domingo, julho 31, 2011
Para nós todas as palavras do mundo.
quinta-feira, julho 21, 2011
terça-feira, julho 12, 2011
O quereres
segunda-feira, julho 11, 2011
sexta-feira, julho 08, 2011
sexta-feira, julho 01, 2011
Martelo Bigorna (Lenine)
Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço
Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo
Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna
Vou certo
De estar no caminho
Desperto.
quarta-feira, junho 29, 2011
No dia em que Caio F. morreu
No dia em que Caio Fernando Abreu morreu, esqueci de colocar o despertador para acordar, sempre isso, atraso, alguma correria, um despertar sem jeito, apressado, um susto. Chão de cerâmica frio, pisei tateando o dia, o despertar seco de um fevereiro sem Carnaval. Corri para pegar o carro, ir para a faculdade, aula de Filosofia, mas antes tinha ela, a educação física, e eu pensei algo como “mente sã, corpo são”, uma certa raiva de forçarem a gente a fazer exercícios àquela hora da manhã, mas não havia tempo para questionar, um, dois, um, dois, segura o abdômem, segue fazendo, sim, você consegue, vai, vai, não fui. Talvez me animasse com uma partida de vôlei ao final, mas o corpo doía das flexões e, na hora do salto, a queda - que queda. Feriu? Feriu? Uns arranhões somente, passa merthiolate, tem mercúrio?, mercúrio cromo, band-aid, bandaid. Sangrou, mas, como tudo que arranha, sangra pouco, só arde. Assopra que passa. E mal cheguei na cantina para almoçar já tinha a casquinha da ferida se formando. Me orgulhei das defesas do meu corpo, tantos anticorpos, glóbulos vermelhos espartanos, armados até os dentes, ninguém passa, nenhuma dor, nenhuma perda. E mal acabei de almoçar, a ferida ali, toda-toda, a ferida, assim, me dizendo “me esquece”, e Tiago aparece. Eu tropeço, me segura senão eu caio, Carol me segurou, mas magoou a ferida, de leve, roçou num canto de parede, aquela camada de casca sobrou, assopra, assopra, e Fabíola assoprou, ninguém sabia, mas foi tudo culpa de Tiago, esse tropeço, esse empurrão, e chegaria o dia em que, sem muletas, eu iria encostar Tiago num canto escuro e dizer que nem Neusa Suely, “bate, mas bate legal”, com a voz rouca de Vera Fischer naquela adaptação xinfrim de Plínio Marcos feita pelo picareta do Neville D’Almeida. Aula de Filosofia mancando, mas o texto era da Marilena Chauí e, nessa época, eu pouco me importava se a Marilena Chauí era de direita, de esquerda, se era lulista, FHCista, o escambau, eu queria ouvir Bethânia dizer que eu-tenho-esse-jeito-meio-estúpido-de-sere- de-dizer-coisas-que-podem- magoar-e-ofender e ir para casa escrever algumas coisas para Tiago e dançar até amanhecer no Boato aquela música que dizia but I’m here to remind you of the mess you left when you went away, raivosa, e entrar na pista vazia do Guitarra’s ao som de Wonderwall para ver se, do nada, do nada, você aparecia e maybe you’re the one that saves me. E você sempre aparecia. Do nada. Do nada. Com ela. E tinha a coisa de me vangloriar que eu passava a noite inteira e gastava R$ 10, só na Coca, na água, para não me embriagar e perder de te ver. E foi Fabíola quem me disse “Caio morreu”, assim, seco, sem preparar terreno nem nada, o morango mofou, o dragão finalmente foi conhecer o paraíso, uma pequena – grande – epifania. Era o fim. Ou o começo. Porque a pressa do começo do dia tinha me feito esquecer. 25 de fevereiro, hoje, é o aniversário do meu pai. E Caio no Menino Deus, vezenquando gente, vezenquanto alma, indo embora, lá em casa, bolo, coxinha, strogonoff de carne, arroz branco, batata palha, meu pai, 57 anos, descobriu uma doença na coluna, era o primeiro aniversário dele sentado. Sentado hoje e para sempre. Muitas felicidades, muitos anos de vida. Sentado, deitado. Ver meu pai naquela cadeira automóvel-conversível diante da vela, diante do bolo, só me lembrava Caio Fernando jardineiro, dizendo que “girassol quando abre em flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor”. Mas girassol não se entrega. E a espada que o jardineiro coloca para segurar a flor do girassol é essa cadeira-muleta que leva meu pai, esse nascido sob o signo de Peixes, para um lugar em que a palavra que deve aparecer é “durar”. E diante daquele bolo, diante da doença que faz meu pai, a cada dia, esquecer um pouco de mim, eu lembrei que “não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo, compreendeu?”. Foi depois de meu pai, com algum esforço, cortar o pedaço do bolo e dar o primeiro pedaço à minha mãe, que lembrei daquela frase de Henry Miller e que, me parece, era tudo o que Caio parecia dizer ao pai dele, naquele dia, 25 de fevereiro, em que, depois de tantos suores, tantos medos, tantos agostos secos, Porto Alegre cinza, depois de ser um estranho estrangeiro e de inventariar essa coisa chamada Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, essa Síndrome do Irremediável Abandono, Síndrome da Ineficiência do Afeto, Síndrome do Inefável Acanhamento, finalmente, num sopro de vida, Caio Fernando dizia, citando Henry Miller: “Agora eu nunca estou sozinho, na pior das hipóteses estou com Deus!”.
SOBRE O AUTOR
Thiago Soares é professor da UFPB e autor da dissertação Loucura, chiclete & som: A prosa-videoclipe de Caio Fernando Abreu.
terça-feira, junho 28, 2011
domingo, junho 26, 2011
terça-feira, junho 21, 2011
Je suis Venu te Dire Que Je m'en Vais
sexta-feira, junho 17, 2011
O diabo dessa vida não é que entre cem caminhos diferentes nós temos de escolher um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove. O diabo dessa vida é que há coisas sobre nós mesmos que a gente não escolhe. Há-que admitir que nem sempre a escolha é possível. Só podemos controlar a maneira como lidaremos com esse imutável. O desejo é inexorável. O não-desejo também. Há-que ter coragem para enfiar a unha na garganta. Angústia maior do que a de estar encruzilhado numa esquina sem rumo é admitir que não há rumo. Há uma questão de ser o que se é, pois abdicar da vida ainda não é opção. "Tem umas coisas que a gente vai deixando de ser, vai deixando de ser e nem percebe".
terça-feira, junho 07, 2011
domingo, junho 05, 2011
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem"
quinta-feira, junho 02, 2011
A sua falta vai me incomodar,
E quando eu não agüentar mais
Vou chorar baixinho, pra ninguém ouvir.
Vai sim, vai ser sempre assim,
Um pra cada lado, como você quis
E eu vou me acostumar,
Quem sabe até gostar de mim.
Mesmo que eu tenha que mudar
Móveis e lembranças do lugar,
O meu olhar ainda vê o seu
Me devorando bem devagar.
Vem, que eu ainda quero, vem.
Quando menos espero a saudade vem
E me dá essa vontade, vem
Que eu ainda sinto frio
Sem você é tudo tão vazio
Vem me dar essa vontade,
Vem que esse amor ainda é meu.
Troco todos os meus planos por um beijo seu
E essa noite pode terminar bem.