sexta-feira, junho 26, 2009

Dois patinhos na lagoa

Hoje eu acordei meio séria e ando com vontade, já faz algum tempo, de mudar a cara disso daqui. Romper com a minha hipocrisia que prega a liberdade de formatos para esse blog, quando, afinal, sempre escrevo as mesmas coisas, do mesmo jeito por sinal. Enfim, no meio de uma oscilação entre pólos que pode vir a me enlouquecer - os posicionamentos políticos, meu deus! - acho que preciso usar esse espaço para falar de algumas coisas que tem me incomodado.

Ontem à noite, eu estava deitada no sofá da minha casa, com febre e impossibilitada de levantar para pegar o controle remoto quando, no intervalo de um emocionante "TV Fama - especial Michael Jackson" vi uma propaganda assustadoramente imbecil. Tratava-se do PR, Partido da República. Não sei há quanto tempo isso existe, se era um outro que mudou de nome ou coisa parecida. Fato é que se a política brasileira já era uma palhaçada sem tamanho, ver esse comercial me provou que as coisas sempre podem piorar.

Consistia em dois jovens felizes e descolados num diálogo mais ou menos assim: "o que o número 22 te lembra?"; "Dois patinhos na lagoa"; "Mas o número 22 também é o número do Partido da República"(!!!!!!!!!!!). Aí, quando eu pensei que a coisa já estava ridícula o suficiente, o casal descolado anunciou um concurso de desenho para a escolha do novo mascote do partido, cuja premiação era algo em torno de 10 mil reais.

Nenhuma promessa para não cumprir, nenhuma difamação de adversários, nenhuma cena triste da realidade brasileira ou cenas positivas de grandes realizações (não saberia o que esperar, porque sinceramente não sei se esse tal partido está ou não no poder). Fiquei pensando que daqui a um tempo eles usarão o slogan de um partido limpo, que não joga baixo. Sim, porque realmente vivemos num mundo em que a política não passa de um jogo no qual o vencedor é aquele que possui o melhor marketeiro. Dentro dessa lógica, faz todo sentido ter um bom logotipo.

Gostaria de ter ficado assustada ou surpresa, mas acho que o pior de tudo é saber que isso não me surpreende. Não surpreende a nenhum de nós...
Não resisti à curiosidade e fui conferir o site do tal partido. Adivinhem? É o partido do Garotinho. Ia dizer que é um partido do qual ele faz parte, mas se alguém for conferir o site, descobrirá porque digo que é o partido do Garotinho.
Enfim, não dá mesmo para discutir política no Brasil, porque ela não deve existir.

Se alguém estiver interessado, segue o link do concurso: http://www.partidodarepublica.org.br/PR22/Noticias_Republicanas_2009/noticias_2009_0563.html

quinta-feira, junho 25, 2009

Sobre o amor

"Não falo do amor romântico,aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.

O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas.

O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto".

[Paulinho Moska]

quinta-feira, junho 18, 2009

Desabafo (ou um trocadilho muito pessoal)

As tempestades vêm para que tenhamos certeza do que pode resistir a elas.

Confesso que duvidava. Ou pior, tinha mesmo certeza de que algum abismo desabaria e a queda seria fatal. A queda é dolorosa. Mas fatal não.

No meio da queda livre não há muito em que se agarrar, mas alguns elos embora pareçam frágeis continuam ligados enquanto você tiver força ao menos para segurá-los. Pode ser de leve, eles também são leves em meio a tudo que pesa e te puxa pra baixo.

Eu seguro até não aguentar e mesmo depois. Mesmo que a força não seja muita, a certeza é forte. Essa certeza indizível, invisível ao passo que tão palpável. Essa certeza indecifrável. A certeza me mantém aqui, apenas um pedaço de alguma coisa em que você pode se agarrar. Não precisa segurar com força que eu não vou soltar. Confie em mim.

No meio da monstruosa tempestade, estou aqui com meu pequeno guarda-chuva aberto, que não vai conseguir te manter seca, mas vai te proteger um pouco mais.

Pena que não possa fazer cessar todo o resto e reabrir no horizonte aquela primavera bonita que bem conhecemos.

Mas por trás das nuvens, aquele ponto brilhante, está vendo? [Não é um ovni.] É um raio de sol de um céu que vai se abrir.

quarta-feira, junho 10, 2009

Mais um segredo

Eu quis cantar minha canção iluminada de sol, digo, quis contar ou vier um momento mágico, mas o relógio gritava e corria feito alice no país das maravilhas.

Então, pensei em ficar triste, chorar de saudade, dormir tristonha quando vi (como se ainda não tivesse visto o que já há tanto sabia) que até os mais mínimos momentos cintilam magia.

Ninguém é capaz de entender, é quase imperceptível a quem não tem os sentidos apurados pelo sentimento.

Mas eu vi o quanto cada relance de olhar, cada toque, ainda que breve, diz tudo e se eterniza tanto quanto as horas sem fim dos dias que a gente deixa perder nos nós dos lençóis.

"Espero que o tempo passe/Espero que a semana acabe/ Pra que eu possa te ver de novo"