sábado, outubro 29, 2005

Alma nova

Sempre que te vejo assim
linda, nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí
e eu digo calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir
então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento, tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender


domingo, outubro 23, 2005



Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer

Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido

Teu paletó enlaça o meu vestido

E o teu sapato inda pisa no meu

Como, se nos amamos feito dois pagãos

Meus seios inda estão nas tuas mãos

Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei de partir

quinta-feira, outubro 20, 2005

Aos mares

Mais que um poema e uma foto
vão de oferta - viajando entre confidências,
solidificando em sonhos,
concretizando em vozes poéticas
lendo outros poetas -
de você até mim,
de mim até você.

"Conheci um rapaz, Eliza!
Você vai gostar..."
Quase uma professia, uma premonição.
Um sei-lá-o-quê de sei-lá-quem nos uniu.
Pegou pelos braços (paralelos)
Falou de poesia, planos, loucuras
Fez entre nós esses mil elos
Entornou na mesa amizade pura!
Dessas feitas de acaso
por mais que eu saiba
que ainda não fizemos.
Estamos fazendo...

E essa coisa que já virou hábito...
Virou até plágio isso de pedir um poema.
Mas eu pedi.
Ganhei dois até.
E ganhei outros muitos
em voz firme e branda
me rasgando a alma.

Voz não se leva para casa
Caos, mesmo da alma,
não se leva para cama.
Esqueci de avisar:
Eu não sei fazer poesia!!!
Mas eu sinto um monte delas
bem aqui dentro de mim.
E às vezes esse sentir dói
Às vezes esse sentir
cruza com outro sentir
E sente explodindo
e transbordo.
Daí escorre minha poesia...
Derrama-me a alma inteira no mar!
Nisso, vez ou outra,
aparece alguém que me afoga de vez
ou me leva à beira do mar
Faz-me noiva - mares 7
Dá-me medo de escolhas,
palavras no quardanapo
e pede algo em troca.
Eu tremo de receio.

Mas está aqui minha poesia torta - tonta
Inteira com cara de meio
Escrita por quem abre a porta
Com medo de dar o que leio.


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Pra ti, Osmar!
conforme eu prometi.
Não é por nada não, mas eu saí linda nessa foto.
bjs

sábado, outubro 15, 2005

Devaneios d'outro espaço-tempo

Não mostrei a poesia que fiz. Devia mesmo ter morrido. Mas como falta coragem! Tenho fome de muitas coisas. Não sei até que ponto conheço as verdades. Devia ter mandado emails de dia do mestre.Tenho medo do fim, tenho medo de outras vidas. Fernando Sabino o quê? Eu não sei nada, vou tentar aprender porquês. Tenho medo desse não medo que me dá sua presença. "Perdi-me muitas vezes pelo mar." Perdi as águas doces de cloro. Perdi. Cadê? 'Tou me ´procurando, mas confesso que tenho um medo enorme de achar.

Desapego. Desassossego. Não se pode soltar a fumaça e gritar simplesmente, nem escrever um poema no banco de trás. Mas na parede pode. Se resistir... Se durar... Eu prometo. E daí? Daqui a um tempo eu prometo um espaço-tempo só nosso. Agora eu não tenho. Me acostumei a outras trilhas. Assim, solta no iluminado mundo real, penso se não seria melhor estar trancada num quarto escuro. Acompanhada apenas de uma espera esperançosa. Seria? Tem mundo fora do quarto escuro? "Têm varal?" Nãããããão! Eu não sei mentir. Vou parar com as cervejas. Eu e meu costume de ficar devendo. Bebendo... Bebê? Florzinha? Biiiiiiiii! Denise? Eu?! Eu... Sempre caio nessa de falar de mim. Melhor quebrar a cara do que quebrar um nariz e não parar de sangrar... Nunca tampem meu olho. Nem ponham tampão no nariz sangrento. Não mudou muita coisa. Ei, pare de falar. Não quero mais ver filme. Já me chega um filme bom por dia. Isso sem falar na vida. Não sei se é esse o propósito , mas ela me tem sido um ótimo entretenimento.

Bocas de cimento à luz do amanhecer. Tenho fopme mesmo depois do filme. Vou parar de ser do jeito que as pessoas querem que eu seja. Não quero nunca ser uma boboca apaixonada. Fechei para balanço. Se me procurarem, vão ver que eu estou lá, em qualquer parquinho. Beija o beijo do tchau-adeus quase despercebido. Não quis dizer o quanto eu estava nervosa. As mãos tremem... Não soube ficar perto. Vou parar de não saber. Sei de coisas tão bonitas! Mas é segredo. Tenho lá o meu lá também. Me dê meia dúzia de motivos para não desaprender a viver:
- O mundo é tão pop.
- A vida é tão vazia/clichê
- Tenho a história mais linda.
- E eu ganho porque é verdade.
- Respeito seus limites. Não quero.

E foi cada um prum lado, já meio sem saco de voltar atrás. As estórias são assim...

(ontem)

segunda-feira, outubro 10, 2005

Conversa de botas batidas

- Veja você, onde é que o barco foi desaguar? A gente só queria um amor...
- Deus parece às vezes se esquecer!
- Ai, não fala isso, por favor! Esse é só o começo do fim da nossa vida. Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida que a gente vai passar...Veja você, quando é que tudo foi desabar...A gente corre pra se esconder e se amar, se amar até o fim. Sem saber que o fim já vai chegar.
- Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga. Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar. Abre a janela agora: deixa que o sol te veja. É só lembrar que o amor é tão maior que estamos sós no céu. Abre as cortinas pra mim, que eu não me escondo de ninguém! O amor já desvendou nosso lugar e agora está de bem.
- Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga. Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar. Diz quem é maior que o amor?
- Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora!
- Vem, vamos além...Vão dizer que a vida é passageira sem notar que a nossa estrela vai cair...

domingo, outubro 09, 2005

Início e fim sem meio


Estranho isso de estrear uma nova página. Quase como renascer uma parte. Deveria dizer coisas de mim, mas sou muito pouco interessante. O que aliás poderia desencadear uma reflexão sobre o sentido de estar aqui criando esse sítio de loucuras ainda não cultivadas. Há muito deixei de buscar sentido, prefiro sentir. Estou jogando na terra molhada, na página negra, sementes de uma nova eu. Uma nova parte nasce. Uma velha parte morre. Uma velha parte nasce. Uma nova parte morre. E eu? Cíclica. Sifilítica. Cancerosa. Avião. Palma. Arquiteta do porvir. Insulto. Eu e eu e eu e eu e eu. Ego. Um lugar pra mim só.
Mas se quiser entrar, fique à vontade...