segunda-feira, julho 11, 2011
sexta-feira, julho 08, 2011
sexta-feira, julho 01, 2011
Martelo Bigorna (Lenine)
Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço
Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo
Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna
Vou certo
De estar no caminho
Desperto.
quarta-feira, junho 29, 2011
No dia em que Caio F. morreu
No dia em que Caio Fernando Abreu morreu, esqueci de colocar o despertador para acordar, sempre isso, atraso, alguma correria, um despertar sem jeito, apressado, um susto. Chão de cerâmica frio, pisei tateando o dia, o despertar seco de um fevereiro sem Carnaval. Corri para pegar o carro, ir para a faculdade, aula de Filosofia, mas antes tinha ela, a educação física, e eu pensei algo como “mente sã, corpo são”, uma certa raiva de forçarem a gente a fazer exercícios àquela hora da manhã, mas não havia tempo para questionar, um, dois, um, dois, segura o abdômem, segue fazendo, sim, você consegue, vai, vai, não fui. Talvez me animasse com uma partida de vôlei ao final, mas o corpo doía das flexões e, na hora do salto, a queda - que queda. Feriu? Feriu? Uns arranhões somente, passa merthiolate, tem mercúrio?, mercúrio cromo, band-aid, bandaid. Sangrou, mas, como tudo que arranha, sangra pouco, só arde. Assopra que passa. E mal cheguei na cantina para almoçar já tinha a casquinha da ferida se formando. Me orgulhei das defesas do meu corpo, tantos anticorpos, glóbulos vermelhos espartanos, armados até os dentes, ninguém passa, nenhuma dor, nenhuma perda. E mal acabei de almoçar, a ferida ali, toda-toda, a ferida, assim, me dizendo “me esquece”, e Tiago aparece. Eu tropeço, me segura senão eu caio, Carol me segurou, mas magoou a ferida, de leve, roçou num canto de parede, aquela camada de casca sobrou, assopra, assopra, e Fabíola assoprou, ninguém sabia, mas foi tudo culpa de Tiago, esse tropeço, esse empurrão, e chegaria o dia em que, sem muletas, eu iria encostar Tiago num canto escuro e dizer que nem Neusa Suely, “bate, mas bate legal”, com a voz rouca de Vera Fischer naquela adaptação xinfrim de Plínio Marcos feita pelo picareta do Neville D’Almeida. Aula de Filosofia mancando, mas o texto era da Marilena Chauí e, nessa época, eu pouco me importava se a Marilena Chauí era de direita, de esquerda, se era lulista, FHCista, o escambau, eu queria ouvir Bethânia dizer que eu-tenho-esse-jeito-meio-estúpido-de-sere- de-dizer-coisas-que-podem- magoar-e-ofender e ir para casa escrever algumas coisas para Tiago e dançar até amanhecer no Boato aquela música que dizia but I’m here to remind you of the mess you left when you went away, raivosa, e entrar na pista vazia do Guitarra’s ao som de Wonderwall para ver se, do nada, do nada, você aparecia e maybe you’re the one that saves me. E você sempre aparecia. Do nada. Do nada. Com ela. E tinha a coisa de me vangloriar que eu passava a noite inteira e gastava R$ 10, só na Coca, na água, para não me embriagar e perder de te ver. E foi Fabíola quem me disse “Caio morreu”, assim, seco, sem preparar terreno nem nada, o morango mofou, o dragão finalmente foi conhecer o paraíso, uma pequena – grande – epifania. Era o fim. Ou o começo. Porque a pressa do começo do dia tinha me feito esquecer. 25 de fevereiro, hoje, é o aniversário do meu pai. E Caio no Menino Deus, vezenquando gente, vezenquanto alma, indo embora, lá em casa, bolo, coxinha, strogonoff de carne, arroz branco, batata palha, meu pai, 57 anos, descobriu uma doença na coluna, era o primeiro aniversário dele sentado. Sentado hoje e para sempre. Muitas felicidades, muitos anos de vida. Sentado, deitado. Ver meu pai naquela cadeira automóvel-conversível diante da vela, diante do bolo, só me lembrava Caio Fernando jardineiro, dizendo que “girassol quando abre em flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor”. Mas girassol não se entrega. E a espada que o jardineiro coloca para segurar a flor do girassol é essa cadeira-muleta que leva meu pai, esse nascido sob o signo de Peixes, para um lugar em que a palavra que deve aparecer é “durar”. E diante daquele bolo, diante da doença que faz meu pai, a cada dia, esquecer um pouco de mim, eu lembrei que “não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo, compreendeu?”. Foi depois de meu pai, com algum esforço, cortar o pedaço do bolo e dar o primeiro pedaço à minha mãe, que lembrei daquela frase de Henry Miller e que, me parece, era tudo o que Caio parecia dizer ao pai dele, naquele dia, 25 de fevereiro, em que, depois de tantos suores, tantos medos, tantos agostos secos, Porto Alegre cinza, depois de ser um estranho estrangeiro e de inventariar essa coisa chamada Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, essa Síndrome do Irremediável Abandono, Síndrome da Ineficiência do Afeto, Síndrome do Inefável Acanhamento, finalmente, num sopro de vida, Caio Fernando dizia, citando Henry Miller: “Agora eu nunca estou sozinho, na pior das hipóteses estou com Deus!”.
SOBRE O AUTOR
Thiago Soares é professor da UFPB e autor da dissertação Loucura, chiclete & som: A prosa-videoclipe de Caio Fernando Abreu.
terça-feira, junho 28, 2011
domingo, junho 26, 2011
terça-feira, junho 21, 2011
Je suis Venu te Dire Que Je m'en Vais
sexta-feira, junho 17, 2011
O diabo dessa vida não é que entre cem caminhos diferentes nós temos de escolher um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove. O diabo dessa vida é que há coisas sobre nós mesmos que a gente não escolhe. Há-que admitir que nem sempre a escolha é possível. Só podemos controlar a maneira como lidaremos com esse imutável. O desejo é inexorável. O não-desejo também. Há-que ter coragem para enfiar a unha na garganta. Angústia maior do que a de estar encruzilhado numa esquina sem rumo é admitir que não há rumo. Há uma questão de ser o que se é, pois abdicar da vida ainda não é opção. "Tem umas coisas que a gente vai deixando de ser, vai deixando de ser e nem percebe".
terça-feira, junho 07, 2011
domingo, junho 05, 2011
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem"
quinta-feira, junho 02, 2011
A sua falta vai me incomodar,
E quando eu não agüentar mais
Vou chorar baixinho, pra ninguém ouvir.
Vai sim, vai ser sempre assim,
Um pra cada lado, como você quis
E eu vou me acostumar,
Quem sabe até gostar de mim.
Mesmo que eu tenha que mudar
Móveis e lembranças do lugar,
O meu olhar ainda vê o seu
Me devorando bem devagar.
Vem, que eu ainda quero, vem.
Quando menos espero a saudade vem
E me dá essa vontade, vem
Que eu ainda sinto frio
Sem você é tudo tão vazio
Vem me dar essa vontade,
Vem que esse amor ainda é meu.
Troco todos os meus planos por um beijo seu
E essa noite pode terminar bem.
terça-feira, maio 24, 2011
Oração da Banda mais bonita da cidade
quinta-feira, maio 19, 2011
Sonho de uma flauta (O Teatro Mágico)
sexta-feira, maio 13, 2011
segunda-feira, maio 09, 2011
sexta-feira, maio 06, 2011
Diário de um prisioneiro - parte II
quinta-feira, maio 05, 2011
terça-feira, maio 03, 2011
terça-feira, abril 26, 2011
Diário de um prisioneiro
Quando a luz se apaga a angústia maior é a de respirar o mesmo ar daqueles que não vemos. Imaginamos apenas os olhares desesperados uns dos outros. Procuramos o branco dos olhos, a referência de desenho animado sem encontrar nada além das respirações entrecortadas, ofegantes, passando entre si goles de ar feito brincadeira de telefone sem fio.
Enquanto ela não chegar
E quantas vezes para a porta eu vou olhar
Quantos carros nessa rua vão passar
Enquanto ela não chegar
Quantos dias eu ainda vou lhe esperar
E quantas estrelas eu vou tentar contar
E quantas luzes na cidade vão se apagar
Enquanto ela não chegar
Eu tenho andado tão sozinho que eu nem sei no que
acreditar
Que a paz que busco agora nem a dor vai me negar
Não deixe o sol morrer
Errar é aprender
Viver é deixar viver
Não deixe o sol morrer
Errar é aprender
Viver é deixar viver
Quantas besteiras eu ainda vou pensar
E quantos sonhos no tempo vão se esfarelar
Quantas vezes eu vou me criticar
Enquanto ela não chegar
Eu tenho andado tão sozinho que eu nem sei no que
acreditar
Que a paz que busco agora nem a dor vai me negar
segunda-feira, abril 25, 2011
terça-feira, abril 19, 2011
Como se fosse a primavera (Chico Buarque)
De que calada maneira
Você chega assim sorrindo
Como se fosse a primavera
Eu morrendo
E de que modo sutil
Me derramou na camisa
Todas as flores de abril
Quem lhe disse que eu era
Riso sempre e nunca pranto?
Como se fosse a primavera
Não sou tanto
No entanto, que espiritual
Você me dar uma rosa
De seu rosal principal
De que calada maneira
Você chega assim sorrindo
Como se fosse a primavera
E eu morrendo
Eu morrendo
Lugar de memória
terça-feira, abril 05, 2011
domingo, março 27, 2011
Algumas palavras porque o silêncio desgasta a vida. Algumas palavras porque a vida dessignificada não faz sentido. Algumas palavras porque não tenho direção para substituí-las. Algumas palavras porque a vida urge, não para, porque a língua muda e me tira os traços habituais. O tempo não me lavrou a cara ainda, mas a alma vai de pouco em pouco ficando com esses sulcos esculpidos à navalha afiada – de tão finos, é preciso um olhar muito atento para perceber. Algumas palavras para provar que a vida é minha ainda, para tomar aquele tão falado lugar de sujeito. Palavras que esgarçam estradas no peito e viram rima boba da sujeira de uma cidade poema. Algumas palavras para que valha a pena.
Receita pra lavar palavra suja
(...)
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite,
não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais
perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.
quarta-feira, março 09, 2011
Agora ta tudo acabado
Seu vestido estampado
Dei a quem pudesse servir
Agora que eu não posso mais caber em ti
Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar
Como velhos desconhecidos se você não me escuta eu não vou te chamar
O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar
O amor só mudou de cor, agora já ta desbotado
Corra lá vem à tristeza atirando pra todos os lados
Pegue o vestido estampado, guarde pro carnaval
Guarde que eu nunca te quis mal
Até o feriado quarta feira de cinzas e ta tudo acabado
Agora ta tudo acabado
Seu vestido estampado
Dei a quem pudesse servir
Agora que eu não posso mais caber em ti
Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar
Como velhos desconhecidos se você não me escuta eu não vou te chamar
O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar
O amor só mudou de cor, agora já ta desbotado
Corra lá vem à tristeza atirando pra todos os lados
Pegue o vestido estampado, guarde pro carnaval
Guarde que eu nunca te quis mal
Até o feriado quarta feira de cinzas e ta tudo acabado
quinta-feira, março 03, 2011
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
Preciso me encontrar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Sinto encanto
Eu não quero nem saber
O que me espera
Eu acelero
Tomo um gole do que eu não conheço
E meu primeiro porre
Será um mistério imenso
Eu vim do avesso
Reverso do que era aceito
Ninguém sabe tudo
Nada é perfeito
Eu escuto fora
Com o ouvido de dentro
Eu me alimento
Do meu silêncio
E canto
Porque sinto um encanto
Sinto e canto
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
segunda-feira, janeiro 24, 2011
C.L. - Parte I
Para além daquele muro podia ver a estrada por onde as cartas que não havia mandado não circulavam. Uma insegurança enorme se interpunha no caminho do lápis temendo que não tivesse nada de tão grandioso para partilhar. Não tinha uma dor dessas enormes de que se pudesse ter inveja ou fingir pena.
Daqui de dentro do cinza podia fingir que o seu vazio era uma floresta densa e secreta, trancada à chave como num conto infantil. Era quase divertido imaginar-se especial, protegida por um invólucro de vidro – como esses que tem um cenário bonito e aquela adorável neve falsa – mesmo sabendo que esses muros nada tinham de transparentes.
A dor que tinha era só essa vontade seca e injustificável. Esse desejo infindo de mergulhar sempre mais na própria vertigem, no próprio silêncio, no êxtase introspectivo. Perdia horas de pensamento raivoso dizendo a si mesma que se produzisse de seus devaneios uma concretude qualquer, ou uma razão maior para ir além dos muros, perderia esse aspecto de animal enjaulado e ganharia uma golfada do ar que apenas as cartas provavam.
Não tinha o mesmo impacto de ser prisioneira. Não tinha nenhum tipo de charme nos remédios, choques e discursos religiosos. Era esse vazio que tinha vontade de pôr numa carta, mas só o faria mediante a certeza de que alguém perceberia o quão longos e compridos eram os troncos das árvores naquela floresta, de um jeito que não era possível saber se existia mesmo um sol que as alimentava de pois dali. O chão era lodoso e não conseguia nem mesmo saber se era vivo o verde que coloria as folhas.
O frio ia subindo pelos pés durante a noite e era quando uma ânsia implacável tomava-lhe as rédeas. Vinha essa vontade prisioneira de fugir, de inalar fundo e sentir o alívio percorrendo as narinas e a garganta até que viesse aquele estalo na cabeça ruindo tudo: os muros, o vidro, a floresta. No meio do êxtase, alguma parte de si percebia enquanto o desespero de todas essas coisas se erguia sorrateiro esperando a onda passar. O desespero sempre vinha na hora em que esperava o conforto de uma lareira quente de algum lugar parecido com o que já chamou de casa – sem muros, sem cinza, sem lodo. Apenas um lago distante onde fosse possível de vez em quando ver o reflexo da lua.
domingo, janeiro 23, 2011
Treinando toda minha incompreensão. Eu sei o que vai acontecer. Eu sinto – é a resposta antes que você me pergunte. Sinto essa paranoia tomando ares de certeza, sinto a suspeita virando algo mais denso do que essa fumaça de desconfiança e ciúme. Eu já sei o que ela vai dizer e sei inclusive o que você vai me dizer depois. Sei que não será uma simples justificativa assim como percebo que o fim será simples, rápido e indolor como o começo. Ninguém chora à toa, por mais ensaiadas que sejam as lágrimas. Quando ela entrou por aquela porta, eu soube. Sequer me incomoda que eu não saiba o texto detalhado dessa vez. Eu sei a essência.
Sei que o dia inteiro termina antes de começar. Sei que o sol lá fora espera até eu me reerguer. Sei que eu vou chorar e vou me sentir traída mesmo que você volte com um sorriso nervoso e diga que prefere a mim. Sei que os seus dentes vão estar cheios de vontade, embora você não diga. Sei que os meus braços vão estar cheios de correntes, embora você não veja. Sei que eu também vou sorrir com meu sentimento de posse anulada e vou até ficar feliz porque você preferiu a mim, apesar de todo o desejo de ir, nem que fosse por algum tempo. Sei que vocês trocarão lembranças e recordarão confidências das quais nunca participarei. Sei que vocês não imaginam que a minha obsessão possa ir tão longe, sei que vocês não acreditam que a minha doença possa ser tão verdadeira a ponto de captar até o que vocês não dizem. Eu percebo os silêncios. Percebo quando os lábios de vocês não se tocam apenas devido ao grande respeito que nutrem por mim. Sei que você tem por mim um respeito enorme. Talvez bem maior do que o amor e o desejo que um dia teve. Também sei que esse respeito não é exatamente maior que o tesão que você sente agora.
Por isso, você vai chegar, me olhar com a maior ternura do mundo e se repetir quantas vezes puder que eu não mereço, que você não pode fazer isso comigo. Sei o quanto você tem medo da minha reação; não duvida que talvez eu me mate ou largue tudo e você nunca mais me veja; teme que eu coloque fogo em todas as coisas que foram nossas.
Nenhum desses pensamentos, por mais aterrorizadores, afasta o desejo que se instalou no meio das suas pernas. Eu percebo quando você se aproxima imaginando-se capaz de enganar seu corpo com o meu. Depois de algum tempo com os olhos fechados, você finge que goza e eu finjo que acredito para não dar na sua cara. Sei que se eu te batesse agora, você fingiria aceitar que faz parte da transa. Como eu não te bato, você dorme. Ou finge, pelo pouco tempo que seus olhos permanecem fechados. Você levanta, toma banho sem me convidar e sai daquele jeito de quem tenta fingir que não se arrumou meticulosamente. Sei que você vai encontrá-la.
Se você me conhecesse um pouco mais, saberia que eu não vou esperar para ver. Que não terei estômago para dizer que perdemos o rumo, desaguamos num rio seco ou qualquer coisa assim. Se me conhecesse como você a conhece, saberia que quando é sério eu não uso metáforas. Eu não faço cena nenhuma. Sem saber de nada disso, você vai ensaiar as frases mais doces para me dizer que não é mais como antes.
A minha melhor vingança é que você não me conheça a ponto de saber onde estarei quando o porteiro entregar a chave sem o chaveiro que você me deu de presente porque sempre odiou o que eu usava. Eu sei exatamente a cara que você vai fazer quando vir o guarda-roupa vazio sem saber se eu queimei ou fugi com as suas coisas. Você vai chorar achando que eu quis ficar com a parte mais externa já que não poderia mais ter você inteira.
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Eu fico sem ter para onde ir com essa cama vazia olhando para mim. Fica grande, sabe? É claro que você sabe, é o maior clichê da falta, não é? Dá um medo, parece que eu poderia me perder em pesadelos terríveis se os sonhos dela não estiverem ali, flutuando em paralelo. Ela nem despediu dessa vez. A certeza da volta às vezes faz isso com a pessoa, mas não deveria. Não deixou nem um cheiro num canto qualquer. As várias valsas ciumentas que escuto não dizem nada. O telefone em silêncio diz que talvez você já esteja dormindo. Eu tinha algumas coisas para dizer, algumas trivialidades para comentar, mas tenho também experimentado o silêncio da solidão – esse que nos faz falar sozinhos para ver se a voz ainda está por aqui. É que esse silêncio dá um medo desses que deixa uma música alta tocando até tarde para ver se fica parecendo presença. Não fica.
Quem canta seus males espanta - Zélia Duncan
Meu coração bate tanto, sinto tremores no corpo
Direto e reto, suando, gemendo, resfolegando
Eu me transformo em outras, determinados momentos
Cubro com as mãos meu rosto, sozinha no apartamento
`as vezes eu choro tanto, já logo quando levanto
Tem dias fico com medo, invoco tudo que é santo
E clamo em italiano ó dio come ti amo
Eu me transmuto em outras, determinados momentos
Cubro com as mão meu rosto, sozinha no apartamento
Vivo voando, voando, não passo de louca mansa
Cheia de tesão por dentro, se rola na face o pranto
Deixo que role e pronto, meus males eu mesma espanto
Eu me transbordo em outras, determinados momentos
Cubro com as mãos meu rosto, sozinha no apartamento
É pelos palcos que vivo, seguindo o meu destino
É tudo desde menina, é muito mais do que isso
É bem maior que aquilo , sereia eis minha sina
Eu me descubro em outras, determinados momentos
Cubro com as mãos meu rosto, sozinha no apartamento
terça-feira, janeiro 11, 2011
O que será que te anima?
O que será que te anima?
Bonecos de Vitalino
ou porcelanas da China?
O que será que te domina?
O que será que te domina?
Exércitos de Roma
ou a bomba de Hiroshima?
O que será que te balança?
O que será que te balança?
O xote de Don Quixote
ou o can-can (?) que a França dança?
O que será que te adormece?
O que será que te adormece?
Mágicas no cabelo
ou um abraço que te aquece?
O que será que te excita?
O que será que te excita?
A cachaça Ipióca
ou o tinto da Periquita?
O que será que te dá vida?
O que será que te dá vida?
A saudade da chegada
ou a certeza da partida?
quarta-feira, janeiro 05, 2011
É tudo mentira porque quando você não está absolutamente nada faz sentido. Nada se move. Nenhuma folha de papel se vira. No pior dos clichês, eu sequer respiro. Eu fico com essa falta de ar, essa vida engasgada sem saber como transformar meu discurso super descolado em algo concreto. Se você fosse embora para sempre, eu sei que depois de um tempo eu ia me reerguer e aprender a viver sozinha como sem ana, aliás, se você fosse mais alta. Mas o que acontece é que mesmo o meu desespero, o meu vazio, qualquer coisa que eu pudesse chamar de minha porque produzida e elaborada por minha vontade perde o sentido quando me vejo sozinha e no máximo imagino que posso fazer alguma coisa para você. Pode ser algum tipo de doença estranha. As tais dependência e submissão de que eu tanto não queria falar. Entendo como é angustiante ter um momento de folga não planejado, apesar de todas as coisas que tenho para fazer por mim. Acaba sempre que não faço nada e fico admirando o tempo que roda num relógio que eu não sei decifrar.
Eu não sei decifrar esse meu desespero que só surge na sua ausência, essa insônia que você nem acredita que exista. Esses fatos que eu narro para o nada. Essas histórias que não desenho esperando que a gente as possa viver. As pessoas me leem e por isso não escrevo. Eu vejo séries e coisas que possam caber na minha obsessão que não pode ser interrompida. Preciso de tarefas longas e sem intervalo, pois do contrário o tempo vai passar assim mesmo e eu só vou ficar olhando o azulado de manchas das paredes, as janelas mais longas que eu que devem estar exibindo mais de mim do que qualquer um aprovaria. Eu fico sem provar nenhum gosto quando você não está perto e não é só questão de sinestesia. É questão dos sentidos mais básicos e das necessidades mais simples. Sem você eu não sei nem mesmo ler. O verbo mais fundamental se perde em algum silêncio solitário que surgiu quando eu não vi a placa que apontava a solidão medonha em meu caminho.
É por isso: razão simples. Eu não gosto de férias. Não gosto desse oco estranho que nos deixa sem hábitos em que agarrar. Eu preciso acordar, me dar um tapa no espelho como se eu fosse alguma personagem de filme de Almodóvar. Acontece que os meus dramas só me levaram a poços mais fundos, a chafurdar numa lama escura, num cenário nada colorido – e foi de lá que você me tirou. Por mais que eu gostasse, hoje eu sei que era ruim aquela umidade escura que me cercava.
Só que entre os meus muitos pontos de partida tem também essa confissão de dependência mais pura. De-pen-dên-cia. Quando a gente não consegue engolir alguma coisa, fica mastigando, repartindo, para ver se passa. Não, né? Não passa. Feito tatuagem que é para me dar coragem para seguir viagem quando a noite vem. Já tá chegando e eu sinto que vou ter que tirar sozinha alguma de algum lugar.
Eu não escrevo mais porque as pessoas leem. Troquei a cortina para ver se passa despercebido esse palco de madeira apodrecida. Morrer não dói. Viver é muito perigoso e eu já nem sei onde vão ou se ficam os acentos das coisas que escrevo. Não sei viver sem ser meta, o substantivo e o prefixo. Não sei ser sem ser esse gramatiquismo de quinta, esse pedantismo que só é possível aos de conhecimento nulo – ou quase. Eu sei que a terra gira, a vira gira, a cabeça gira sob efeito de nada. O vazio é uma droga pesada demais para mim, só vem a depressão quando deveria ser a onda.
terça-feira, dezembro 28, 2010
Estrada aberta
Mais uma dose que alguém põe no copo sem eu perceber. Mais uma série de coisas que se anotam em listas sequenciais sem que eu tenha meios de cumprir. Mais uma ampulheta que alguém gira sem pedir permissão, a vida roda e eu aqui sendo a mesma-com-o-prazer-de-ser-o-mesmo-mas-mudar. De casa, de caso, de coisa, de trabalho, de roupa, de afeto, de família, de trilha – universo em expansão.
A estrada, o mar, a porta, a vida, tá tudo aberto esperando o novo entrar sem pedir a licença que já foi dada ao que vier pro bem. Meio macumbeira, meio supersticiosa pelo encontro de consoantes que amo e pelas vontades de ter algo em que me agarrar (sempre!).
Um descampado grande e verde para além das janelas. O calor dissipa as nuvens, o verão chove todas elas e é quando o sol se abre mais limpo, forte, intenso para quem puder aguentar e dele se alimenta.
Novos cenários. Novos horizontes. Novas pontes que vamos construindo, tijolo a tijolo, pedaço a pedaço. Com a calma e a pressa certas para ver surgir e poi passos firmes, um de casa vez, mãos coladas.
Desmanchar cenários, construir fronteiras borradas, borrar os batons, desarrumar a cama e os cabelos, esvaziar o copo em pequenos goles cheios de vontade prudente de ser um só. Entendi que não podemos atropelar os ventos nem esperar que eles mudem de direção. A gente busca o meio termo entre se deixar levar e leva-lo um pouco com a gente.
E nunca antes (h)ouve tanto mar aberto.
domingo, dezembro 26, 2010
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Tudo diferente na noite que antecede o fim
domingo, dezembro 12, 2010
Inacabado
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Insome
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Insônia involuntária e cansaço
Não vai ter cenário pronto, não tem texto. Pode ser melhor ficar em silêncio, me olhar com aquela ternura de quem já partilhou um sofrimento. Não vai estar em modos de pesquisa instantâneos e modernosos. Não vai estar em páginas amareladas ou virtuais. Não está em nenhuma trilha sonora. Não tem a ver com brigas banais ou em vontades de levantar bandeiras e brigar com o mundo, virar morais de ponta cabeça. Não se trata de nenhuma genialidade.
É mais simples, original e doloroso. Trata-se de viver cada dia. Acordar todas as manhãs. Saber lidar com casa pequeno obstáculo sem titubear. Disfarçar as lágrimas e entender que o mundo é para gentes grandes e o único jeito aceitável é crescer. A dor da alma se alargando um mílimetro que seja é mais intensa que o cubo daquela dor nos ossos de anos atrás. Minha alma tem estrias esbranquiçadas do último ano que se fecha com muito mais pânicos do que tinha no início.
Os ciclos inventados fazem a minha cabeça girar de ressaca das coisas que eu não li em todo esse tempo que passou voando. Não tem mais muito formato. Os meus gigantes ventam muito e o fracasso eu não sei se sou capaz de suportar nos ombros.
Uma improdutividade transbordante. Todas as angústias gritando para virarem palavras e eu ainda me escondendo atrás de umas bobas citações - "Eu deveria cantar"*.
* ABREU, Caio Fernando. Onde Andará Dulce Veiga? Algum lugar, alguma editora, última ou primeira página, não sei dizer.
Trecho da peça SARAU DAS 9 ÀS 11 (Caio F.)
BABY — Quem se importa com o meu olho escancarado e cheio de
desencanto? Quem, entre todos vocês, estenderá a mão para passar no
meu cabelo? Quem cantará um acalanto para a minha insônia?
DEBORAH — Quero encontrar pelo caminho um cogumelo de zebu.
MADAME — Fiquei sabendo outro dia que minha madrinha, a
poetisa Florbela Ortigão, tem agora que cozinhar a sua própria comida.
Não, eu não suportaria presenciar uma coisa dessas. Nunca mais
retornarei a Taormina. Não quero ver as paredes brancas de suas
casas cobertas de inscrições em vermelho e negro: “Abaixo a tirania”,
“Morram os opressores”.
MONGE — O segundo anjo tocará a trombeta — e como um monte
de fogo lançar-se-á ao mar, e a terça parte do mar mudar-se-á em sangue,
e perecerá um terço das criaturas que vivem no mar, e um terço
dos navios irá a pique.
DEBORAH — E descansar os meus olhos no pasto, descarregar
esse mundo das costas.
BABY — Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não
espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta
desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem
mais nada a perder, só se tem a ganhar. Quando se pára de pedir, a gente
está pronto para começar a receber. O futuro é um abismo escuro, mas
pouco importa onde terminará a minha queda. De qualquer forma, um
dia seremos poeira. Quem é você? Quem sou eu? Sei apenas que navegamos
no mesmo barco furado, e nosso porto é desconhecido. Você tem seus
jeitos de tentar. Eu tenho os meus. Não acredito nos seus, talvez também
não acredite nos meus próprios. Não lhe peço que acredite em mim.
MADAME — Tivemos todos que fugir em debandada. Muitos, na
pressa, deixaram para trás uma avozinha cega, um irmão entrevado,
uma tia louca. Tivemos que vender nossos automóveis de luxo, nossos
iates e palacetes. Os industriais de Santa Lucia tiveram todos os seus
bens confiscados e as contas bancárias bloqueadas pelo governo rebelde.
Soube também que faliu a revista Grand-Monde, especializada na
crônica da vida mundana. E a famosa confeitaria Garcez & Bernard,
cuja mais famosa especialidade eram os docinhos conhecidos como
“ossinhos de Santa Catarina” — a confeitaria, dizia, teve as suas instalações
transformadas num depósito de armamentos.
MONGE — O terceiro anjo tocará a trombeta — e cairá do céu um
grande astro, luminoso como um archote, e virá tombar sobre a terça
parte dos rios e das fontes d’água. Chamar-se-á “absinto”, esse astro.
Converterá em absinto a terça parte das águas, e muitos homens morrerão
dessas águas, porque se tornarão amargas.
BABY — Quanto a mim, acredito nas plantas, nos animais. Acredito
nos astros, nas águas. Acredito no vento que sopra da banda do rio quando
o sol acaba de se pôr. Acredito na pedra bruta, na areia seca.
DEBORAH — Eu só quero fazer parte do backing vocal, e cantar o
tempo todo: shoobedoo-down-down, shoobedoo-down-down.
MADAME — Tudo mudou. Não me iludo. Tudo acabou.
MONGE — O quarto anjo tocará a trombeta.
MADAME — E o que foi não voltará mais a ser. Ainda hoje tive a
compreensão final.
MONGE — E será ferida a terça parte do Sol, a terça parte da Lua
e a terça parte das estrelas.
MADAME — Li no jornal que os imortais da Academia de Letras,
Ciências e Artes foram todos mortos.
MONGE — De maneira que se lhes escurecerá a terça parte do céu,
e deixará de resplandecer a terça parte do dia e da noite.
quarta-feira, novembro 24, 2010
Teatro dos Vampiros
Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...
Nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
Sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos...
Vamos sair!
Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos
Estão, procurando emprego...
Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...
Vamos lá, tudo bem!
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia
Comparamos nossas vidas
Esperamos que um dia
Nossas vidas
Possam se encontrar...
Quando me vi
Tendo de viver
Comigo apenas
E com o mundo
Você me veio
Como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito...
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo
E não consegui dormir...
Vamos sair!
Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos
Estão, procurando emprego...
Voltamos a viver
Como a dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...
Vamos lá, tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim
Não tenho pena de ninguém...
domingo, novembro 07, 2010
De quem não conseguiu de explicar para si mesma:
Eu ainda não chorei tudo o que eu tinha para chorar. Ainda não olhei fundo nos olhos tudo o que eu tinha para olhar. Não bati a porta com a força exata que eu queria e você não entende porque não sabe o quanto mágoa é uma dor que me consome. Não sabe o rancor que fica por trás das minhas frases banais.
E toda parte mal resolvida da gente (quer dizer, de mim, porque das outras pessoas eu não tenho como saber) fica assim, vai ficando por dentro, vão passando os dias, a gente vive como se não fosse nada, mas quando não tem ninguém olhando, é nisso que a gente pensa.
A raiva vai passar e o botão do viver-automático e com cara de tudo-bem vai ficar aceso de novo. Mas agora eu preciso chorar. Agora eu preciso fazer birra em vez do que precisa ser feito. Eu só queria não ser imbecil a ponto de piorar mais as coisas. Queria ser capaz de impedir que o problema de eu não conseguir fazer o que eu gostaria de fazer num determinado momento me impedisse de fazer o que eu gostaria de fazer nos outros momentos em que eu não estou impedida em vez de perder tempo ficando emburrada pelo momento anterior, entendeu?
Eu também não. Então deixa pra lá. Vou estudar que é o melhor que eu faço.
Contas incontáveis
Acontece que eu não estou sozinha mesmo quando um veneno que bebi já há dois dias ameaça a me corroer por dentro. Algo ameaça explodir e a gente vai vivendo. O problema de ir vivendo é que eu nunca soube fazer algo sem vontade. Para mim sempre foi aprender a gostar ou deixar de lado. Só que desaprender a gostar de algo de que dependo põe abaixo toda a fórmula – nem a do dedo na garganta tá dando conta.
Aliás, o problema é mesmo e sempre a conta. Aquela que vence amanhã e ainda não está paga. Aquela venceu há sei lá quantos dias e aquela que nem quero saber quando vai vencer. A corrente que ainda está aberta e não devia. A de variação zero um que andou emagrecendo. Mas a pior mesmo é aquela que se perdeu e já não se paga. O problema é que eu nunca tive vocação para ser a última a sair.
Dorme, amor, nos meus braços como se eu fosse o primeiro.
quarta-feira, novembro 03, 2010
Ciclos de transição
quinta-feira, outubro 28, 2010
Anti-revisionismo
terça-feira, outubro 26, 2010
Paredes amarelas
terça-feira, outubro 12, 2010
Um tempo andando no escuro
segunda-feira, outubro 04, 2010
Meta-
sábado, outubro 02, 2010
Capítulo Sete - Atrás da porta
quarta-feira, setembro 22, 2010
Capítulo Seis - Revivências
terça-feira, setembro 21, 2010
Capítulo Cinco - Envelope lacrado
É claro que um grande bocado do motivo de ter acumulado aquele montante de envelopes lacrados tinha a ver com a recusa de possíveis novidades. Não suportaria nem mesmo saber que Dario pudesse ter um grande problema, não conseguiria aguentar uma compaixão por ele no estado em que se encontrava. Ademais, não tinha interesse nenhum em ler que se formava um rótulo de felicidade em volta dele e de Marliana, que planejavam um bebê para o próximo ano, que ela havia parado com as faxinas para se dedicar ao lar. Não precisava que essas coisas ficassem ainda mais reais e constantes em sua cabeça. Não lia nem telefonava. O irmão não tinha o número da pensão, não corria maiores riscos.
Ou assim imaginava até a noite de ventos gelados em que a Dona da pensão bateu na porta enquanto se maquiava para mais uma noite. A Dona disse que tinha um homem esperando lá embaixo, que não era hora ainda, onde ela pensava que estava. O coração de Lúcia bateu como se tivesse a mesma ingenuidade de antes e o corpo cansado desceu o mais rápido que pode sem atentar a nada no que dizia a velha senhora.
sexta-feira, setembro 17, 2010
Capítulo Quatro
quinta-feira, setembro 16, 2010
Capítulo 3 - Três
quarta-feira, setembro 15, 2010
Capítulo 2 - "Concreto e asfalto"
terça-feira, setembro 14, 2010
Capítulo 1 - A menina má
quarta-feira, setembro 08, 2010
Minha sinopse de Malu
Fugindo de suas peripécias amorosas, um típico garanhão paulista é literalmente atropelado por uma sedutora carioca. Malu atropela Luiz com sua bicicleta no calçadão das praias do Rio de Janeiro e o clima de romance se instala. Até aí, tudo perfeito para os dois se apaixonarem e viverem felizes para sempre. O problema é que Luiz começa a provar do próprio veneno sedutor - fica difícil se entregar a um amor quando se está tão acostumado aos jogos e truques da conquista. Luiz começa a desconfiar que Malu o está traindo e, imerso nas artimanhas que costumava usar, encontra facilmente vestígios que considera ‘provas’ da traição.
Confiram o trailer:
quarta-feira, setembro 01, 2010
Problemas numéricos
Pois bem, se isso não é um blog, não faz sentido nenhum falar do dia do blog, que ninguém sabe o que é, quem criou ou para quê serve. Mas poxa, mesmo com sei lá quantas camadas de cebola na explicação do que esse lugar imaterial representa, tá escrito ali em cima o domínio blogspot. Talvez escrever alguma coisa seja necessário para pelo menos agradecer a esse tal de blogger por me hospedar de graça por cinco anos.
Problema número dois: o blogday foi ontem, né? Então leiam fingindo que vocês não sabem que dia é hoje.
Problema número três: sem saber que dia hoje tudo perde totalmente o sentido, não é? Então deixa pra lá.
Fato é que o fato aconteceu (ó!) e não consegui não pensar no que me fez/faz ficar aqui falando pro além durante tanto tempo. Somos a primeira geração da internet democratizada e mesmo que não tenhamso muitos leitores, a possibilidade de escrever alguma coisa que está disponível para o mundo inteiro é fascinante.
Não sei se é possível registrar o espanto e continuar com a minha habitual pseudo-literariedade. Vai ver estou ficando menos literária mesmo. Será o tal do adultecimento? De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho - que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu há minutos atrás.