É sempre tão sintomático.
Explode pelo mesmo ponto,
espirra pelo mesmo poro.
Todas as coisas
às quais não se pode dar nome
corroem as paredes das vísceras,
formam um bolo estacionado.
É também sintomático,
as membranas se alargam
para um parto difícil.
Algo que se rompe,
uma lagarta que enfim se transforma.
Uma volta se completa
e transmuta de estação.
Os ciclos se rompem:
transformam-se
(em espirais novas e coloridas).
quinta-feira, maio 27, 2010
quinta-feira, maio 20, 2010
Reencontro
Andando apressada, como todos os dias, atrasada daquele jeito que já não se olha no relógio porque nem vale a pena. Era fim de tarde e o tempo esfriava aos poucos, a temperatura ia caindo a cada baforada de vento nos cabelos. Aquele mesmo viaduto, lembranças rápidas vieram de um outro tempo, um dia agora quase distante. Apertou o passo evitando olhar a paisagem. Inevitável. Olhos abertos e acelerados focaram na imagem assustadora: era ele.
A trilha sonora interrompida voltou à mente sem pedir nenhuma licença. Ele tinha o mesmo olhar penetrante, o mesmo ar despojado. Segurou o próprio corpo com a respiração que faltou. Olhou em volta, talvez viesse alguém, talvez alguém pudesse perceber o que se passava ali. As pessoas passando impassíveis responderam que não, que não viam, não percebiam, não queriam perceber. Uma solidão medonha apareceu ressignificada.
Nos instantes em que o corpo e a mente ficaram retidos naqueles olhos secos e sem nenhuma lembrança em que pudesse se reconhecer, suas sinapses congelaram naquela mesma música interrompida sem pudor. O mesmo medo voltou reciclado, ressignificado. Teve uma vontade incontrolável de ter coragem, de poder fazer alguma coisa, de gritar ou perguntar em tom seco como seus olhos se ele lembrava dela.
Bobagem. Ele nunca lembraria, era só mais uma. Uma manhã qualquer de verão, sem nenhum significado pa-ra e-le - essas duas palavras repetiam-se pausadamente com rancor.
Não conseguiu outra atitude que não tornar a mover os pés, retomar os passos e a pressa.
Só mais uma, só mais um. Um assalto, um assaltante, um momento banal.
A trilha sonora interrompida voltou à mente sem pedir nenhuma licença. Ele tinha o mesmo olhar penetrante, o mesmo ar despojado. Segurou o próprio corpo com a respiração que faltou. Olhou em volta, talvez viesse alguém, talvez alguém pudesse perceber o que se passava ali. As pessoas passando impassíveis responderam que não, que não viam, não percebiam, não queriam perceber. Uma solidão medonha apareceu ressignificada.
Nos instantes em que o corpo e a mente ficaram retidos naqueles olhos secos e sem nenhuma lembrança em que pudesse se reconhecer, suas sinapses congelaram naquela mesma música interrompida sem pudor. O mesmo medo voltou reciclado, ressignificado. Teve uma vontade incontrolável de ter coragem, de poder fazer alguma coisa, de gritar ou perguntar em tom seco como seus olhos se ele lembrava dela.
Bobagem. Ele nunca lembraria, era só mais uma. Uma manhã qualquer de verão, sem nenhum significado pa-ra e-le - essas duas palavras repetiam-se pausadamente com rancor.
Não conseguiu outra atitude que não tornar a mover os pés, retomar os passos e a pressa.
Só mais uma, só mais um. Um assalto, um assaltante, um momento banal.
terça-feira, maio 18, 2010
Trocando de roupa
Para ficar no mesmo lugar, coisa outra. Para parar e deixar a roda rodar troco outra vez de roupa e fico sempre aqui (sem ter bem pra onde ir, por medo ou preguiça). Acrescendo coisas e restando em casa, cada ciclo uma casa nova, novas cores dessas que fazem o mundo explodir e ficar a sensação de que não podia ter sido melhor.
Escrevo uns versos, depois dobro tudo num origami desconexo. Me guardo em algumas caixas e declamo rimas antigas ao vento. As mesmas paixões velhas, angústias serenas já quase amigas.
Era para ser sério ou ao menos um pouco coerente, mas devo ter nascido sem. É só deixar correr, deixar secar, deixar sair,
e continuar...
Escrevo uns versos, depois dobro tudo num origami desconexo. Me guardo em algumas caixas e declamo rimas antigas ao vento. As mesmas paixões velhas, angústias serenas já quase amigas.
Era para ser sério ou ao menos um pouco coerente, mas devo ter nascido sem. É só deixar correr, deixar secar, deixar sair,
e continuar...
Adulteci.
É porque lua tem fase, é porque decorar versos tem cor e deslizes acontecem mais vezes do que nós gostaríamos. É porque retorna no meio do excesso e eu me vejo sozinha além de sabendo andar só. Passei do tempo de andar em bando. Ando em dois, ando em nós - os das cordas que nos prendem de vontade, os dos lençóis, os dos plurais.
As rodas param e a gente desce mesmo se ninguém deixar. Vejo você parada e sorrindo com um algodão doce nas mãos, ciente de que estão mesmo nas coisas mais pequenas as coisas grandes que a gente procura-encontra por acaso.
As rodas param e a gente desce mesmo se ninguém deixar. Vejo você parada e sorrindo com um algodão doce nas mãos, ciente de que estão mesmo nas coisas mais pequenas as coisas grandes que a gente procura-encontra por acaso.
sábado, maio 15, 2010
Alguns luares depois

Morto. Parece tudo morto. Como se o dia já nascesse morto lá em cima. A gente faz tudo sem fazer nada. A cabeça dói, os olhos secos doem, o sono interrompido dói. Não é tempo de muitos sorrisos. O céu "abril-se" fechando o mês e levando alguém querido com ele. Como ele atravessou aquela nuvem tão espessa e fria? Ah... ele devia saber das Ítacas, devia estar tranquilo também sabendo que lá, depois do arco-íris invisível metastaseado por aquele cinza da nuvem deve estar um céu bem azul.
Os sustos foram grandes. Sabe quando o banco balança e parece que a gente vai despencar lá embaixo? Não sabe? Claro. Você nunca foi a um parque de diversões. Você devia ir, vai acabar descobrindo que mesmo quando o aparelho está chato e as pessoas fazendo cara de assustadas, ou de medo, a tortura acaba. O moço sempre vira a manivela e bah! Acaba tudo.
A gente não caiu, nem vai cair. Os sustos foram apenas pedagógicos. A roda parece parada enquanto a morte ronda, mas a gente muda o final do filme. A gente até esqueceu um pouco o que ficou logo atrás dos ombros. Aqueles sorrisos, a-que-les sor-ri-sos! Lembra? Silenciosos comovem, barulhentos fazem a barriga doer e bagunçam os lençois. Bagunça boa... lembra tempo.
É, daqui de cima, pensando bem, não dá para ver direito. As pessos sumiram e só se vê o que é concreto, os borrões do asfalto, as luzes do carro passando rádido. Dentro deles imagino pessoas falando ou pensando freneticamente em tudo o que têm para fazer até virar o mês. Mesmo quando a gente se esforça, se concentrando em abrir bem os olhos não dá pra ver. Não dá pra achar nada que valha a pena contar, descrever animadamente, esculpindo a imagem à palavras, expulsando o mau humor com uma divertida história. Não, não vale a pena insitir naquele tumulto... não se salva nada. Só fica essa angustia... no fundo é bom, não falo da roda, falo da angustia. Alguém me dizia: não deixa água parada aqui dentro. Tão poucopra quem queria dizer coisas grandes, meio patético até, mas bem verdadeiro.
Sobra dentro, a gente começa a se questionar sobre coisas tão banais... Às vezes essa brincadeira de passar o tempo procurando o que fazer, o que escrever, acaba desencadeando uma mania de achar problema onde não tem. Já dizia a mamãe. É... o tédio e a impaciência. A gente não percebe, mas isso vai se enraizando tanto na rotina que depois é pior que erva-daninha pra matar. Xô pra lá! Entra no mar porque a coisa tá feia. Toma um banho de sal grosso, bate na madeira.
Faz uma respiração bem funda, tenta ultrapassar os limites da epiderme da alma, superfície calma? Esqueço sempre as letras...
Enfim, voltam os luares na história. Passaram-se vários, 10, 11... 12! A roda deve ter dado algumas voltas, a gente é que se perdendo em absurdos, não conseguiu anotar nada para contar nas horas de trânsito lento. Eu nem levei caderno... mas você pode sempre escrever em mim. "Me continua..."
Mas tiveram coisas bonitas no caminho, né? Conseguimos quase decorar as faixas de um ou dois shows inteiros. Acabou a pilha, mas hoje tem mais. Carne e osso, à cores e ao vivo. Chega desse papo de morte. Hoje tem 'mais do mesmo', que sendo da gente, não é monótono, é doce. É quase sempre doce. (Preciso encontrar um jeito de riscar o quase). É nosso e transforma a gente em luar.
"Coisas que eu sei - pensou - se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa".
Eu vou, mas eu volto. E chego já.
quinta-feira, maio 06, 2010
Sem dizer
Só a loucura. Apesar de e somando tudo, só a loucura. Sempre a um passo do desespero, sempre vestindo e encenando os dramalhões, sofrendo mais do que devo cada coisa. E não fazendo. Não fazer me toma um tempo, um esforço. Dá um trabalho negar tanta coisa e me manter imóvel no meio desse mundo que se movimenta tanto.
O peso de uma verdade, uma conversa - e alguém virá me dizer que não é o caso nem há motivo, já que a verdade não existe. Se preferirem, eu posso mesmo fingir que não existe e posso até dizer que assim será mais confortável.
Mas viver sempre me foi um desconforto tão grande. Porque é preciso viver dentro das engrenagens. A vida só é possivel em relação a outras pessoas. É um rede, ou uma cama de gato para quem preferir. Eu, que nunca soube desvencilhar com talento dos fios, fiquei enroscada de um jeito difícil de sair.
Invento desculpas, provoca uma briga e digo que não estou. Não tenho paciência para pagar a conta do analista.
As tais escolhas que é preciso fazer.
Eu que não peço mais força me pergunto se já tenho mesmo toda de que preciso.
O peso de uma verdade, uma conversa - e alguém virá me dizer que não é o caso nem há motivo, já que a verdade não existe. Se preferirem, eu posso mesmo fingir que não existe e posso até dizer que assim será mais confortável.
Mas viver sempre me foi um desconforto tão grande. Porque é preciso viver dentro das engrenagens. A vida só é possivel em relação a outras pessoas. É um rede, ou uma cama de gato para quem preferir. Eu, que nunca soube desvencilhar com talento dos fios, fiquei enroscada de um jeito difícil de sair.
Invento desculpas, provoca uma briga e digo que não estou. Não tenho paciência para pagar a conta do analista.
As tais escolhas que é preciso fazer.
Eu que não peço mais força me pergunto se já tenho mesmo toda de que preciso.
segunda-feira, maio 03, 2010
Sonolento
A semana começa meio sem pedir licença. Os olhos abrem sem força nem vontade e encontram uns borrões opacos pelo caminho que não querem seguir. Aliás, caminhos não faltam, estradas escuras e desertas pelas quais a mulher-que-escreve-um-poema-no-banco-de-trás passa sem nada pensar. O grafite passeia por papéis imaginários que ela representa com a força e a superficialidade que talhou só para a ocasião. Os caminhos são tantos e o sentido - aff - nenhum. Os dias passam voando com o vento no rosto, vendo taxímetros e ponteiros marcarem velocidades que não se julga capaz de percorrer. O corpo se deixa ir pesado para lugares cada vez mais distantes e indecifráveis. O caminho para Aeda é só o caminho. Escovando a contrapelo esse relógio estranho que na verdade se tenta parar mas, quando toca o objeto, a mão submerge na penugem esquisita e predadora.
Aquele homem ainda está sentado à beira da praia sentindo os suspiros da morte lhe fazerem rodopios no estômago. Aquela velha mulher ainda briga com a fobia de dirigir e vê que os dias são círculos concêntricos de raio decrescente fechando-se ao redor de alguma parte do corpo que sempre dói a mesma dor aguda de todos os dias e não sabe precisar onde fica de tanto que parece funda. Um menino brinca de estourar bolhas de sabão sem saber da violência com que destrói os próprios sonhos. Uma adolescente catastrófica acende um cigarro e contempla a fumaça pelo prazer de ter as rédeas de sua própria morte - uma parte de si pensa no homem à beira da praia, já há tantos anos congelado no mesmo tormento.
Nenhum deles sobreviveu a nada ainda. Nem se julgam capazes por circunstância de não mais que meros reflexos de uma página encardida e sublinhada numa estante. A menina fecha os olhos e ainda dança com as garras de seu falcão presas ao bracinho frágil. São só espirais de angústias vagas e, de tão fundas, superficiais. Não quero ir muito longe, nunca quis ir rápido e também nunca saí do lugar. Não preciso chegar ao final para saber o quão perigoso é viver - nem a carência de abrir mão de minhas palavras grandes e neologismos infantis.
Tem uma doçura. Eu sei, embora não possa provar o paladar alheio, que existe uma doçura quase palpável nos sobrevoando. E sei todas as velhas histórias sobre o caminho, a estrada e a distração. Sei da urgência que se imprime na pele enegrecida pelo tempo, calor e esforço.
Aquele homem ainda está sentado à beira da praia sentindo os suspiros da morte lhe fazerem rodopios no estômago. Aquela velha mulher ainda briga com a fobia de dirigir e vê que os dias são círculos concêntricos de raio decrescente fechando-se ao redor de alguma parte do corpo que sempre dói a mesma dor aguda de todos os dias e não sabe precisar onde fica de tanto que parece funda. Um menino brinca de estourar bolhas de sabão sem saber da violência com que destrói os próprios sonhos. Uma adolescente catastrófica acende um cigarro e contempla a fumaça pelo prazer de ter as rédeas de sua própria morte - uma parte de si pensa no homem à beira da praia, já há tantos anos congelado no mesmo tormento.
Nenhum deles sobreviveu a nada ainda. Nem se julgam capazes por circunstância de não mais que meros reflexos de uma página encardida e sublinhada numa estante. A menina fecha os olhos e ainda dança com as garras de seu falcão presas ao bracinho frágil. São só espirais de angústias vagas e, de tão fundas, superficiais. Não quero ir muito longe, nunca quis ir rápido e também nunca saí do lugar. Não preciso chegar ao final para saber o quão perigoso é viver - nem a carência de abrir mão de minhas palavras grandes e neologismos infantis.
Tem uma doçura. Eu sei, embora não possa provar o paladar alheio, que existe uma doçura quase palpável nos sobrevoando. E sei todas as velhas histórias sobre o caminho, a estrada e a distração. Sei da urgência que se imprime na pele enegrecida pelo tempo, calor e esforço.
A senha da roda gigante
Fissura de quem segura muita coisa. Vertigem germinando num mundo que não pára de rodar. Tentando ir junto e fazendo cara de feliz enquanto a náusea da roda me toma. Decorei a palavrinha, mas toda vez que repito, há uma dor funda e estranha na garganta. Parece que até para entrar na roda e rodar (ah, eu não sei como se dança, eu não sei dançar) preciso abdicar dos cem. As coisas se montam sozinhas, sem que eu veja - e muito menos tenha algum controle. Tá lá. Tá tudo lá. Tudo pronto. Mas nem que eu tenha que desfazer tudo, jogar tudo no chão e refazer em cada pedaço o nosso mosaico colorido, não vou me deixar acreditar que a vida vai por si e a gente só vai vivendo. Minha teimosia em ter as tais rédeas na mão que nunca cavalgou me faz desmanchar tudo com a mão e refazer cada grãozinho.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Algo que pode ser uma despedida
Sem fé nem coragem, mas com alguma pressa, piscou os olhos como quem sabe o que faz e foi para o outro lado.
O lado de quem sabe o que faz. Chegando lá, sentou e esperou pacientemente o momento de saber, de agir e viver como se fosse a coisa mais natural - afinal, se nascemos, é o que resta. Ficou pensando nos restos de si que deixara pelo caminho e nada parecia muito natural.
Continuou sem saber se algum grande momento viria, se era dor do tamanho ou do peso aquilo que sentia; se os outros não sentiam nada ou sabiam era fingir muito bem.
Fechou os olhos como quem não tem fé nenhuma.
O lado de quem sabe o que faz. Chegando lá, sentou e esperou pacientemente o momento de saber, de agir e viver como se fosse a coisa mais natural - afinal, se nascemos, é o que resta. Ficou pensando nos restos de si que deixara pelo caminho e nada parecia muito natural.
Continuou sem saber se algum grande momento viria, se era dor do tamanho ou do peso aquilo que sentia; se os outros não sentiam nada ou sabiam era fingir muito bem.
Fechou os olhos como quem não tem fé nenhuma.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
O meu escudo além dos olhos
Enquanto você não chega eu fico aqui inventando coisas que não dão para amassar depois e jogar longe. [Eu dou para amassar depois e me guardo perto, sempre perto]
Enquanto o vento corre seco nas flores da noite lá fora eu fico esperando que você vá, mas vá logo. Pra depois voltar mais logo ainda.
Enquanto essa sede de muito mais coisas do que você envelhece na boca e na pele como a vista que cansa dos mosaicos a cores, eu me coloco nesses mosaicos muitos mais estranhos e finjo que faz sentido apenas esperar de boca vazia e barriga cheia.
Você não veio nem vem e já passaram muitos anos desde o tempo que eu acreditava que a vida tanto fazia pra mim. Pois tanto faz que você não venha, porque eu espero você chegar do mesmo jeito. Tanto faz que você não queira, que eu espero a maré virar, o oceano ir e voltar, porque eu não nasci ontem, eu sei que volta. E seja em caravelas, barcas, balsas, aviões, foguetes ou bolhas de sabão, eu sei que você sempre vai e sempre volta. Como criança que espera a mãe trabalhar. Como os objetos que jogo nas paredes na raiva de ausência e que só voltam despedaçados. Não peço que volte inteira. Aliás, nunca pedi nada mesmo. Só quero o que me seja dado de graça. Você é uma graça! E o mundo uma casa aconchegante. Vence na vida quem diz sim.
Sim aos meus escudos além dos olhos, os meus apuros além dos poros. O meu seguro que já não precisa de prestações e dívidas velhas. Meus olhos sabem que você chega mesmo que não veja, que você deseja - e eu desejo - mesmo que não tenha. Que você receba, mesmo que não venha (mas venha!)...
Eu me desmorono toda, porque já entrei e não é o caso de ter ou não volta.
Enquanto o vento corre seco nas flores da noite lá fora eu fico esperando que você vá, mas vá logo. Pra depois voltar mais logo ainda.
Enquanto essa sede de muito mais coisas do que você envelhece na boca e na pele como a vista que cansa dos mosaicos a cores, eu me coloco nesses mosaicos muitos mais estranhos e finjo que faz sentido apenas esperar de boca vazia e barriga cheia.
Você não veio nem vem e já passaram muitos anos desde o tempo que eu acreditava que a vida tanto fazia pra mim. Pois tanto faz que você não venha, porque eu espero você chegar do mesmo jeito. Tanto faz que você não queira, que eu espero a maré virar, o oceano ir e voltar, porque eu não nasci ontem, eu sei que volta. E seja em caravelas, barcas, balsas, aviões, foguetes ou bolhas de sabão, eu sei que você sempre vai e sempre volta. Como criança que espera a mãe trabalhar. Como os objetos que jogo nas paredes na raiva de ausência e que só voltam despedaçados. Não peço que volte inteira. Aliás, nunca pedi nada mesmo. Só quero o que me seja dado de graça. Você é uma graça! E o mundo uma casa aconchegante. Vence na vida quem diz sim.
Sim aos meus escudos além dos olhos, os meus apuros além dos poros. O meu seguro que já não precisa de prestações e dívidas velhas. Meus olhos sabem que você chega mesmo que não veja, que você deseja - e eu desejo - mesmo que não tenha. Que você receba, mesmo que não venha (mas venha!)...
Eu me desmorono toda, porque já entrei e não é o caso de ter ou não volta.
terça-feira, novembro 24, 2009
Iguais (Isabela Taviani)
No dia em que ela se declarou a cidade inteira
silenciou
Todos queriam ouvir a resposta
Águias com seus vôos razantes, urubus a espreita
de um pobre instante
Rezando pelo não nas suas costas
E ela cantava o seu amor
Com a sua garganta bran-ca
E ela jurava o seu amor
Com sua garganta San-ta
No dia em que a outra decidiu enfrentar o mundo
por aquele amor
Sentiu o peso sobre seus ombros
Pai, mãe, filho, irmãos, amigos e um casamento
antigo
Julgamentos e seus escombros
Mas elas se amavam tanto
Que já não cabia engano
Mas elas se desejavam tanto
Mesmo o futuro uma tela em branco
Nunca foi tarde demais
O medo, a verdade desfaz
Águias, urubus, julgamentos, fobias, força bruta
Tudo é pouco demais
Código civil, onde se viu, nêgo que enrustiu não
separa os iguais!
silenciou
Todos queriam ouvir a resposta
Águias com seus vôos razantes, urubus a espreita
de um pobre instante
Rezando pelo não nas suas costas
E ela cantava o seu amor
Com a sua garganta bran-ca
E ela jurava o seu amor
Com sua garganta San-ta
No dia em que a outra decidiu enfrentar o mundo
por aquele amor
Sentiu o peso sobre seus ombros
Pai, mãe, filho, irmãos, amigos e um casamento
antigo
Julgamentos e seus escombros
Mas elas se amavam tanto
Que já não cabia engano
Mas elas se desejavam tanto
Mesmo o futuro uma tela em branco
Nunca foi tarde demais
O medo, a verdade desfaz
Águias, urubus, julgamentos, fobias, força bruta
Tudo é pouco demais
Código civil, onde se viu, nêgo que enrustiu não
separa os iguais!
quinta-feira, outubro 22, 2009
Sabe o que me cansa? São essas suas palavras que eu tenho que arrancar do meio da tua garganta, criança! Que eu tenho que trazer de dentro do teu peito perfeito...
Mas eu aqui, largada num canto desse apartamento: eu choro mais, eu choro menos. Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo - desaparecendo como uma foto de Polaroid, eu morro mais ou morro menos. Tanto fez, você não veio mesmo.
Sabe o que me mata? São os teus olhos de vidraça fosca embaçada à jato de areia de onde não mina uma lágrima, teu olho turmalina, pedra muito negra como esse tal amor por mim.
Mas eu aqui, largada num canto desse apartamento: eu choro mais, eu choro menos. Tanto faz, você, você não vem mesmo. Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de Polaroid: eu morro mais ou morro menos. Tanto fez, você não veio mesmo.
Sabe, eu odeio, odeio adorar teu jeito simples de viver. Ver você sorrindo assim loucamente quando estou aqui presente. Sentir as tuas pernas trêmulas depois do prazer satisfeito. E é por isso que eu não aceito, eu não aceito não, ver você assim retrocedendo, abrindo mão dos sonhos, fantasias por essa covarde covardia. Muito menos pagando o preço dos nossos pecados nem se fosse dez centavos.
Mas eu aqui, largada num canto desse apartamento: eu choro mais, eu choro menos. Tanto faz, você, você não vem mesmo. Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de Polaroid. Eu morro mais ou morro menos. Tanto fez, você não veio mesmo. Não veio...
--------------------------------------------
Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso, mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido e te liguei. Me encontro tão ferida, mas te vejo ai também em carne viva. Será que não tem jeito? Esse amor ainda nem nasceu direito, pra morrer assim.
Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais. Se você tivesse tido calma pra esperar. Se você quisesse poderia reverter. Se você crescesse e então se desculpasse.
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo! É que eu não posso mais...
Não vou voltar atrás, raspe dos teus dedos minhas digitais. Eu não vou voltar atrás!
Apague da cabeça o meu nome, telefone e endereço...
Eu não vou, eu não vou voltar atrás, arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos...
Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só. Me dói essa lembrança das suas mãos em minhas costas sob o sol da manhã. Você já me dizia: conheço bem as suas expressões. Você já me sorria ao final de todas as minhas canções. Então por que?
(Foto Polaroid/Digitais - Isabella Taviani)
Mas eu aqui, largada num canto desse apartamento: eu choro mais, eu choro menos. Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo - desaparecendo como uma foto de Polaroid, eu morro mais ou morro menos. Tanto fez, você não veio mesmo.
Sabe o que me mata? São os teus olhos de vidraça fosca embaçada à jato de areia de onde não mina uma lágrima, teu olho turmalina, pedra muito negra como esse tal amor por mim.
Mas eu aqui, largada num canto desse apartamento: eu choro mais, eu choro menos. Tanto faz, você, você não vem mesmo. Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de Polaroid: eu morro mais ou morro menos. Tanto fez, você não veio mesmo.
Sabe, eu odeio, odeio adorar teu jeito simples de viver. Ver você sorrindo assim loucamente quando estou aqui presente. Sentir as tuas pernas trêmulas depois do prazer satisfeito. E é por isso que eu não aceito, eu não aceito não, ver você assim retrocedendo, abrindo mão dos sonhos, fantasias por essa covarde covardia. Muito menos pagando o preço dos nossos pecados nem se fosse dez centavos.
Mas eu aqui, largada num canto desse apartamento: eu choro mais, eu choro menos. Tanto faz, você, você não vem mesmo. Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de Polaroid. Eu morro mais ou morro menos. Tanto fez, você não veio mesmo. Não veio...
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Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso, mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido e te liguei. Me encontro tão ferida, mas te vejo ai também em carne viva. Será que não tem jeito? Esse amor ainda nem nasceu direito, pra morrer assim.
Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais. Se você tivesse tido calma pra esperar. Se você quisesse poderia reverter. Se você crescesse e então se desculpasse.
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo! É que eu não posso mais...
Não vou voltar atrás, raspe dos teus dedos minhas digitais. Eu não vou voltar atrás!
Apague da cabeça o meu nome, telefone e endereço...
Eu não vou, eu não vou voltar atrás, arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos...
Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só. Me dói essa lembrança das suas mãos em minhas costas sob o sol da manhã. Você já me dizia: conheço bem as suas expressões. Você já me sorria ao final de todas as minhas canções. Então por que?
(Foto Polaroid/Digitais - Isabella Taviani)
terça-feira, setembro 08, 2009
Carta
"Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre.(...)
Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.
Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.
É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. (...)
Remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.
E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.
Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido".
(Caio Fernando Abreu)
Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.
Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.
É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. (...)
Remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.
E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.
Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido".
(Caio Fernando Abreu)
segunda-feira, agosto 24, 2009
E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?
E agora como posso te esquecer?
Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?
E o seu cabelo está enrolado no meu peito?
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
E agora, como eu passo sem te ver?
Se o seu nome está gravado no
Meu braço como um selo?
Nossos nomes que tem o "N"
Como um elo
E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o
Meu prazer?
E o meu corpo está moldado com o teu?
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
E que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
De novo...de novo...de novo...
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?
E agora como posso te esquecer?
Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?
E o seu cabelo está enrolado no meu peito?
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
E agora, como eu passo sem te ver?
Se o seu nome está gravado no
Meu braço como um selo?
Nossos nomes que tem o "N"
Como um elo
E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o
Meu prazer?
E o meu corpo está moldado com o teu?
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
E que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
De novo...de novo...de novo...
segunda-feira, agosto 03, 2009
Tudo sobre você
Zélia Duncan
Composição: John Ulhoa - Zélia Duncan
Queria descobrir
Em 24hs tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir
E num fim de semana
Tudo que você mais ama
E no prazo de um mês
Tudo que você já fez
É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor
Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria
Composição: John Ulhoa - Zélia Duncan
Queria descobrir
Em 24hs tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir
E num fim de semana
Tudo que você mais ama
E no prazo de um mês
Tudo que você já fez
É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor
Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria
quarta-feira, julho 29, 2009
Tra dire e fare (Giorgia)
Tra dire e fare
tra terra e mare
tra tutto quello che avrei da dire sto qua
a parlare d'amore
tra dire e fare
tra bene e male
con tutto quello che avrei da fare sto qua
che penso solo a te
e tu lasciami fare
a me basta restare un po'
un po' di tempo a parlare insieme a te
solo a parlare
non voglio fare l'amore
a me basta guardarti un po'
guardare i tuoi movimenti così lenti
che mi fai sentire che
fammi sentire che
che durerà tra te e me
e il tempo si fermerà
tra te e me
tra dire e fare
tra miele e sale
resto a sentire
i tuoi pensieri per me
che fanno rumore
e tu lasciami fare
a me basta restare un po'
un po' di tempo a parlare insieme a te
solo a parlare
non voglio fare l'amore
a me basta guardarti un po'
guardare i tuoi movimenti così lenti
che mi fai sentire che
fammi sentire che
che durerà tra te e me
e il tempo si fermerà tra te e me
tu dimmi che durerà tra te e me
e il tempo si fermerà
tra te e me
tra terra e mare
tra tutto quello che avrei da dire sto qua
a parlare d'amore
tra dire e fare
tra bene e male
con tutto quello che avrei da fare sto qua
che penso solo a te
e tu lasciami fare
a me basta restare un po'
un po' di tempo a parlare insieme a te
solo a parlare
non voglio fare l'amore
a me basta guardarti un po'
guardare i tuoi movimenti così lenti
che mi fai sentire che
fammi sentire che
che durerà tra te e me
e il tempo si fermerà
tra te e me
tra dire e fare
tra miele e sale
resto a sentire
i tuoi pensieri per me
che fanno rumore
e tu lasciami fare
a me basta restare un po'
un po' di tempo a parlare insieme a te
solo a parlare
non voglio fare l'amore
a me basta guardarti un po'
guardare i tuoi movimenti così lenti
che mi fai sentire che
fammi sentire che
che durerà tra te e me
e il tempo si fermerà tra te e me
tu dimmi che durerà tra te e me
e il tempo si fermerà
tra te e me
segunda-feira, julho 27, 2009
Aperte o interruptor por mim
Não era pra ser vermelho. Mas quando viu já estava na rua e não tinha volta. Quer dizer, ter até tinha. Ela que não queria voltar. Foi com a cara de quem sabe que o que vai por fora não tem lá muita importância quando a gente quer entrar e apagar a luz.
Foi o que fez.
Sozinha em casa, sem nenhuma vontade de encarar aquele vermelho impetuoso que a invadia até pelos reflexos do armário da cozinha, o único sossego era a escuridão. No seu mundo, seu quarto. Onde não haviam espelhos nem cores.
Decidiu que ficaria só.
Foi o que fez.
Sozinha em casa, sem nenhuma vontade de encarar aquele vermelho impetuoso que a invadia até pelos reflexos do armário da cozinha, o único sossego era a escuridão. No seu mundo, seu quarto. Onde não haviam espelhos nem cores.
Decidiu que ficaria só.
quinta-feira, julho 09, 2009
Pelas ruas flores e amigos me encontram vestindo meu melhor sorriso...
"Ele perguntou:
– Procura margaridas?
Ela respondeu:
– Já era.
Ele perguntou:
– Avencas?
Ela respondeu:
– Falou".
(Caio Fernando Abreu - "A margarida enlatada" in: O Ovo apunhalado).
– Procura margaridas?
Ela respondeu:
– Já era.
Ele perguntou:
– Avencas?
Ela respondeu:
– Falou".
(Caio Fernando Abreu - "A margarida enlatada" in: O Ovo apunhalado).
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