terça-feira, maio 02, 2006

Boneca de pano

Feita de louça
Torna-se moça
Cresce de repente
Feito sol nascente

Passeia tranquila
Dobrando as esquinas
Dobrando o papel
No meu carrossel

Menina tão doce
Amor, tão amada
Me pede que fosse
De novo apaixonada

Faça o que quiser,
boneca de pano,
te faço mulher
ao som de um piano

Em algum dia de 2003

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14 de abril de 2006

A boneca de pano, de tão remendada, acabou mesmo virando mais que enfeite de prateleira. E olha que ela também nunca teve manual. O som do piano passou sem que ninguém parecesse ouvir... A boneca, ali na rua, anda apressada, embora muito segura, sobre o salto alto. Ela agora se pinta das cores do céu para esconder as marcas do peso dos anos. Mas os anos nem passaram de verdade no relógio... Em contrapartida, a alma vai cheia de rugas, esguia e segura dos modos que tem. Há quem só veja a boneca nua, sussurrando entre sonhos secretos um prazer indescritível.
Outro dia mesmo cruzei com ela na esquina. Parada esperando lhe vir a vida sem saber que esta não vem. Só sabe ir...