga durante uma faxina. Uma lembrança de quem se foi e já não é mais. Um sonho rápido do que poderia ter sido. Um tropeço qualquer que nos faz voltar a realidade e continuar arrumando a casa. No caso, esperar calmamente a multidão se dissolver e seguir o curso normal de antes. Acostumara-se em sua vida morna a seguir os dias sem pressa, a esperar a morte sem pressa, a viver as coisas uma de cada vez, saboreando cada uma em passos lentos – mais porque aprendera a respeitar a vontade do corpo já cansado do que por ter aprendido a tomar as rédeas de si mesma.

Sua conformidade foi logo dissipada pelo peito inquieto quando, ao chegar ao topo da escada, deparou-se de novo com aquele azul reluzente. Agora tão perto ao ponto de sua alma não ter tempo nem para pensar em fazer o que quer que fosse. Estendeu a mão. O maior gesto de que foi capaz. Gesto esse que dispensava todo orgulho, todas as palavras, todas as conformidades, todo arrependimento, todo o perdão. Gesto que os fazia iguais em culpa e amor. Ela o pedira de volta e ele aceitou. Perceberam-se disso no toque das mãos.

Se algo de bom o tempo havia feito aos dois fora isso: os tornara iguais. Iguais em pecado. Iguais em traição. Iguais em arrependimento. Iguais em solidão. Iguais em sabedoria. Iguais na certeza calma de saber o que queriam. Iguais na firmeza trêmula ao segurarem as mãos. E essa simetria que o fez pedir ingenuamente um naco do tempo dela sem saber que, ao oferecer-lhe a mão, ela lhe havia dado junto todo o resto de seus dias!

quinta-feira, setembro 04, 2008

A outra volta do parafuso (Moska)

Naquele dia senti
Que, finalmente,
Tua máscara ia cair
Definitivamente
Eu estava cansado
De te ouvir mentir
Meu corpo doía de um lado
Minha alma fervia do outro
De novo no mesmo lugar
E eu não queria estar ali
Tenho certeza que tu és o castelo
Onde o meu desejo mora
Mas me machuquei
Quando me aproximei
De tuas paredes de pedra
E tudo que sonhei
Me incomoda agora
Seja qual for o dia
Seja qual for a hora
Antes de pensar em me procurar
Me apague da tua memória
Porque já tranquei as portas
E escondi as chaves
Só não vi de que lado fiquei
De dentro, ou por fora, nem sei
Você me dói agudo e isso é grave,
Grave
Antes de te reencontrar
Sei que preciso voltar
A ser alguém
Alguém que saiba, pelo menos
Tudo aquilo que não quer
Alguém que tente
Atravessar o túnel no final da luz
Pois fiquei cego, surdo e mudo
E agora quero me esquecer de tudo
Pra descobrir em fim o que sobrou de mim
Que ainda me seduz
Se por acaso pensas que
Eu vou me perder por aí
Ainda vou gritar no teu ouvido
Que a vida é um parafuso sem fim
Que a cada volta
Aperta mais
E nunca afrouxa
Para trás
Só então saberás que
Desde o início eu já era assim

Salubridade da alma

“Nessa extravagância, o teatro desenvolve sua verdade que é a de ser ilusão. Coisa que a loucura é, em sentido estrito”. Michel Foucault, em História da Loucura.

A loucura é pois a essência da arte. É o instrumento de que é feita a nossa nova vida imaterial, pseudo-cultural. É da abstração e do mergulho em nossos mais esdrúxulos devaneios que provém o que enaltecemos como genialidade.
O espectro da loucura perpassa a arte há séculos na tentativa de justificá-la. Fico tentada a pensar se a ação não é recíproca: a arte subsiste como meio de justificar a loucura que, apesar de considerada um desvio da normalidade, mostra-se há séculos tão abundante em nossas sociedades; ao passo que a loucura sobrevive como um instrumento do qual a arte é feita, o alimento de que é feita.
O delírio, a imaginação, a inversão e a subversão dos valores morais – entre outros aspectos condenáveis para o bom funcionamento da vida prática – ganham lugar nos palcos, nas páginas literárias, nas telas etc.
Já me ouvi muitas vezes dizendo que escrevo para não enlouquecer. Bobagem. Eu escrevo porque a literatura é o espaço onde posso enlouquecer sem pudor. A dimensão da arte é onde é possível devanear, extravasar minhas alucinações, minhas paranóias, minhas obsessões. Escrevo para viver tranqüilamente minha esquizofrenia. É com as palavras que posso viver minhas muitas vidas que explodem dentro de um corpo só. Nas palavras me cabe bem ora melancolia, ora minhas tolas manias. Escrevo para experimentar meu autismo, minha literatura é meu mundo particular e impenetrável. Escrevo para enlouquecer sozinha e em paz.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Perigoso

Porque a fé é azul,
o amor é cinza
e a raiva amarela.
Porque todas as coisas
só existem quando e porque
a gente precisa delas.
E principalmente porque o desejo...
Ah, o desejo tem várias cores,
o desejo tem várias horas.
O desejo é vermelho,
um puxão de cabelo,
uma cicatriz no tórax.
O desejo é branco,
pratos limpos,
termos claros,
versos tantos.
O desejo é róseo, rígido e calado,
o desejo é até meio azulado
- como bem o são as segundas-feiras -
O desejo oscila entre claro e escuro,
conforme a luz: apagada ou acesa.
O desejo é chuva, é ponto de ônibus,
é banco de carro, rede, chuveiro e chão de quarto.
O desejo chupa, cospe, ou só roça a mão de leve
e depois me põe no colo
e diz o quanto me merece.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Vai, me arranca um poema!
Me arranca no suspiro da pele sob seu toque macio...
Vem, arranca esse poema dos meus olhos,
arranca esse umidecer
que nunca explode em lágrima inteira.
Arranca esse poema preso na garganta,
arranca junto com os gritos de prazer.
Arranca essa sensação que me arranha o peito,
arranca essa metade, essa leveza:
transforma esse instante bonito no grito intenso.
Tira de mim esse cheiro de sexo grudado no suor,
impregnado em mim de um jeito
que já me parece impróprio suar se não for por orgasmo
Tira seu pau da minha boca,
arranca esse gosto de porra
e vê se eu cuspo poesia!
Arranca minha roupa, meu ar, sei lá...
Leva tudo!
Mas não leva esse poema não.
Deixa eu guardar a poesia disso
só aqui dentro de mim.

terça-feira, agosto 12, 2008

Palavra.

Será que existem palavras para descrever esse momento?

Bobagem supor que existam palavras fiéis o bastante a ponto de descrever um silêncio tão puro. Um silêncio pleno. A sintonia plena. A respiração mútua. Talvez o barulho da água caindo na pele seja o som mais próximo de uma tradução, o barulho impossível de ser escrito. Talvez o intervalo entre as músicas de fundo. Talvez o silêncio da hora em que sobem os créditos dos filmes. Talvez o som dos copos brindando. Talvez alguma música alta, tocada pela segunda vez no carro.
Talvez a respiração ao pé do ouvido.

Talvez um misto veloz e confuso de todos esses sons.

Talvez nem caiba tentar descrever ou escrever.

Fica a lembrança indizível. O afeto invisível. O instante indescritível. Um corpo indivisível. Os momentos inesquecíveis.

Será que você vai ler essa cena nas minhas palavras?

Tem coisas que a gente só lê no tom da voz, e não nas palavras que ela profere. Tem coisas que a gente só lê no brilho dos olhos, no toque dos dedos, das mãos, da pele. Tem coisa que a gente só lê nos silêncios puros.

domingo, julho 20, 2008

Conto


Foi. Decidiu. Inteira. Passos lentos. Firmes. Segurando com o sorriso o vento no rosto. Chegando, foi abrindo logo as metáforas bobas, as garras presas no peito.

– É que eu sou...

Parou aí. Sem saber por onde continuar. Sem saber em que pedaço de si estaria a transitividade disso. Pareceu que o alcance dessa definição exigia que fosse ainda mais dentro do que já estava. Se não podia alcançar aquilo, não era. Então não era. E não podia dizer. Querer que dissesse já seria muito. Seria transpor, ir muito além. Um mergulho que ali não acabaria definindo sua vida, seu mais profundo e superficial eu, tampouco sua frase. Não podia dizer! Engoliu em seco. Depois engoliu quente uma parte de fora que confortava. O líquido escuro, quente, amenizava sua culpa de não ver através das coisas. Afinal, não era só ela que não era transparente. Uma superfície inebriante, enigmática.

E ele ali com aquela cara de objeto direto, substantivo próprio com artigo definido e tudo. Com aquela cara tão definitiva e aqueles olhos estranguladores de quem sabia que ela não era nada. E sabia tanto que achava que nem precisava dizer. E não precisava mesmo. Não era nada. Já não tinha como tentar não deixar transparecer também em seus olhos. Então todos os olhos diziam a mesma coisa. Cada um a sua maneira. Seu ar de tudo de um lado. O ar de nada dela do outro. Transparente. Ele denunciando. Ela admitindo. Assumindo a culpa. Se fora ali para justamente despir as roupas de seu espelho – mas agora fugia a coragem, queria até fugir os olhos, desfazer a firmeza com que entrara, trocar o que ele estava pensando até que não pensasse. Isso. Queria esvaziá-lo num grito. Colocar sua alma inteira ali na mesa e esmiuçá-la tanto e tanto até que não sobrasse mais por onde ele ficar inteiro. Tinha de existir um pedaço não imune. Precisava existir.
Já não sabia precisar direito (tampouco esquerdo) a quem se dizia ali tão acalorada e silenciosamente. Quis ficar do outro lado. Quis ter o olhar superior. Ou enviesado. Cega que fosse. E não estivesse mais sob os holofotes invisíveis da sua consciência. Quis até não ter dito nada nunca na vida. Que tivesse resistido ao ímpeto de ser do lado de fora sempre. Desde bebê recusado a repetir os parentescos incognoscíveis. As sílabas de onde se deduz os afetos completamente indizíveis, indecifráveis. Pudera então ter recusado também andar, seguir o caminho inevitável de todos. Não ir a lugar algum que lhe dissessem. Nem saberia compreender as linguagens. Seria imóvel. Com o tempo desprenderia-se naturalmente de ouvir. Primeiro, não decodificando. Depois, ignoraria por inteiro os sons. Então é que seria. Entre todos os sentidos jogados no lixo cuidadosamente, ficaria apenas o sentir. Daí saberia ser intransitivamente, transcendentalmente. Sem olhos ou espelhos. Sem ter de sair de casa para ir se dizer por aí. Sem ter de precisar as coisas inexplicáveis nunca. Pra ninguém mesmo. Sem, contudo deixar de precisar das coisas inexplicáveis. Tão indispensáveis o tempo todo. Para tudo. Dissociando o que levava consigo e tão dentro de si do reflexo externo que emprestava – já não dava! – aos outros a quem dizia-se. Viu também assim que não era só ele. Que não era só para ele. Que o que mostrava ali, gritaria ao mundo inteiro. Estava mesmo gritando ali. Platéia e tudo. Destoando da paisagem. E as pessoas ao redor jamais compreenderiam o poder que tinha de ser. O poder que tinha de não ser absolutamente como a viam ali. Em pé. Olhos cheios d’água. Frase engasgada no meio. Firmeza trêmula da maior atitude que já tomara na vida. E o gole descia queimando a garganta. Queimando a face antes artificialmente ruborizada. Ergueu imperceptivelmente a cabeça. Piscou lenta. A breve escuridão serviu como um suspiro longo que a coragem aparente – e tão verdadeira! – não permitia que desse ali. Resolveu guardar o segredo de sua recente descoberta numa sala escura e deserta de um prédio abandonado em seu espírito. E teve certeza.
Repetiu firme:

– É que eu sou!

E voltou.

sábado, julho 12, 2008

Só por hoje

Só por hoje eu sou vermelho sangue.

Só por hoje eu bato à sua porta vestindo salto alto, alguma coragem, álcool enrubrescendo as faces e peças fáceis de despir no meio dessas palavras fáceis de cuspir no meio de sorrisos leves e de graça. Só por hoje as palavras que você vai usar não importam. Só por hoje eu sou puro personagem. A roupa, o rosto já não escondem - é tudo a mais pura mentira invetada, com toda sinceridade.

Inventei com tanto carinho. Toma! Pra você de presente. Faça bom proveito. Pode roçar assim, bem de leve, a mão no meu peito que hoje eu até finjo incidente. Hoje eu tenho cara de indigente inesquecível, daquelas pessoam estranhas que passam por você na rua uma vez e ficam n'algum canto da memória, no mesmo em que fica o desejo.

Eu sou capaz, hoje, de passar pelo mundo na rua e não ver ninguém.

Hoje eu sou vermelho-intenso, vermelho-brega, vermelho-vulgar, vermelho-sexy, vermelho-ruiva-drogada-de-decote, vermelho-parado-na-esquina, vermelho-lingerie-vagabunda-de-renda, vermelho-liquidação-de-quinta-do-dia-dos-namorados, vermelho-excesso.

(Mas cuidado que vermelho envelhece também feito sangue, enferruja, enruga e fica amarronzado. Um vermelho recém acordado é feio, cuidado!)

Mas só por hoje eu fico hoje até amanhã de manhã.

quarta-feira, julho 09, 2008

Vai ver nem tanto assim

É que a loucura me esconde sob sua máscara do tudo é permitido e as vontades confusas confudem-se entre o desejo intenso de mergulhar de cabeça e o receio (in)constante de macular as imagens perfeitas.
Mas as cenas têm de ser espontâneas...
Não!
Tire essas palavras vulgares da boca, pois elas não lhe cabem. Simplesmente não combinam com o penteado, destoam como cores complementares: há de se ter muita ousadia para usar. Nâo vê? Que elas misturam lados distintos das coisas.

É que despir a maquiagem é mais difícil do que as roupas e minha alma já não fica nua há muito tempo. Por isso tem medo de que, caso a toquem, venha a público o tamanho de sua aspereza. Os meus gestos também não são crus há tanto tempo... E todo esse excesso - "no meio desse excesso, no meio desse excesso" - no meio, nas bordas, nos eixos, nas arestas, transbordando artificialidades desde sei lá quando. No fim das contas, esconde apenas o medo prosaico de ser prosaica.

Já não foi inteira. Já não sabia decidir inteira. Uma parte queria pensar no antes antes do depois, antes do casual arrependimento, da falta de coragem de assumir as vontades escondidas atrás da amnésia alcoólica.
E a parte maior queria amanhecer ali, entre sussurros leves, adormecendo de leve, um carinho de leve...

É que não cabe, como não cabe na boca. Como não couberam as palavras de ensaio, os termos comuns.

terça-feira, junho 24, 2008

(vercilo)

Aonde cresci
do que já vivi
Não me lembro de nada na vida
que mais se pareça com amor
como lembro de ti

Na minha ilusão
O seu coração
é a peça perdida
no quebra-cabeças daquela emoção
que um dia perdi

Flor,
Minha vida tá despetalada sem teu amor
e parece que nada vai mudar
Chuva que cai sem parar
deixa no canto do peito
esse gosto de dor

Vem,
Eu guardei o meu tempo de vida
pra mais ninguém
Seja fogo de palha ou seja amor
Seja do jeito que for
só de pensar em você
já me faz tanto bem

segunda-feira, maio 26, 2008

Retrato na parede

A nossa conta conjunta
De tanta labuta, acabou de zerar
Não precisa votlar para cobrir
Todos os cheques sem fundo
Pode seguir, viajar o mundo
Enquanto espero seu cartão postal
O meu crédito acabou há muito
não sobrou nem ficha
pra ligar no Carnaval
No deste ano vou me vestir de cinza
E chorar meu pranto sozinha
Com cara de quem te espera ainda
Com duas taças de vinho tinto
Visto na fantasia a máscara
da liberdade tão sóbria e vazia
Sua imagem na foto embaça
Ferida por todas as traças
dos anos em que sumiu
Mas hoje, é outra quem bebe a tinta
Do vinho tequila e cachaça...
Em todo esse tempo de só
Fiquei sem vontade e desejo
contente de apenas um beijo
a me molhar a garganta
Mudo dos dias o tempero
equilibro sem ti a balança.

(2004)

quarta-feira, maio 07, 2008

Préférence (com sotaque francês)

O cheiro de novo
Na roupa e no sexo
Embaçando os odores velhos
Das idéias vencidas.

O toque leve dos dedos,
As palavras mansas
Querendo ser os berros
Mais intensos,
As unhas querendo
Rasgar mais que os panos,
Mais que a pele...
Vontade de arrancar
Junto com o gozo
A tal verdade visceral
Que me contam,
Em sussurros ensurdecedores,
Os seios pulsando forte – juntos.
E depois de suor, suspiros,
Banho, abraço e mil carinhos,
Te vestir de boneca,
Te pintar o rosto feito porcelana
E te ver distante,
Os passos tão firmes
Das pernas que sei tão frouxas.

segunda-feira, maio 05, 2008

Olha a gota que falta pro desfecho da festa:

Ressuscitando das cinzas, das gotas, das poças de sangue, de água e de choro. Nem que eu bebesse o mar, encheria o que eu tenho de fundo...

Chico Drummondiano:
A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amavaCarlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

sábado, julho 07, 2007

Tô sempre escrevendo cartas que eu nunca vou mandar
Tô sempre ensaiando coisas que eu nunca vou falar
Amores secretos, revistas semanais, deputados federais...
A vida é uma viagem - passagem só de ida
Há quem diga que não vale, há quem mate pra viver
Não perder a razão pra ganhar a vida nem perder a vida pra ganhar o pão
Segredos secretos
As coisas mudam de nome mas continuam sendo o que sempre serão
Às vezes tudo muda e continua tudo no mesmo lugar
O que eu faria no seu lugar, se tivesse pra onde ir e não tivesse que esperar
Às vezes não entendo o que quero dizer qnd fico calada.
Os dispostos...
Cada dia-a-dia a sobreviver
o caminho é um só.

sexta-feira, junho 22, 2007

Simetria ("eternidades da semana")

Também não há como fazer mal
o simples fato de não ser igual:
às vezes o amor amorna,
parece apenas normal.
Não que esfrie, mas
o sangue morno passa mais fácil pela garganta.
Não é porque ganha entorno
que o amor deixa de ser eterno;
pode parecer sangue-frio
o amor-mór ficar normal,
fica leve de levar
e talvez só menos desigual.
Não faz mal o amor-mór
não fazer mal.

Se só deixa de ser metade
(Atinge a meta?)
Se deixa de ser tão inteiro
(Fica mais intenso?)
Se fica mais inteiro
(E menos tenso?)

[Nós ficamos mais inteiros
quando não somos Nós
Nós ficamos mais intensos
quando somos só nós mesmos
- nós só somos Nós quando estamos sós]

NÃO SE MORRE MAIS DE AMOR!
- Porque a partir de agora
não há mais ressurreição -

O amor-mór
nunca se quis eterno.
Morre o amor,
ficam os sentimentos ternos.
O amor-mór
nunca pretendeu herdeiros.
Amputam uma metade,
deixam antigos meios.
Puta com as pretensas perfeições
prorrogadas do pretérito,
até as feições mudam
diante dos mesmos fatos.
Fetos de um velho sonho,
viga do amor de aço!
Diante do amor-mór,
eu me nego e me amordaço.

segunda-feira, junho 18, 2007

Há mistério em quase tudo...

O que não tem explicação, ninguém precisa explicar.
E as coisas findas?
E as coisas findas?
E as coisas findas?
Eu sei das infinitas,
que fincam
e ficarão.
Talvez a eternidade exista.

quinta-feira, junho 07, 2007

Não sei não...

Uma vez, há alguns anos, alguém me disse pra ter cuidado e não perder. Mas acho que foi inevitável. Excesso de vida talvez. Sabino já disse, dizendo o que um outro que eu nem lembro havia dito, pra escrever é preciso abdicar da vida. E eu prefiro pensar assim. Não é falta de talento, vontade ou o que quer que seja, apenas excesso de vida. Só uma escolha a mais movendo as engrenagens inúmeras que constroem o destino. Às vezes eu paro pra pensar e não me arrependo das escolhas que eu fiz pelo caminho. "Mínimas vírgulas de uma vida enorme"!
"O mundo é bão, Sebastião"!


...e meu também...

terça-feira, maio 08, 2007

Escuridão
noite liquefeita
tudo toma forma
do corpo que se deita
na escuridão

escuridão
nenhum olhar aceita
tudo se transforma
numa cama desfeita
na escuridão

escuridão
hora da colheita
pra quem semeou vento
numa cama desfeita
na escuridão
um corpo que se deita
um corpo em tempestade
agora já é tarde

solidão
hora da colheita
pra quem semeou o vento
num corpo que se deita
na solidão
de uma cama desfeita
um corpo em tempestade
agora já é tarde

no inverno fica tarde + cedo
só depois de perder você descobre que era um jogo
um jogo que não acaba nunca, nunca acaba empatado
se foi um jogo, você ganhou: eu perdi a direção
se foi um sonho, se foi o céu, eu não sei
eu que não sei perder, perdi o sono
na escuridão, na escuridão
só depois de perder você descobre que era um jogo
um jogo que não acaba nunca, nunca acaba empatado
se foi um jogo, você ganhou: eu perdi a direção
se foi um sonho, se foi o céu, eu não sei
eu que não sei perder, perdi o medo
da escuridão, da escuridão

segunda-feira, abril 02, 2007

Se pudesse tornava a minha vida um poema curto
pra alguém ler e chamar de chato
Amassar, tacar num saco
ou enrolar bem fininho
e fumar devagar sob a aurora ou ocaso
Ou esmigalhava em mil milhões de átomos de vida
Punha numa garrafa de uísque vazia
Entornava pra dentro
e de cara lavada
- mas nem tão limpa -
encarava sem poder mutar
o vivo irreversível lá de fora.

sábado, março 24, 2007

3x4

Composição: Humberto Gessinger

Diga a verdade ao menos uma vez na vida
Você se apaixonou pelos meus erros
Não fique pela metade
Vá em frente, minha amiga
Destrua a razão desse beco sem saída

Diga a verdade
Ponha o dedo na ferida
Você se apaixonou pelos meus erros
Eu perdi as chaves
Mas que cabeça a minha!
Agora vai ter que ser para toda a vida

Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer

O que não dá pra evitar
E não se pode escolher

Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho
Eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho
Feitos um pro outro... feitos pra durar
Uma luz que não produz
Sombra

Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer

O que não dá pra evitar
E não se pode esconder

Nuvem

Composição: (Humberto Gessinger)

Se está com ele está sozinha
e sozinha não quer mais ficar
se está com ele é porque quer
porque não quer mudar

Diga adeus
diga adeus ou não diga nada
diga adeus

se está chegando o fim da linha
'tá na hora de saltar
se está com ele está sozinha
e sozinha não quer mais ficar

diga adeus
diga adeus ou não diga nada
diga adeus

não vá perder a hora certa com a pessoa errada
diga adeus, !adeus!


a vida não pode ser um contagotas na tua mão

chuva que não chove...sol que não sai
a vida não pode ser medida com precisão
motor que não se move...nuvem que não se vai

se está com ele está sozinha
e sozinha não quer mais ficar
se está chegando o fim da linha
'tá na hora de saltar

não vá perder a vida inteira com a pessoa errada
diga adeus, diga adeus

vai chover, vai secar, serão águas passadas
diga adeus, !adeus!

domingo, fevereiro 18, 2007

Ando precisando de amigos. Estou carente, ando down, à flor da pele e às vezes esqueço como sempre fui passional. Minha vida não me cabe e ao mesmo tempo sobra muito espaço. Minha casa me engole e me sufoca. Minha garganta tem um nó que de jeito algum desata. Numa palavra: triste.
Mas eu conheço tantas palavras que não sei usar e outras tantas que não conheço. Tem dias que acordo e quero me jogar no lixo. Noutros só quero saber quem sou e de onde vim. Tenho medos e solidões. Tenho desejos e coragem.
Tem dias que acordo e acho que não vale a pena. Já mostrou que não vale. Mas quando vou dormir sempre ardo em desejo. Eu quase nunca entendo - quando estou sozinha - esse vórtice no meu peito. Nunca sei se estou mesmo só ou se posso contar com alguém. Tenho muito o que dizer e niguém para ouvir. Me doem alguns passados. Algumas pessoas, apesar das mágoas, fazem falta. Outras fazem pela distância. E fico achando, só pq não as tenho, que elas seriam as únicas que poderiam compreender. Mas no fundo eu sei que ninguém mesmo entenderia. Porque eu não sei dizer.
Eu me sinto. E longe não sei até onde poderia ir. Sozinha eu não garanto, não sei ficar.
Já tentei desatar os nós, mas meu peito não deixa, acostumou-se a eles. Frouxos e indesatáveis. Angustiantes. Acho que não sei mais ser desse jeito. Às vezes eu acordo assustada e vejo que não tem mesmo nada a ver. Já perdi tudo o que tinha pra perder. E o que eu tenho parece pouco, sempre parece quando vou dormir.
É vc que sempre aparece quando eu penso que já consigo fugir.
Não sei.

Bloco do eu sozinho

É Carnaval... As ruas sabem, vazias de gente, repletas de folia. Fuligem nos olhos de vento no rosto, sol também. Uma angústia gritante no peito. Vontade de gritar gritos de desespero invés dos confetes. Batidas no ouvido. Abram alas que eu não guardei nada pro Carnaval. Não pintei o rosto, não ficou nem um resto, não me vesti de cinza. Passou. Não vi tequila nem vinho. Não tem cor alguma na minha avenida.
Os rios de asfalto não me levam a lugar nenhum. Os mosaicos coloridos da caixa-preta não me ferem nem m falam. A cidade anda calada entre uma e outra marcha. Pinta-se de bolas, confete, serpentina. Põe chapéus coloridos na cabeça vazia. Canta, dança, pula, gira, encanta. eu quieta. Esquecida n'alguma cidade submersa que o meu carnaval não é esse. É mais longe. Meus blocos montam casas, contam outras estórias. Passam alas, muitas casas, avenidas. Reflito no espelho uma tez desconexa, fora de contexto. Sento-me quieta com meus livros, jornais e cadernos - cantando marchas, sambas, marchinhas. E vamos todos na solidão de dia do Rio seco e vazio de gente. Enlouqueço qualquer dia.

sábado, fevereiro 10, 2007

"Sempre que eu preciso me desconectar
Todos os caminhos levam ao mesmo lugar,
É meu esconderijo, o meu altar,
Quando todo mundo quer me crucificar.
Eu só quero estar com você...
Ficar com você.
Quando o tempo fecha e o céu quer desabar,
Perto do limite, difícil de agüentar,
Eu volto pra casa e te peço pra ficar...
Em silêncio... só ficar...
Eu tenho muitos amigos, tenho discos e livros,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Tenho sorte e juízo, cartão de crédito e um imenso disco rígido,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Quando eu mais preciso... ...eu só tenho você.
Tenho a consciência em paz. (só tenho você)
Tenho mais do que eu preciso. (só tenho você)
Mas, se eu preciso de paz, eu só tenho você.
Tenho muito mais dúvidas do que certezas.
Hoje, com certeza, eu só tenho você.
Eu tenho medo de cobras,
Já tive medo do escuro...
Tenho medo de te perder. "

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Os meus/Prece

Não perdi ainda o chão
nem tampouco a esperança
Aprendi desde criança
a chorar pra ver se vem
E juro, chorando comovo até deus
Mesmo não sendo mais neném
Sem saber mais dizer amém
De pé, manhazinha no trem
Eu chamo por deus
e juro! ele vem
Não é pq já me achei no lixo
Amei um e outro vício
Que não posso pedir com beicinho
Pode ver, ele cede aos meus caprichos
Já derrubei foi lágrima
Reguei por demais o chão
E quantas vezes de cara lavada
já o vi estender-me a mão
Ele se faz de surdo
e brinca comigo no carnaval
Depois briga comigo
mas traz sempre presente no natal
Não me pede reza
mas no centro da mesa
um brinde ele não despreza
É porque eu sou bem moça
É porque eu to de fossa
e msmo assim faço festa
Toco cá minha bossa
e não há quem comigo possa
Ninguém mais comigo enfeza
Porque eu não sou só eu
Se pisar no meu calo
Se tentar cobrar mais caro
Se der mais de um disparo
Se tocar no meu cigarro
ou pedir mais de um trago
Se bater no meu carro
Ou não pagar o emprestado
ó, que eu abro o berreiro
Posso não ter tanto jeito
Mas comovo até deus
É pq eu sou bem moça
é pq to de fossa
e msm assim faço festa
toco cá minha bossa
e não há quem comigo possa
nem mesmo deus
perdoa, senhor
esqueci de dizer:
é que eu sou ateu.

"Uma palavra sem significado"

Hoje já pouco importa
o que tranca a porta
ou quem bate nela.
Cansei de esmurrar as pontas
de facas e cigarros,
pois quando vc me aperta
não penso em estar alerta.
E pouco me fodo
pra porta aberta.
Não me interessa mais ouvir
seus discursos e juras,
tampouco a canção no rádio.
Mesmo esmurrando e surrando
qualquer letra que me apareça
fico cá pensando
no quanto não sou mais a mesma...
É só o amor, meu amor;
o pré-amor, o pós-amor.
O amor desarmado, desalmado.
Acho que eu tava procurando um céu
e não vi que eram só paredes azuis.
Depois dos sonhos,
os sonhos ficaram
e os meus escombros se remoldaram.
Os planos foram surgindo
inevitáveis
com o passar dos anos.

Mas, vez ou outra,
numa gota de surto psicótico,
eu vejo quase a contragosto
a canção ainda linda
as juras meio foices
e cada vez mais doces.
O aperto na pele e no peito,
sempre um deleite louco
e sem nenhum receio.
E nossa porta aberta
com desleixo trancada.

sábado, dezembro 02, 2006

A saudade é arrumar o quarto do filho que já perdi...

Eu tenho tido muitos sonhos perigosos.
Me visto de vermelho e ando corajosa pela vida.
Coragem é uma exigência muito cruel.

As vias se cruzam, entrelaçam e descruzam muito rápido ultimamente.
Tenho medo de um dia não dar mais pé.
Eu vi muita coisa passar por aí e acabei me deixando ficar em alguns cantos.
Paredes confortáveis de amarelo-sol.
O tempo não pede licença pra te atropelar, mas ele vira de costas depois que já passou e te dá um tchauzinho irônico.
Já vesti muitas máscaras pelo caminho. E algumas delas deixaram marcas profundas no meu rosto.
Hoje eu me despeço do tempo que já se foi. Lembro de roupas que agora só são lembranças... Guardo memórias e lugares eternos. Fica um monte de conhecimento inútil na cabeça.
E de tudo, conquistei pessoas lindas que o tempo, ainda que afaste, não apaga. Os rostos sorriem lindos nas fotos que eu vou lembrar e guardar.
Passei na rua e alguém chamou: - Pedro II!?
E eu vi que era comigo mesmo...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Enquanto eu devia estudar matemática...

A minha vida é um poema!
Não dá pra fugir disso.
Depois de buscar siriemas
e sanpoernas de menta
eu descubro - não tem jeito -
minha vida é poesia.
Dessas antipoéticas
cheias de coisinhas,
obstáculos chatos,
assim, com um monte de vida no meio.
A montanha canta se você parar para escutar
e as estrelas fazem barulho de sorriso
Não é pra ter explicação
nem pra parecer bonito.
Tem gente que faz aniversário
e pode até ser só por isso
que as coisas caminham pro caminho que precisam seguir
E tudo dá certo no final.
Só que o certo é muitos jeitos.


(OBS: Eu finalmente estou aprendendo a andar com as duas pernas que agora tenho.)


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Fora isso,
a saudade é um castigo pior
quando é saudade
da saudade que existia.
Fui tão infinita
quanto o tempo permitiu.
Tenho saudade de ter tempo
correndo solto e sem pressa.
Saudade daquela saudade
que imprensa o peito,
sufoca a alma
e desacaba num suspiro qualquer...
Mas eu há muito sabia
que o tempo não pára
e a saudade, vadia!,
perambula um montão de esquinas
e de tão esguia
me fugiu aos dedos.
Eu, tão menina!,
fiquei esperando alguém me olhar da janela.

sexta-feira, novembro 10, 2006

E a liberdade, quando é que volta?

Houve um tempo em que eu esperava o futuro com ânsia. O porvir - juro! - parecia promissor.
Eu já não sei se a vida perdeu a leveza ou se fui eu que aprendi a caminhar com esse ar pesado. O que eu perdi foi aquela noção de liberdade. A liberdade para encarar o mundo. Aceitar que, de um jeito ou de outro, tudo acaba se arranjando.
Eu não cresci, eu não mudei tanto assim. Entretanto, eu não sei mais esperar nada do Natal. Comemoro a Páscoa apenas para dormir. Os aniversários são dolorosos - nunca contem nada daquela esperança leve que eu desejo aos outros. Outro dia me disseram que eu parecia mais velha. Logo eu, uma menininha! O que me pesa nos olhos é a seriedade da vida. A busca de resultados que não vêm. A desesperança dos romances mal resolvidos.
Aliás, eu já me perdi dentro de mim. Perdi a boneca-flor-botão-crescente que olhava pra lua e sabia que viver era mágico e sentia o vento do mar nos olhos e chorava não de vento, mas de emoção transbordante. Nesse tempo, as distâncias pequenas do cotidiano eram passaportes para outros mundos. O peito desparava com qualquer felicidadezinha. Eu tinha refúgios dentro de mim e dos meus caminhos.
Hoje o tempo passou e a vida tá séria.

Tenho muita saudade de mim e dos que me rodeavam - aqueles bons amigos...


sexta-feira, novembro 03, 2006

Um dia em que eu tava transbordando...

Lula eleito. Sérgio Cabral também. Fotos. Fotos. Fotos. Francês. Pedro Correa do Lago. E eu - mesmo sem números - aqui sangrando. Hoje a comida não tinha gosto e eu pensei por um momento que eu nem tivesse vida. Meu Deus! Eu tenho uma vida inteira pra arrumar. Estive de luto. En français je ne peux pas utiliser le verbe sans le pronom. Respeito. Perspectiva. Colapso. Não amo ninguém, parece incrível! E não há um vazio fundo e doloroso, em lugar disso, uma urgência menor de sofrer. Nem por isso o peito desacelarou de vez, a vida ainda brilha intensa em mim. Uma vez aprendi que todo aprendizado é eterno. Aprendi também que o desespero da vida vale e muito a pena, e que tudo tem o seu tempo. O tempo arde. E quanto dele a gente já perdeu... Tantas frases engasgadas. Paixãozinha. Agora sim o presente parece ter se tornado passado. Juro que vi um ponto final, a princípio tímido, mas mais um pouco acaba até um capítulo. E eu juro que guardo ele com carinho na gaveta.

Fase de transição e cheia de medos. Eu não sei agora o que eu faço com essas coisas que só ele sabe. Muita falta de vergonha na cara isso.

A cada amor que nasce, brota uma flor na calçada. A cada amor que morre, guarda-se uma pétala seca dentro de um livro. Eu queria saber se só existe mesmo um amor. ("o amor não pode ser um"!) Vi meu amor cair na calçada e alguém passou distraído, pisou. Pena, fosse uma manhã de sol, a flor teria pisado no alguém. Eu não sei, apenas me disseram, que é muito preciso e necessário dizer o q se sente. Mas tem também q dizer o q não sente mais? Alguém distraído pisou na minha flor de amor e, sorrindo de leve, passou quase acanhado.

Garanto que uma flor morreu. Mas também garanto que ela um dia existiu e era a mais linda numa terra sem jardins.

- (frase engasgada.) -

domingo, outubro 22, 2006

Minhas confusões mentais

Já me acostumei na insegurança
De quem não quer sofrer
A paixão certeira que nos alcança
Quem poderá prever ?
A profundidade e o envolvimento
Não dá pra controlar
A longevidade do sentimento
Só o tempo dirá
Pode ser uma nova ilusão
Pode ser esse meu coração
Ou será o amor, ou será
Quando a tua boca me rouba um beijo
Sinto meu chão rachar
Amo os teus contornos, em ti me vejo
Dentro de teu olhar
Mas bem lá no fundo me bate um medo
Medo de me entregar
Vem que todo mundo tem um segredo
Me ajuda a desvendar
Pode ser uma nova ilusão
Pode ser esse meu coração
Ou será o amor, ou será

segunda-feira, outubro 16, 2006

Entre murros e aquarelas

Pensar nas pessoas é ruim
Olhar muito de perto enoja,
que nem quando você tem hipermetropia e enfiam um papel bem na sua cara
Fica tontinha
Hoje em dia tudo é arte
O muro torto pintado de piche com um quase menino de fuzil na mão é q não é
Porque ninguém vai tirar uma foto e mandar pra imprensa
Senão era debate com MVBill na TVE
E motivo de revolta, pena! pros jovens idealistas da burguesia
Assim, igualzimquinem eu
Desses que procuram problemas
pra escrever um bonito poema
desses angustiantes
que fazem querer mudar o mundo
acabar com a fome
querem Tanto!
Não, não é qualquer coisa que é poesia
Não é isso que é arte.
Eu vi um menino no muro colorido com um fuzil na mão
E não era bonito
Não era assunto pra um poema
Isso não é poema.

prá Babs

quarta-feira, outubro 04, 2006

Saudade

Porque essa é a única palavra na minha cabeça. Porque os amigos não deviam voar, deviam crescer junto de nós.
Porque eu sei que os amigos voam, o tempo passa, a gente cresce, a vida segue.
Ou porque eu to morrendo de saudade da natassja mesmo.
E qnd eu escrevi "ou" quase saiu oui.
Ai, vida...
Mundo mundo vasto mundo.
saudade é um troço bem fundo...
hehe.

terça-feira, setembro 19, 2006

Náusea

Da última vez que te vi, vomitei.
Vomitei nosso filho que não tivemos
Nossos sonhos que já morremos
Nossos dias de chuva e sol
Nossas noites de palavras confusas
Vomitei nossa música, seu cabelo, sua guitarra.

As cartas, as frases, os silêncios eternos
Todo aquele escuro
- a luz acesa -
Os sussurros no ouvido.

Guardei mesmo só os olhares criminosos.
O encostar lento de lábios.
Ficaram dentro de mim os gozos e as peles quentes se abraçando.
Afinal, é o que mais vale a pena.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Memória Drummoniana

RAIOU - Jorge Vercilo
Eu já nem sei
se ainda tem jeito ou terminou
Na minha vida ela marcou
Marcou, marcou
Tudo que ela me deixou
reinou, reinou
De castigo estou
Quando ele vem
ele desarma um coração
Eu fico zen, eu perco o chão
Raiou, raiou
mas voltar atrás não vou
não vou, não vou
Decidida estou
Só sei tudo que sonhei,nela eu encontrei
Se ela não vem,não haverá ninguém
Eu abro mão de amar e querer bem
Eu sei que o tempo vai sarar
Se ele me deixar,posso acostumar
mas essa luz no olhar ...
Eu abro mão de querer bem e amar
Ela voltou
só pra buscar o que restou
Meu coração se iluminou
Raiou, raiou
quando eu vi o meu amor
Raiou, raiou
Já não sei se vou

Bem, - oudeveria dizer mal - a vida nunca é exatamente como a gente quer e isso já é recomendação inicial da bula de nós mesmos. Piora é quando nós começamos a não ser como queríamos, ou quando somos e ser se torna incabível em nossa vidinha provinciana. Saudade é ruim e isso eu já devia saber há muito tempo. Mas não desse jeito, não longe assim... A vida é reticenciosa e estar distraído é elemento essencial para não se perder, só que perder é uma parte de ter. É quando mais se tem vontade e mais se sabe que já teve. Lembrança é pior e melhor que saudade, às vezes é quase um conforto. Porém, confrontos são doloridos e deixam marcas piores do que essas que por aqui já vão sumindo. Estou só como sempre fui. Tenho essa alegria superficial necessária ao convívio social. Mas trago agora também uma inevitável sinceridade resultante dos sofrimentos da vida. Traduzindo: Não pergunta não que é bem capaz de eu responder. Fiz isso hoje. Lágrimas vãs não valem de nada e se preservar um pouco é necessário. Ninguém é forte o tempo todo, mas há quem não o seja em momento algum. Estou precisando de gente, de vida. Precisava de um riso sincero também. MAs o mundo não é sincero, só eu sou e ninguém = ninguém. Seria bom não me escutar, pois estou gritando aqui. Gritando meu silêncio particular. Não sei se dói mais perder perto pra sempre passageiro ou perder longe infinito definitivo quem se ama. Amor vale a pena, mas só enquanto não é passado. Depois fica roxo, verde, escuro até cicatrizar por fora. Mas tem coisas que dentro teimam em não apagar. Agora é a própria menina que paga pelos erros que não cometeu.

segunda-feira, junho 19, 2006

"Estamos tão ligados, já não temos o que temer"

"Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei prá ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia, ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
O que fazes por sonhar
É o mundo que virá prá ti e prá mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor..."

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"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Teu paletó enlaça o meu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Meus seios inda estão nas tuas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir."

segunda-feira, junho 05, 2006

"Toda vez que falta luz o invisível no salta aos olhos"

Não dá pra ser eu só por dentro
E fingir que não vem nada de fora
Nem pra fingir que sou o centro
do meu próprio mundo agora
Meu mundo de dentro
não pode sair
Meu mundo de dentro
não quer ver o mundo
não quer ver a vida passar
Meu mundo se tranca
Ele se prende
Toda vez que ele me prende
Só ele sabe o que meu corpo sente
Mas meu mundo não é só meu corpo
Minha alma não ´tá no rosto
exposta a todo olho
Mesmo assim não nego
Algumas vezes, olho no olho
não tem como mentir
E nem quero
Um dia eu aprendi o que quero
Quero ser feliz!

17 anos, aí vou eu!

A partir de agora nada começa com pontos. Eis que uma menina – já não tão menina assim – acorda certo dia e BAM!, há uma mancha vermelha no seu rosto. Sem maiores dramas, sem maiores novidades, simplesmente mais um aniversário. Um ano a mais para ver quando se olha para trás. Menos tempo de vida também, só que sem motivo para depressão por isso. Acima de tudo um dia de sentir-se gostado. Não necessariamente. Parando para pensar... De porta trancada, com som bem alto, aquela tal essência que costuma se esconder da vida social pode aflorar livremente. Isso! Dia de saber um pouco melhor quem se é, o que se quer fazer e o que se quer ser. Se possível, ser a gente mesmo por mais que isso possa parecer grotesco em alguns espelhos.
E que nunca mesmo alguém ouse me dizer que os pedidos de quando se sopra a vela e corta o bolo são bobagens. Pois eu afirmo com toda certeza que se pode ter: eles se realizam! Realizar. Buscar coisas/pessoas que nos façam bem e seguir todas as vontades por apenas um dia. Apenas um dia normal. E o dia passa rápido. São só vinte e quatro horas como todas as outras que temos todos os dias quando acordamos.
A diferença está no fato de que alguém um dia nos disse que esse dia era especial. Todos acreditaram sabe deus porquê. Talvez porque dá muito trabalho viver como se quer ser todos os dias. Só que a vida passa muito rápido...

terça-feira, maio 02, 2006

Boneca de pano

Feita de louça
Torna-se moça
Cresce de repente
Feito sol nascente

Passeia tranquila
Dobrando as esquinas
Dobrando o papel
No meu carrossel

Menina tão doce
Amor, tão amada
Me pede que fosse
De novo apaixonada

Faça o que quiser,
boneca de pano,
te faço mulher
ao som de um piano

Em algum dia de 2003

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14 de abril de 2006

A boneca de pano, de tão remendada, acabou mesmo virando mais que enfeite de prateleira. E olha que ela também nunca teve manual. O som do piano passou sem que ninguém parecesse ouvir... A boneca, ali na rua, anda apressada, embora muito segura, sobre o salto alto. Ela agora se pinta das cores do céu para esconder as marcas do peso dos anos. Mas os anos nem passaram de verdade no relógio... Em contrapartida, a alma vai cheia de rugas, esguia e segura dos modos que tem. Há quem só veja a boneca nua, sussurrando entre sonhos secretos um prazer indescritível.
Outro dia mesmo cruzei com ela na esquina. Parada esperando lhe vir a vida sem saber que esta não vem. Só sabe ir...

segunda-feira, abril 10, 2006

Tudo novo de novo

O meu começo não tem ponto, não tem vírgula e não há de ter nada. Fica eleito o vazio pra meio de transporte. Pois que há sim cura para toda loucura. Há fim para toda dor, assim como também há prazer no sofrimento. E há o medo de envelhecer, medo do tempo passar e tudo ir embora, ou a gente mesmo ir e tudo ficar aqui. Mas a gente se desfaz em mil partes nessa vida, vai deixando por aí caquinhos de nossa essência desnecessária. E da filosofia do nada eu fico com a busca por coisa alguma. A busca. Mas com uma confiançazinha de que encontrando ou não - sabendo que mais provavelmente nada de encontrar - a vida é só o que temos. Pois não dá pra confiar no futuro. Não dá pra confiar que Deus vai mesmo nos levar pro céu só porque mergulhamos num rio, piscina ou molhamos um pouquinho a cabeça. É, não há mesmo garantias. Mas há vontade. E ela pode bastar. Vida besta essa... Afinal, uma hora ou outra a gente acostuma, com vinte um dias vira hábito, e simplesmente vai vivendo. Pois a vida é mesmo simples e mágica. Dói muito às vezes, mas quem foi que disse que a dor não é simples? E sempre passa... Assim como os momentos bons... O que me faz entender certo desgosto com o tempo. Motivo algum para comemorar datas se a certeza do porvir é nada perto das lembranças que nunca hão de voltar. Mesmo assim a gente segue. E vai vivendo...

quarta-feira, abril 05, 2006

O último-primeiro-dia-de-aula de nossas vidas

Com esperança de cura de um suposto e auto-diagnosticado Transtorno Bipolar com quadro agravado de Tripla Personalidade. Por alguns chamado de Frescurite Agudíssima ou Falta de Porrada/Problema Generalizada.

Mas não importa. Tem uma grade impedindo minhas palavras. Há obstáculos impedindo qualquer um de se aproximar fisicamente dessa louca desvairada. Por isso eu explodo. Em tristeza profunda... Mas acalmem-se, eu já pus os remédios no lugar. Não foi dessa vez que entrei pra História.

Nesse exato instante, e desde que acordei, estou eufórica.

Queria dizer muito mais, só que estou sem tempo e afastada das palavras há alguns dias.

segunda-feira, março 27, 2006

Algumas considerações aleatórias sobre a vida

Então um dia eu descobri que queria ajudar os outros. Que queria ensinar-lhes tudo o que pudesse. E para isso é preciso aprender tudo o que puder. E sim, a gente aprende com o que já sabe. Chama lembrar. Redescobrir como verdades coisas que a gente achou que nem valiam mais. Chama origem também. É da onde a gente vem, de tudo o que aprendeu. É de vez em quando lembrar o motivo pelo qual a gente age. Sabe como e porque aprendi um dia cada coisa que sei. E ficar feliz simplesmente com a euforia de tudo que ainda posso aprender. E saber que não vou aprender tudo o que quero. Que algumas lições são difíceis, posso errar muitas vezes, mas desistindo fácil eu não tenho como saber se conseguiria.
Descobri um dia que sempre amei as palavras. A referência mais antiga que tenho de mim mesma é que sempre quis ser bailarina. Não sei o que é ter um pai. Nunca chamei ninguém por essa palavra, mas sei o que é ter várias pessoas tentando me proteger ao mesmo tempo. Cada uma à sua maneira. Talvez por isso eu tenha essa ânsia insaciável por uma liberdade que sequer saberia definir. No fundo, gosto de seer cuidada e protegida, mas prefiro é estar no controle. No entanto, o mundo não cabe nas mãos. Não é sempre que consigo deter tudo com meus dedos, como também não é sempre que quero isso. Devo ser bem frágil, ou melhor, sou frágil. Por isso é preciso ter precaução com os sentimentos, manter certa distância, por segurança. Dos outros também, pois tenho o costume de machucar os outros. Dizer que é sem querer é demasiado piegas. Machuco os outros quando é uma questão de escolher entre a felicidade deles e a minha. Eu geralmente escolho a minha.
Tento parecer forte, só que às vezes é muito difícil. Tenho habituais contradições humanas. Acho que emoções são importantes e devem ser expressadas. De modo algum são sinônimo de fraqueza.
Fico pensando se a sociologia, ao invés de tentar entender o comportamento humano, não o está mecanizando. Sou mecênica às vezes. Conheço bem o gosto de minhas lágrimas por outro lado. Deixamos de ser máquinas quando, no meio do trabalho, nos dá vontade de fazer sexo com a pessoa que amamos. Ou quando no meio do trânsito, atrasados, queremos saber como está um amigo.
Dizem que palavrões não combinam comigo. Mas uma das mais importantes declarações de sentimento que já recebi veio regada deles.
Acho que amor é para poucos. Pois deve ser inteiro, intenso, incondicional. E por mais que a gente não perceba, ele nos desgasta. Com a melhor sensação de desgaste do mundo! Incondicional é uma coisa difícil às vezes. Porque as pessoas que amamos podem nos magoar. Amor é quando a gente sabe que tem razão e mesmo assim pede desculpas. Pois razão não é tão importante quanto o sorriso de alguém. Mas amor termina... Paixão é quando a gente pensa que, se determinada coisa acontecesse, não seria possível parar de remoer. Perdão é uma demonstração de sentimento de superioridade. Deve ser invenção da Igreja. Ninguém tem o direito de dar. Justiça é uma coisa importantíssima, vem de valores coletivos, que devem ser respeitados e periodicamente questionados.
Há uma sensação desesperada do peito que eu chamo êxtase. Ao mesmo tempo em que se quer segurar o mundo, achar que o tem nas mãos. Mãe é uma palavra estranha. Um hábito, uma pessoa pra quem não se tem vergonha de pedir e por quem se deve ter incontável gratidão. Família a gente não escolhe, mas pode conhecer pessoas maravilhosas - que o acaso nunca nos apresentaria - através dela. Pode descobrir o ódio dentro dela também. No mais, a gente vai vivendo.

quinta-feira, março 23, 2006

Não sei dizer...

A vida é espontânea demais pro meu gosto às vezes. Já é bem antiga a história de que não adianta pensar como teria sido, mas muitas vezes é também inevitável. Moulin Rouge. The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return. Vontades movem a vida. Pode ser aparentemente impossível aceitar algumas vezes. O que estou pensando? Ah, eu estou acima de tudo vivendo. Eu sei que nos parece um fim dos tempos, mas há muita coisa pior no mundo. Coisas que talvez nem suportássemos. Hoje não há imagens. A gente deixa passar coisas e não adianta chorar depois. Lágrimas são diamantes e diamantes são the girls best friends. Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar. Meu coração se divide em vários e quem poderá me entender? O Chapolin Colorado.
Eu ontem tive um pesadelo. Ontem à noite eu conheci uma guria que eu já conhecia. Já era tarde, era quase dia. A saudade é arrumar o quarto do filho que já perdi. E passam muitas meias, passam muitas horas. Tanto que chega um dia em que mudar a vida é uma questão de escolha. E abrir mão do que se tem não é opção. Se tudo passa, talvez você passe por aqui e me faça esquecer tudo o que vi.
Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho o café com guaraná... A canção tocou na hora errada...
E eu já nem sei de que forma mesmo vc foi embora.
Entre por essa porta agora que eu não vou gostar de vc porque sua cara é bonita. O amor é mais que isso. Deixa de bobagem vem cá que eu estou aqui agora. Inteiro, intenso, eterno, pronto pro momento e você cobra. Deixa de tolice é claro e certo e belo como eu quero. O corpo, a alma, a calma, o sonho, o gozo, a dor e agora pára. Será que é tão difícil aceitar o amor como é? E deixar que ele vá e nos leve pra todo lugar... Como aqui. Será melhor deixar essa nuvem passar e você vai saber de onde vim, aonde vou e que eu estou aqui! Nunca foi tarde, começamos o fim, é assim. O melhor pra você, o melhor pra mim. Eu não voltaria mesmo e você bem podia ter ficado aqui. Mas agora é mesmo tarde. Preciso ir.

quinta-feira, março 16, 2006

Quem foi que disse que eu era forte? Nunca pratiquei esporte e nem conheço futebol...


... o meu parceiro sempre foi o travesseiro e eu passo o ano inteiro atrás de um raio de sol. De lutas de alma eu entendo um pouco. Há muito o que fazer no mundo me disseram. E começar por mim, há de se aceitar as diferenças dos outros antes de exigir que aceitem as nossas. Há que se saber que nunca seremos aceitos também. Como disse minha amiga Babs: o negócio é torcer pra não nascer humano da próxima vez. Um belo dia eu resolvi mudar e fazer tudo o que queria fazer. Mesmo assim é ilusão achar que vou me libertar fácil assim da vida vulgar que eu levo. Tudo é tão difícil que eu não vejo a hora disso terminar e virar só uma poesia no meu caderno. Pois quando eu digo só, eu digo só mesmo, porque isso não é nenhum mérito. Outro dia me perguntaram como andava minha produção literária e eu acabei concluindo que o que há de melhor no meu caderno de confidências é a capa mesmo.
Se eu sou uma pessoa interessante? Acho que sim, como qualquer um observado a uma distância segura - como me disseram uma vez. Ai, céus, é difícil isso de ter mil e uma motivações para continuar vivendo. Tava certo quem disse que não haveria ninguém para compreender detalhadamente tudo o que se pensa. Pensar não leva ninguém a lugar nenhum. Imaginar talvez.
Algumas pessoas a gente vê uma vez só na vida e nunca vai esquecer. Alguns acontecimentos deixam marcas profundas na gente. Essa foto aí foi da viagem que fizemos com o colégio, para Paraty, no primeiro ano. Eu lembro bem que esse dia me doeu na alma. A novela nova - por incrível que pareça - resgatou isso em mim. Essa dor atrasada pelo abolicionismo...
Eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês.
O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar, o amor só mudou de cor, agora já tá desbotado... Corra lá vem a tristeza atirando pra todos os lados. Pegue o vestido estampado e guarde prum Carnaval, guarde que eu nunca te quis mal. Até um feriado... Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar. Como velhos desconhecidos, se você não me escuta eu não vou te chamar.
Consideramos justa toda forma de amor - mesmo que não a entendamos.

segunda-feira, março 13, 2006

Daria tudo por meu mundo e nada mais.

Eu vou é forrar as paredes do meu quarto de misérias com manchetes, tragedies e poemès pra ver que toda brincadeira é séria e vou provar pra todo mundo que não existe perdão. Portanto, não há mal nenhum em sermos todos chatos. Tolos em banco de praça, alimentando as ideologias e as baratas poesias alheias. Eu tenho é medo do mais fundo escuro. E – a quem pergunte – me dou muito é bem com a tal solidão. Só que fui descobrindo na vida que sofrer junto pode ser também muito bom.
Um dia esqueceram de me dizer como era ou que tinha que fazer e eu resolvi que nem queria mais fingir que amor não existe. Ora, ele existe. Mas falar de amor é um saco. Então, ir pra vida ou ficar na mesmice do prazer já nem faz diferença, já que se pode ir e vir por direito. E se pode ir mais longe quando se fica quieto, escutando... No mesmo lugar. Todos os dias iguais têm o agravante de serem cotidianamente diferentes e tudo uma hora cansa. E já passa das três. A hora sempre me avança. Agora, eu calo em português errado, imperfeito feito passado.Ai de mim que sou assim. Dói em mim saber de tanta coisa que eu sei. E olha que eu não vi nada ainda... A vida é uma só e nunca saberemos quanto vale. Pra mim, se vale alguma coisa – e disso estou certa – já compensa todos os crimes. “A medida de amar é amar sem medida”.

quarta-feira, março 08, 2006

As vitrines



Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
Dá tua mão, olha prá mim
Não faz assim, não vá lá, não
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão frouxa de rir
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Saindo de malas de um conto de fadas

Quando nada faz muito sentido e a gente continua sentindo muita coisa. É tarde pra querer voltar e cedo ainda pra dizer que é. Pois nada é de verdade. Não há nada além de um sussurro escondido, as mesmas - e cada vez mais fundas - três palavras só. E mesmo se fosse só o sol, já seria muito. E a vida breve é mesmo muito bonita e divertida. Mas deixa pra lá se ninguém é tão capaz de entender. Ninguém é tão capaz de se despir de tudo para ser imperdoavelmente feliz. É tudo urgente demais para ser tão breve. Quem inventou o amor, me diz? Quem disse que amor é papai-e-mamãe uma vez por semana debaixo do cobertor? Eu digo que é amor porque eu amo. E ponto final. Quem quiser ouvir, ouça. Quem quiser ficar especulando e perdendo tempo com pequenas coisas... Eu apenas posso lamentar.
Mas é isso mesmo. A vida lá fora tá soprando uma brisa fresca, o tempo me espera, a vida é uma só até que possam provar-me que não. e se quer saber, não faz diferença. Eu já sei o que quero. Quero sempre mais. As malas tão prontas e a vida bate à porta. Esperem um pouco que estou indo lá abrir.

É Carnaval, é carnaval, écarnaval!!!!

Se me deixarem brincar de felicidade, eu juro, hoje saio de nariz pintado.

domingo, fevereiro 05, 2006

Egocentricity

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto a você
E em tudo que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Eu sei que eu nasci pra saber
E fui andando sem pensar em voltar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro, uu
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você, iê, iê
Agora só falta você, aaa...
Agora só falta você, iê, iê
Agora só falta você, au

Treinando pra quando eu for famosa...(hehe)

Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo pára um coração
A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez, nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter
Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem esta prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum
A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez, nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter
Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem, também tem
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

Fotos do cabelo novo



terça-feira, janeiro 31, 2006

Eu acordei um dia e naum havia ninguem ao lado. Meu corpo nem era mais meu, acho que nada havia ali.
Eu fui dormir chorando um dia e acordei querendo acreditar mais em sonhos. O sonho acabou meu bem.
Os dias passaram, os anos passaram e o tal do tempo que me disseram curandeiro perdeu a hora da visita.
Esqueci os cosnelhos antes meus e, diante da dor, continuei deitada esperando sabe deus o que...
Um dia desses, eu espero encontrar explica'caum, mas que seja longe dos encontros casuais que me cortam a alma. Era tudo mentira a minha simpatia. E a gente algumas vezes escuta coisas que cortam a alma sem nenhum barulho, quase sem dar pra notar...
Teve um dia... Eu fiquei com medo de ficar sozinha no escuro e quis voltar para onde as portas trancadas podiam me proteger de mim mesma. Era para termos morrido, era para termos feito TUDO. Mas acabou.
E eh isso mesmo que a vida eh.
"Penso no que vai ficar de mim. Eu soh sei insistir."
Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo... E de repente eu me vi assim completamente seu.
Vi a minha força amarrada no seu passo.
Vi que sem você não há caminho,eu não me acho.
Vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia!
Quando o meu mundo era mais mundo e todo mundo admitia uma mudança muito estranha: mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar.
Quando a canção se fez mais clara e mais sentida... Quando a poesia realmente fez folia em minha vida..."Você" veio me falar dessa paixão inesperada por outra pessoa.
Mas não tem revolta não: Eu só quero que você se encontre. Saudade até que é bom, eh melhor que caminhar vazio. A esperança é um dom que eu tenho em mim... Eu tenho sim.
Não tem desespero, não. Você me ensinou milhões de coisas!!!!!! Tenho um sonho em minhas mãos e amanhã será um novo dia e certamente eu serei mais - seremos todos muito mais felizes, certo? - feliz!!!!!!!

Pra quem quiser ler...

Para quem entende que viver pode doer muito.
Para quem entende que sofrer eh essencial em muitos momentos.
Para quem entende - ou tenta entender - que o sofrimento naum eh soh nosso.
Para quem aceita a vida.
Para quem fica inconformado algumas vezes.
Para quem chuta o balde, pula do bonde e faz tudo errado.
Para quem sempre faz a coisa errada.
Para quem erra tentando acertar.
Para quem quebra e pede desculpas.
Para quem tem coragem de voltar atras.
Para quem tem medo da vida.
Para quem tem coragem de enfrentar os medos.
Para quem sabe esperar.
Para quem levanta e vai em frente.
Para quem naum prolonga as coisas.
Para quem tem dois bra'cos paralelos que podem fazer muito.
Para quem tenta aceitar os recome'cos.
Para quem chora sozinho no escuro.
Para quem se conhece e sabe o que naum pode ter.
Para quem quer tudo o que naum pode.
Para sempre.
Quero paz interior.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Sonhos deuses desacreditados -in-existentes

Ela queria uma foto do sol e teve o sol inteirinho pra ela.
Ela podia tocar o feixe de luz e a mente de imagem a podia levar onde quisesse.
Era o que queria. Pensava ser apenas, mas pensar podia ser tudo quando era iludida por pura escolha.
E as letras deviam ser maiores - GARRAFAIS - para fazer tudo grande feito sua alma.
Ela era demasiado piegas, certamente. Mas gostava de ser-se sempre.
Acreditava que nada podia ser irreversivel.
Nada de choro que podemos viver bem.
Nada disso, meu bem, venha e me traga um sorriso daqueles...

sábado, janeiro 21, 2006

Mais do nunca mais o mesmo.


Eu não tenho idade para viver o que ainda não vivi.
Tem muita coisa que fica aqui na cabeça.
Têm dias mágicos para lembrar na vida.
Um samba na guitarra, um mundo na palma das mãos.
Ei, mãe, eu tenho o que na vida por muito tempo foi tudo o que eu queria ter.
Ei, mãe, agora eu estou me sendo sozinha.
Ei, mãe, viver dói.
São coisas terminavelmente lindas que a gente sempre tem.
E desde sempre já sabíamos o que seríamos: eternas lembranças lindas!
Então, vamos pra vida viver.
"Pois sem ti, mesmo sentir, é meio menos."
Então é isso, bem como a gente achou que ia ser.
A vida tão simples é boa - quase sempre.
E quando a gente está contente, nem pensar a gente quer.
Fim. A noite acabou feito gim, espuma branca lavando meus pés.
"Mas as coisas findas - MUITO mais que lindas - essas ficarão!"
E eu vou crescendo, eu vou aprendendo a ser do que me ensinaram. Sem dúvida, se agora eu sigo sozinha é porque aprendi a me bastar. E não aprendi sozinha. Hoje é uma menina-flor de sua beleza única (rara) que sabe um pouco ser mulher. A vida tem seus caminhos estranhos... Eu hoje vou pro lado de lá, mas não levo tudo de mim, deixo boas coisas para lembrar - mesmo que isso às vezes traga lágrimas. Quem sabe um dia desses, num desses encontros casuais...
E do que sobra eu vou levando... Sem nunca esquecer do que sou.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Recanto de madeira ao contraste com o céu nublado

Hoje eu passei por um canto
E achei-o tanto quanto recatado
Eu catei uns muitos prantos
- eles eram tão santos -
Que fiquei envergonhado
Fiquei também certo tempo
Um pouco assim, meio parado
Com cara de abismamento
Por lembrar dessas coisas
Foram tantos momentos

Eu visitei um recanto
Que - penso - ninguém nunca viu
cheguei a pensar em acalanto
Mas tudo mesmo já partiu

Cantei memórias doces
Soltei do cabelo os grampos
Provei mil e um amores
E ainda está lá o canto
Feito uma juventude perdida
Pedindo enquanto eu janto
Que perdeu-se de tão jovem
Feito bebê envolto em manto
E achou-se fora de ordem
Sem querer ordenhar ninguém

Disso ficou uma moça despudorada
Uma louca enrubrescida de ego inflado
Saia curta e roupa íntima
E viver, vale quanto?

Perguntei por aquela menina
Mas o canto era deserto
Tive receio do silêncio
Vi melhor sair de perto

Fui embora sem saber
S'inda mora alguém ali
Sem demora quero ver
Os remorsos que menti

Vida de ventos tantos
Ondas de mar e seus encantos
A madeira escureceu
ou terá sido apenas o céu?
Vejo chuva e nolite aqui
Noite de lua fresca
Onde passeia uma mulher
Meio desacostumada a sê-lo
E ainda sem saber o que é
A menina evoluiu, ficou velha e gasta
Agora, são suas mesmo as rugas alisadas
Os tempos elisados com z
O tempo de tantos anos
Foi ontem, eu sei...

terça-feira, janeiro 10, 2006

Pra não dizer que não falei das dores...

Estou trancado em casa e não posso sair
Papai já disse, tenho que passar
Nem música eu não posso mais ouvir
E assim não posso nem me concentrar
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação Sexual
E eu odeio Química
Não posso nem tentar me divertir
O tempo inteiro eu tenho que estudar
Fico só pensando se vou conseguir
Passar na porra do vestibular
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação Sexual
E eu odeio Química Química Química
Chegou a nova leva de aprendizes
Chegou a vez do nosso ritual
E se você quiser entrar na tribo
Aqui no nosso Belsen tropical
Ter carro do ano, TV a cores, pagar imposto, ter pistolão
Ter filho na escola, férias na Europa, conta bancária, comprar feijão
Ser responsável, cristão convicto, cidadão modelo, burguês padrão
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Não saco nada de física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação sexual
E eu odeio Química, Química, Química
Não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só gosto de Educação sexual
E eu odeio Química, química, química

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Sem nunca esquecer da matemática, é claro!!!!

Isso pq ainda nem é vestibular.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Se não for isso o que será?

Tem alguma coisa me doendo muito aqui dentro. Como uma saudade antecipada e ao mesmo tempo atrasada. Um saudade que não sabe se deve ser saudade ou nostalgia. Uma saudade buarquiana, que é o pior dos tormentos, pior que sentir o braço ausente. Receio ter finalmente perdido o membro que tanto me disseram que eu perderia. E está sendo tão ou mais difícil do que pensei lidar com as situações que se enrroscam no meu pescoço.
"Aquilo que eu temia aconteceu ou foi só ilusão? Você manchou nós dois e desbotou a cor de um só coração ou anda sozinho me esperando pra dizer coisas de amor?" Pois eu já nem sei mais de mim. E atesto que desisti de saber. Já se dizia que é querer muito querer ser feliz depois de tudo. Viver sem me corta a alma inteira em pedaços que perco de vista. Há caminhos sem volta. "E o que é que a vida fez da nossa vida? E o que que a gente não faz por amor? Também já me esqueci de te esquecer porque o seu desejo é meu maior prazer e o meu destino é querer sempre mais. "
Ora, não sei do meu destino. Meus baratos desatinos de ausência. Ontem fui dormir com medo. Um olhar inesquecível - e lindo - me encarava, sentado numa cadeira de praia. E confundiu todos os meus pensamentos.
Eu bem podia tentar implorar de todos os jeitos e tentar impedir o que mostram os indícios. Eu podia e queria. Mas acho que não cabe a mim. Que fiquem para trás os laços e terminem os ciclos que têm de terminar. Mas como doem os fins!!!! Eu apenas torço para não ser esquecida. Para que sejam lembradas as conversas intensas: "Daqui a vinte anos, casado, longe, sei lá onde... Você ainda vai lembrar de mim?" Lembre como uma lembrança apenas. Mas não esqueça das promessas não cumpridas. O ano leva muitas coisas com ele. Primavera levou tanta coisa consigo. Só não seria capaz de dizer que não sabia. Novos horizontes. "Nossa conta conjunta, de tanta labuta acabou de zerar./ E não precisa voltar para cobrir todos os cheques sem fundo, / pode seguir, viajar o mundo / Enquanto espero seu cartão postal./ (...) E não sobrou nem ficha pra te ligar no Carnaval. / No desse ano vou me vestir de cinza e chorar meu pranto sozinha. / Com cara de quem te espera ainda..."
Queria ter aprendido a não esperar nada da vida. Mas a vida me ensinou que nunca consigo aprender as lições de que mais preciso. Contraditória? Pode até ser. Antes de tudo eu sou eu e acho que vou continuar sendo enquanto conseguir sobreviver. Dói tanto desde que perdi o controle de meus sentimentos...

Primavera se foi e com ela meu amor
Quem me dera poder consertar tudo que eu fiz
O perfume que andava com o vento pelo ar
Primavera soprando pra um caminho mais feliz
Mais feliz, pois a rosa que se esconde
No cabelo mais bonito, é um grito
Quase um mito, uma prova de amor
Primavera se foi, e com ela essa dor
Se alojou no peito devagar
A certeza do amor não me deixa nunca mais
Primavera brilhando em seu olhar
E o olhar que eu guardo na lembrança
Ainda traz a esperança
de te ter ao meu ladinho numa proxima estação
Mais feliz
Mais feliz

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Do que não me ensinaram...

Os antigos brinquedos da infância,
Num rompante do destino desavisado,
Tornam à lembrança.
Entornam juntos na taça,
Embebem juntos na cerveja,
Esquecem juntos no desabraço...
Retornam antigas promessas,
Reformam as mesmas palavras,
Tocam as mesmas notas
E da noite sem planos
Emerge um sonho por trás da fumaça.
Os sonhos de vinho tinto
Fazem unir os instintos
Que acordam a madrugada,
Mas na hora de redizer o mesmo
- os olhos cheios de vontade -
vão adormecendo em outros olhos...
Ainda há tempo que não vá com os anos?
O vento leva o voto dos santos.
E se não dá para falar em alento,
Nem vou pensar em aliança.
Isso é brincar de fazer verdade
Os sonhos de duas crianças.

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Sentimentos já subvertidos pelo tempo. Nem dá mais pra voltar atrás. Não dá também para ficar pra sempre nas mesmas frases piegas e sem muito sentido. As condições vão ficando inaceitáveis para a vida. Não adianta fazer dicionários com verbetes atemporais, pois as sensações mudam com o tempo. Tempo é algo difícil demais pra falar. Je suis vraiment desolée. Estou me atualizando, tentando parar de chorar ou ao menos desacostumar com o gosto do meu “mar de lágrimas”. E a vida ainda tem muitas portas para se entrar. E muitas e muitas “meia-hora” para mudar muitas e muitas “minha vida”. É ruim sonhar com coisas que não dá pra saber. É chato isso de o mundo não depender só de mim. Me iludem com a tal autonomia. Estou numa vida que não me permite mais erros e eu não consigo aceitar isso. Eu ainda não descobri nada de verdadeiramente útil.
Descobri que posso viver sem, mas não sei se sem e mesmo viver ou se é só o tal “ir vivendo”. Era tudo o que eu não queria e se eu queria enlouquecer, perdi a única chance. Deixa estar e ser como tem de ser. Tudo no seu devido lugar.
É meu último dia.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Um fim de ano de balanços e rumos antigos retomados

Entra pela porta da frente
Mas pula para o banco de trás
Abre a janela contente
Pra ver o sol fervendo no ar
E depois que o olhou
Fica sem falar
Escolhe o esmalte meticulosamente
Por ver razões na cor, que irão se explicar
Pra tudo funcionar simplesmente
Como gesto espontâneo, invulgar
E depois da cor
O que virá?
Se o mundo combinar felicidade e tristeza
Dentro do mesmo time
Lugar que não se vá
É o que há pra duvidar
Se é só isso que existe
Vai confirmar o olho que olhou
Ou esperar o sonho
Que ninguém sonhou
Onde você que chegar
Espalha graça ao pleno presente
E mesmo ausente é doce sua falta
Espelho é o mar, o lago, meus dentes
Com um beijo posso ver sua alma
E depois que eu vou
Não vou voltar.
Enorme o seu lugar, quase o vento
Mas é dentro de mim mesmo que cabe
Não há vogais a mais no silêncio
Que morre se faltar a palavra
E depois falou:- preciso mais!

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Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas

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Tenho medo do tempo que não pára e nem volta, mas é sempre cheio de ironias que nos confundem o tempo todo. Um brinde à vida, Bonne Anée pour tous les gens!

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Desabafo de uma Florzinha amarela que caiu no chão


Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão
Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser
Um erro assim tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E, quando acaba a bebedeira,
Ele consegue nos achar
Num bar
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro,
E uma cara embriagada no espelho do banheiro
Teus lábios são labirintos,
Que atraem os meus instintos mais sacanas
Teu olhar sempre distante sempre me engana
Eu entro sempre na tua dança de cigana
Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão
Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero
Eu fui sincero,
Eu fui Sincero
Teus lábios são labirintos
Que atraem os meus instintos mais sacanas
Teu olhar sempre me engana
É o fim do mundo todo dia da semana

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Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação,
Beijos sem paixão, crimes sem castigo, aperto de mãos
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero eu não espero que você minta
Não se sinta capaz de enganar
Quem não engana a si mesmo
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos
Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação
Beijos sem paixão, crimes sem castigo,
Aperto de mãos, apenas bons amigos...
Pra ser sincero não espero que você me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo
Um dia desses, num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre,
Talvez a gente encontre explicação
Um dia desses num desses encontros casuais
Talvez eu diga, minha amiga,
Pra ser sincero... prazer em vê-la
Até mais...
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Lerolero de sentir sem algumas partes...(Putz, q porra eh essa?)

Sem nenhuma vontade de postar, vou tentar escrever um texto inteiro sem nenhuma palavra com acento - e eu nem sei se escreve assim. Parece que vai ser complicado. Ando meio com flores na pele, e mais umas mordidas gigantescas de mosquito. Deveria estar estudando o mosquito nesse exato momento, mas um diferente do tal que me deixou marcas, eu espero. Bem, ando sentindo coisas, provando coisas, partes de meu corpo doem. Ando me doendo muito. Acordando cedo. Ando indo quando fica complicado para voltar e depois ainda levanto pra mais. Coisas e coisas me faltam, coisas e coisas que nem poderiam faltar. Vi gentes contando piadas alegremente e acho que a culpa foi da tv. A professora chorou. Sujeito - a professora. Predicado - chorou. Chorar - verbo intransitivo. Depois? A turma quis ir junto. Quis saber e alguns podiam chorar com ela. Eu tenho um pato de borracha. Gosto de ver gente feliz. Frases toscas e piegas. Adoro a palavra piegas. Odeio celular. Odeio ter comprado um. Lugares. O Rio de Janeiro inteiro pra mim. Cansada com minhas meias 3\4, chorando baixo pelos cantos, por ser uma menina... Era apenas uma menina e eu pagando pelos erros que eu nem sei se eu cometi. Mas fique certa de que na volta ainda vou estar aqui. Sem saber direito como. Com a mesma cara de sono. Os olhos expressivos, os dedos frios e todo o resto. Na boca um copo se der. No peito coisas dessas que nunca podemos dizer. Prometa... Fica alguma coisa por mais que a gente tente negar. Apaguei alguns escritos de mim. Sei apenas ser eu e estou tentando aprender os maises. Sinases. Sinapses. E o que falta? poucos dias e se vai um ano. Tanta coisa...
(Consegui!)

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Um relato qualquer e meio perdido

Todas as minhas histórias são só começos de uma vida desesperada, só que sem exageros. Gosto de acreditar que existem vírgulas e que nós nunca sabemos colocá-las nos lugares certos. Nunca sabemos viver as experiências do jeito certo, no momento certo. Mas apesar da nossa inexperiência, adquirimos experiências. Estamos sempre aprendendo coisas extremamente úteis para o nosso presente, mas que, infelizmente, já terão perdido a utilidade quando aprendermos.
Um dia me disseram que viver não era crime, que anseios não eram pecados. Um dia me convenceram de que desejo era uma palavra bonita. Disseram-me assim: “Vamos brincar um pouco.” Eu fechei os olhos, joguei fora os medos e perdi o controle. “Vamos fazer um filme” – disseram-me. E de close em close, eu fui perdendo a pose e até sorri feliz, como um dia já disseram. Descobri que a vida é desesperada e, valendo a pena ou não, o que está feito está feito.
Sozinha me descobri pertencente a uma geração que inevitavelmente irá morrer de câncer, então, é preciso mergulhar mais nos prazeres. Aprendi que não dá pra lutar contra o inevitável e que ficar triste por muito tempo não faz poetas, faz gente resmungona e amargurada. Estou tentando ser sincera sem falar demais. Sei que é bom falar o que sente, mas às vezes esperar muda os sentimentos. Me disseram também – mas isso eu ainda não sei – que o tempo é remédio. Só que ele passa tão rápido, leva tanta coisa.
Aos poucos, eu fui criando lembranças só minhas, fazendo meu jeito de ter sempre as pessoas. Fiz uma caixa onde eu me guardo em relíquias sem valor. Vi que valor a gente é que faz e muda. Eu vi que amigos tentam ajudar com seus valores e fazem o que acham que é melhor para nós, e que família depois de um tempo desiste e passa a nos aceitar. Aprendi que culpa pode virar muitas outras coisas e que os fatos crescem e a gente perde o controle da vida.
Eu não sei onde comecei nem onde vou terminar. Um dia eu percebi que estaria sempre no meio. E é bom começar coisas e sonhar coisas mesmo sabendo que sonhos mudam e que não dá tempo de terminar tudo. É bom imaginar mil rumos que poderíamos ter tomado e melhor ainda saber que é impossível saber o rumo que tomaremos. Aprendi que rotina faz falta. Pessoas fazem falta. Objetos fazem falta. Lugares fazem falta. E é tudo saudade irreversível.
Há pessoas que nos deixam felizes apenas por existirem.
A gente ganha e perde o tempo todo, mas a vida não é um jogo. Aprendi que rituais são divertidos e acalmam, religiões sufocam e enlouquecem. Tomar banho é uma das melhores coisas do mundo. Jogos de sedução só valem a pena quando são sinceros. Batalhar por espaço na vida de uma pessoa é angustiante. Ter um espaço na vida de outra pessoa é maravilhoso.
Aprendi que vida não tem moeda. As coisas e pessoas não têm preço. E se nada tem preço, também não existem dívidas e, menos ainda, cobranças. Cobrar é cruel e ser cobrado é ruim. As pessoas têm um espaço que intimidade alguma invade. Desacreditei em fidelidade. Aprendi com uma pessoa muito especial que devemos fazer o que queremos fazer. Devemos aproveitar as chances. Devemos correr atrás dos nossos desejos. Porque desejo é uma palavra linda! E que amor pensa antes no outro, sem deixar de pensar em si, mas levando em consideração a felicidade de ambos. Pois tudo tem dois ou mais lados.
Sei que amor surge com o tempo e vai embora com o tempo. Mas eu não conheço o tempo. Sei que quando se diz: “eu te amo” tem que ser sincero. Não precisa ser recíproco porque amor é egoísta. Mas amor existe. E se não existisse nada valeria a pena e tudo estaria apenas feito. Mas cada amor é de um jeito e cada pessoa acha que seu amor é o verdadeiro. Verdades vêm de muitos lugares. Aprendi que o melhor é amar agora e bem fundo. Estar preparado para tudo. Querer até a raiz do cabelo. Perder até a última lágrima. Esquecer o mundo e suas verdades e suas concepções de amor. Porque amor é dessas coisas que não deviam ser comentadas, discutidas e formatadas. Amor foi feito pra viver e só. Só que é bem melhor se não for só.
Aprendi que chorar faz parte e chorar sempre é drama. Toda intensidade merece uma dose de equilíbrio. Sorrisos e lágrimas têm sua magia.
No fundo todos vivem papéis e representam mil coisas. Só que existem mentiras sinceras. Todos desejamos uma cena pra protagonizar e nem sempre nos basta que a cena pertença só à nossa vida. Queremos sempre muito. Nem sempre temos muito. Nem sempre temos o que queremos. Todos somos muitos. È difícil ser um personagem só. É difícil escolher um caminho só na vida. Correr atrás de desejos é bom. Arrepender-se do que se fez é melhor do que se arrepender do que não fez, pois a vida nos dá álibis. Pessoas nos decepcionam por muitas coisas. Pessoas erram. Decepção é comum e inevitável.
A vida dá voltas que nem sonhamos. Grandes dramas sempre começam com cenas banais que desencadeiam um lindo romance. Mas a vida real não é um livro. Não é um romance. Não é um teatro. As pessoas não são atores. São reais. São imprevisíveis. Sempre. As pessoas são contraditórias e incoerentes. As pessoas são inverossímeis.
Ler é mágico. Sentir é mágico. Vento no rosto é mágico. Beijo na boca é mágico. Sol de fim de tarde aquecendo a pele é mágico. Cerveja gelada no bar com amigos é mágico. Uma boa conversa é mágica. Horizonte é mágico. Nuvem de algodão é mágico. Silêncio cheio de compreensão é mágico. Mudar de humor por causa de uma pessoa é mágico. Fazer outra pessoa mudar de humor é mágico. Sorrir é mágico. Olhar pra baixo de um lugar bem alto é mágico. Ouvir música é mágico. Não ter medo é mágico. Choro compulsivo é mágico. Sorriso sincero é mágico. Andar com o pé na água é mágico. Tomar sorvete na chuva é mágico. Dormir profundamente é mágico. Acordar tarde é mágico. Acordar cedo e de bom humor é mágico. Abraço é mágico. Ter lembranças boas é mágico. Ficar horas sozinho, pensando, é mágico. Ficar horas acompanhado, conversando, é mágico. Ser sincero com alguém é mágico. Ajudar alguém é mágico. Receber ajuda é mágico. Fazer uma coisa porque se quer é mágico. Não fazer alguma coisa que não se quer é mágico. Saber o que quer é mágico. Viver é mágico.
Eu tava pronta pra dizer um monte de coisas e ganhei uma flor para acabar com a minha tristeza.