sexta-feira, dezembro 30, 2005

Um fim de ano de balanços e rumos antigos retomados

Entra pela porta da frente
Mas pula para o banco de trás
Abre a janela contente
Pra ver o sol fervendo no ar
E depois que o olhou
Fica sem falar
Escolhe o esmalte meticulosamente
Por ver razões na cor, que irão se explicar
Pra tudo funcionar simplesmente
Como gesto espontâneo, invulgar
E depois da cor
O que virá?
Se o mundo combinar felicidade e tristeza
Dentro do mesmo time
Lugar que não se vá
É o que há pra duvidar
Se é só isso que existe
Vai confirmar o olho que olhou
Ou esperar o sonho
Que ninguém sonhou
Onde você que chegar
Espalha graça ao pleno presente
E mesmo ausente é doce sua falta
Espelho é o mar, o lago, meus dentes
Com um beijo posso ver sua alma
E depois que eu vou
Não vou voltar.
Enorme o seu lugar, quase o vento
Mas é dentro de mim mesmo que cabe
Não há vogais a mais no silêncio
Que morre se faltar a palavra
E depois falou:- preciso mais!

--------------------------------------

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas

-----------------------------------------
Tenho medo do tempo que não pára e nem volta, mas é sempre cheio de ironias que nos confundem o tempo todo. Um brinde à vida, Bonne Anée pour tous les gens!

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Desabafo de uma Florzinha amarela que caiu no chão


Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão
Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser
Um erro assim tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E, quando acaba a bebedeira,
Ele consegue nos achar
Num bar
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro,
E uma cara embriagada no espelho do banheiro
Teus lábios são labirintos,
Que atraem os meus instintos mais sacanas
Teu olhar sempre distante sempre me engana
Eu entro sempre na tua dança de cigana
Eu que falei: "nem pensar..."
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão
Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero
Eu fui sincero,
Eu fui Sincero
Teus lábios são labirintos
Que atraem os meus instintos mais sacanas
Teu olhar sempre me engana
É o fim do mundo todo dia da semana

-----------------------------

Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação,
Beijos sem paixão, crimes sem castigo, aperto de mãos
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero eu não espero que você minta
Não se sinta capaz de enganar
Quem não engana a si mesmo
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos
Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação
Beijos sem paixão, crimes sem castigo,
Aperto de mãos, apenas bons amigos...
Pra ser sincero não espero que você me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo
Um dia desses, num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre,
Talvez a gente encontre explicação
Um dia desses num desses encontros casuais
Talvez eu diga, minha amiga,
Pra ser sincero... prazer em vê-la
Até mais...
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Lerolero de sentir sem algumas partes...(Putz, q porra eh essa?)

Sem nenhuma vontade de postar, vou tentar escrever um texto inteiro sem nenhuma palavra com acento - e eu nem sei se escreve assim. Parece que vai ser complicado. Ando meio com flores na pele, e mais umas mordidas gigantescas de mosquito. Deveria estar estudando o mosquito nesse exato momento, mas um diferente do tal que me deixou marcas, eu espero. Bem, ando sentindo coisas, provando coisas, partes de meu corpo doem. Ando me doendo muito. Acordando cedo. Ando indo quando fica complicado para voltar e depois ainda levanto pra mais. Coisas e coisas me faltam, coisas e coisas que nem poderiam faltar. Vi gentes contando piadas alegremente e acho que a culpa foi da tv. A professora chorou. Sujeito - a professora. Predicado - chorou. Chorar - verbo intransitivo. Depois? A turma quis ir junto. Quis saber e alguns podiam chorar com ela. Eu tenho um pato de borracha. Gosto de ver gente feliz. Frases toscas e piegas. Adoro a palavra piegas. Odeio celular. Odeio ter comprado um. Lugares. O Rio de Janeiro inteiro pra mim. Cansada com minhas meias 3\4, chorando baixo pelos cantos, por ser uma menina... Era apenas uma menina e eu pagando pelos erros que eu nem sei se eu cometi. Mas fique certa de que na volta ainda vou estar aqui. Sem saber direito como. Com a mesma cara de sono. Os olhos expressivos, os dedos frios e todo o resto. Na boca um copo se der. No peito coisas dessas que nunca podemos dizer. Prometa... Fica alguma coisa por mais que a gente tente negar. Apaguei alguns escritos de mim. Sei apenas ser eu e estou tentando aprender os maises. Sinases. Sinapses. E o que falta? poucos dias e se vai um ano. Tanta coisa...
(Consegui!)

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Um relato qualquer e meio perdido

Todas as minhas histórias são só começos de uma vida desesperada, só que sem exageros. Gosto de acreditar que existem vírgulas e que nós nunca sabemos colocá-las nos lugares certos. Nunca sabemos viver as experiências do jeito certo, no momento certo. Mas apesar da nossa inexperiência, adquirimos experiências. Estamos sempre aprendendo coisas extremamente úteis para o nosso presente, mas que, infelizmente, já terão perdido a utilidade quando aprendermos.
Um dia me disseram que viver não era crime, que anseios não eram pecados. Um dia me convenceram de que desejo era uma palavra bonita. Disseram-me assim: “Vamos brincar um pouco.” Eu fechei os olhos, joguei fora os medos e perdi o controle. “Vamos fazer um filme” – disseram-me. E de close em close, eu fui perdendo a pose e até sorri feliz, como um dia já disseram. Descobri que a vida é desesperada e, valendo a pena ou não, o que está feito está feito.
Sozinha me descobri pertencente a uma geração que inevitavelmente irá morrer de câncer, então, é preciso mergulhar mais nos prazeres. Aprendi que não dá pra lutar contra o inevitável e que ficar triste por muito tempo não faz poetas, faz gente resmungona e amargurada. Estou tentando ser sincera sem falar demais. Sei que é bom falar o que sente, mas às vezes esperar muda os sentimentos. Me disseram também – mas isso eu ainda não sei – que o tempo é remédio. Só que ele passa tão rápido, leva tanta coisa.
Aos poucos, eu fui criando lembranças só minhas, fazendo meu jeito de ter sempre as pessoas. Fiz uma caixa onde eu me guardo em relíquias sem valor. Vi que valor a gente é que faz e muda. Eu vi que amigos tentam ajudar com seus valores e fazem o que acham que é melhor para nós, e que família depois de um tempo desiste e passa a nos aceitar. Aprendi que culpa pode virar muitas outras coisas e que os fatos crescem e a gente perde o controle da vida.
Eu não sei onde comecei nem onde vou terminar. Um dia eu percebi que estaria sempre no meio. E é bom começar coisas e sonhar coisas mesmo sabendo que sonhos mudam e que não dá tempo de terminar tudo. É bom imaginar mil rumos que poderíamos ter tomado e melhor ainda saber que é impossível saber o rumo que tomaremos. Aprendi que rotina faz falta. Pessoas fazem falta. Objetos fazem falta. Lugares fazem falta. E é tudo saudade irreversível.
Há pessoas que nos deixam felizes apenas por existirem.
A gente ganha e perde o tempo todo, mas a vida não é um jogo. Aprendi que rituais são divertidos e acalmam, religiões sufocam e enlouquecem. Tomar banho é uma das melhores coisas do mundo. Jogos de sedução só valem a pena quando são sinceros. Batalhar por espaço na vida de uma pessoa é angustiante. Ter um espaço na vida de outra pessoa é maravilhoso.
Aprendi que vida não tem moeda. As coisas e pessoas não têm preço. E se nada tem preço, também não existem dívidas e, menos ainda, cobranças. Cobrar é cruel e ser cobrado é ruim. As pessoas têm um espaço que intimidade alguma invade. Desacreditei em fidelidade. Aprendi com uma pessoa muito especial que devemos fazer o que queremos fazer. Devemos aproveitar as chances. Devemos correr atrás dos nossos desejos. Porque desejo é uma palavra linda! E que amor pensa antes no outro, sem deixar de pensar em si, mas levando em consideração a felicidade de ambos. Pois tudo tem dois ou mais lados.
Sei que amor surge com o tempo e vai embora com o tempo. Mas eu não conheço o tempo. Sei que quando se diz: “eu te amo” tem que ser sincero. Não precisa ser recíproco porque amor é egoísta. Mas amor existe. E se não existisse nada valeria a pena e tudo estaria apenas feito. Mas cada amor é de um jeito e cada pessoa acha que seu amor é o verdadeiro. Verdades vêm de muitos lugares. Aprendi que o melhor é amar agora e bem fundo. Estar preparado para tudo. Querer até a raiz do cabelo. Perder até a última lágrima. Esquecer o mundo e suas verdades e suas concepções de amor. Porque amor é dessas coisas que não deviam ser comentadas, discutidas e formatadas. Amor foi feito pra viver e só. Só que é bem melhor se não for só.
Aprendi que chorar faz parte e chorar sempre é drama. Toda intensidade merece uma dose de equilíbrio. Sorrisos e lágrimas têm sua magia.
No fundo todos vivem papéis e representam mil coisas. Só que existem mentiras sinceras. Todos desejamos uma cena pra protagonizar e nem sempre nos basta que a cena pertença só à nossa vida. Queremos sempre muito. Nem sempre temos muito. Nem sempre temos o que queremos. Todos somos muitos. È difícil ser um personagem só. É difícil escolher um caminho só na vida. Correr atrás de desejos é bom. Arrepender-se do que se fez é melhor do que se arrepender do que não fez, pois a vida nos dá álibis. Pessoas nos decepcionam por muitas coisas. Pessoas erram. Decepção é comum e inevitável.
A vida dá voltas que nem sonhamos. Grandes dramas sempre começam com cenas banais que desencadeiam um lindo romance. Mas a vida real não é um livro. Não é um romance. Não é um teatro. As pessoas não são atores. São reais. São imprevisíveis. Sempre. As pessoas são contraditórias e incoerentes. As pessoas são inverossímeis.
Ler é mágico. Sentir é mágico. Vento no rosto é mágico. Beijo na boca é mágico. Sol de fim de tarde aquecendo a pele é mágico. Cerveja gelada no bar com amigos é mágico. Uma boa conversa é mágica. Horizonte é mágico. Nuvem de algodão é mágico. Silêncio cheio de compreensão é mágico. Mudar de humor por causa de uma pessoa é mágico. Fazer outra pessoa mudar de humor é mágico. Sorrir é mágico. Olhar pra baixo de um lugar bem alto é mágico. Ouvir música é mágico. Não ter medo é mágico. Choro compulsivo é mágico. Sorriso sincero é mágico. Andar com o pé na água é mágico. Tomar sorvete na chuva é mágico. Dormir profundamente é mágico. Acordar tarde é mágico. Acordar cedo e de bom humor é mágico. Abraço é mágico. Ter lembranças boas é mágico. Ficar horas sozinho, pensando, é mágico. Ficar horas acompanhado, conversando, é mágico. Ser sincero com alguém é mágico. Ajudar alguém é mágico. Receber ajuda é mágico. Fazer uma coisa porque se quer é mágico. Não fazer alguma coisa que não se quer é mágico. Saber o que quer é mágico. Viver é mágico.
Eu tava pronta pra dizer um monte de coisas e ganhei uma flor para acabar com a minha tristeza.

terça-feira, novembro 29, 2005

Detalhes

Homenagem a um amigo meu...
"Não adianta nem tentar me esquecer
durante muito tempo em sua vida eu vou viver
Detalhes tão pequenos de nós dois
são coisas muito grandes pra esquecer
e a toda hora vão estar presentes
você vai ver
Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
e isso lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua
o ronco barulhento do seu carro
a velha calça desbotada ou coisa assim
imediatamente você vai lembrar de mim
Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
palavras de amor como eu falei, mas, eu duvido
duvido que ele tenha tanto amor
e até os erros do meu português ruim
e nessa hora você vai lembrar de mim
A noite envolvida no silêncio do seu quarto
antes de dormir você procura o meu retrato
mas na moldura não sou eu quem lhe sorri
mas você vê o meu sorriso mesmo assim
e tudo isso vai fazer você lembrar de mim
Se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada
não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada
pensando ter amor nesse momento, desesperada, você tenta até o fim
e até nesse momento você vai lembrar de mim
Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada
do tempo que transforma todo amor em quase nada
mas quase também é mais um detalhe
um grande amor não vai morrer assim
por isso, de vez em quando você vai
vai lembrar de mim
Não adianta nem tentar me esquecer
durante muito e muito tempo em sua vida eu vou viver"


segunda-feira, novembro 21, 2005

Direto do caderno de sorvete - o grande

Eu queria mesmo é saber como foi que tudo começou. Mas o que é tudo? Sem filosofias chavões, lembra? Quando é que foi exatamente que eu me transformei nisso? Ora, se houvesse ponto exato para se tornar qualquer coisa... Eu posso. Entornar minha alma no abismo de uma madrugada até formar uma poça de sangue. Eu poço. O fato, certo ou não, é que acabei ficando assim: desse jeito. Acabei me tornando irremediavelmente e imperdoavelmente eu mesma. Sem saber não fazer uma coisa que quero fazer. Seguindo isso que chamam de impulso ou quem sabe desejo. Inconsequente.

"Uma vez, descobri que a vida é desesperada. Mas vale a pena?" Eu sinceramente não sei. Eu nunca sei. As coisas vão tomando outros rumos, existem ainda mais estradas por aí. E estragos. E estranhos. Como foi surgir essa tal intimidade? Parecem vidas diferentes... Eles também me fizeram. Tem tanta coisa fazendo-me por todos os lados, o tempo todo, e fica impossível determinar com exatidão quem eu sou. Coerção. "Por ser exato..." Eu teria de parar de viver um instante para isso. Morrer? E parece que tudo que eu sou só existe em função de saber quem eu sou - é inútil. e dá-lhe mais filosofia chavão.

É isso aí. Simplesmente sempre diferente dos planos de tantos e tantos anos. De que é feito o pensamento? Sou eu mais uma vez, mais uma noite, sentada sozinha no sofá da sala. Caderno e caneta em mãos. Hoje o som desligado. Sem influências externas. Eu devo ter tido um ponto de partida. Algo como uma molécula dizendo sim à outra. Algo como uma cabeça se apoiando disfarçada na outra. Algo como um telefonema em dia de chuva. - Há histórias com dois começos - Algo como uma conversa determinada, meio por acaso num dia qualquer, buscando um lugar comum. "Vamos fazer um filme?" Eu podia contar a famosa história do elevador - que eu realmente adoro contar - mas assim o início não seria propriamente meu. Coisa de terapeuta tentar buscar tanta origem para as coisas. São só fatos. Quem pediu que explique, porra?

Eu vi um casal trepando na rua de madrugada. Fiquei curiosa pra saber quanto ela cobrava. Acabei não indo ao show. Uma espécie de punição para os meus atos imperdoáveis. Droga. Que merda. Por que a mulher sempre acha que vai salvar o homem? Qual a razão de querermos ser sempre os mais importantes na vida de todo mundo? Não nos chega a nossa? Não. Nunca chega. A alma nunca cabe num corpo só. Puta carência afetiva. O útero é um lugar para onde certamente eu não quero voltar. Também não quero ir pro céu. Mesmo se quisesse, acho que não me deixariam mais. A caligrafia vai ficando assim torta. Queria um dia escrever na velocidade dos meus pensamentos sem ter que pensar mais devagar para isso.

Eita, era pra contar uma história. Os dedos balançando na frente da boca. Não deu para ouvir. É um saco isso de ter que continuar vivendo apesar de. Vontade louca de sumir no mundo, sumir do mapa. Jogar tudo para trás - e não para o alto. De viver a vida como a música do último dia. Mandar o mundo se foder. Ir para um lugar bem longe. Comer todo o chocolate que eu conseguisse.

E se tudo tivesse sido diferente...? Não sei se a vida teria tanta graça se eu naõ fosse uma farsa. Se eu morresse amanhã eu queria... Ah, deixa pra lá os meus quereres. Que merda também isso de a gente não poder mergulhar de cabeça em tudo o que quer. "E se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz? Quem, então, agora eu seria?" Podia ter sido diferente... E nós nunca vamos saber. Não adianta que hoje eu não vou conseguir fugir desses clichês pseudo-filosóficos. Logo que queria tanto fugir de tudo. Eu quero também um dia casar e ter filhos. Afinal, não sou de ferro. Mas acho que se for para engravidar tem que ser uma trepada muito boa pra compensar o parto. Sei lá, também. Não quero nada. O que sei é que a gente muda, vai mudando de sonhos e chega uma hora em que nem percebe, nem lembra. Tenho talento pra ficar calma em horas difíceis, desencanar. Talvez uma predisposição a esperar tudo da vida. Tá dando raiva isso de ver as coisas caindo na rotina e não poder fazer nada. Eu posso. De novo? Pode esperar que da próxima vez vai ser tudo diferente. Eu tô falando pra quem? Isso não vai pra gaveta. Nasci mesmo na contramão. Hoje era eu que queria ser dobrada e guardada na gaveta pra alguém encontrar depois. Amor tem muitos jeitos. Você é pequena ainda pra entender, Eliza. Achei o começo. Foi assim: " - Fizeram-te."

terça-feira, novembro 15, 2005

Auto-justificativa ou um grito pros surdos ou detalhes de minha guerra particular

"Nós dois temos os mesmos defeitos: sabemos tudo a nosso respeito, somos suspeitos de um crime perfeito. Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos." E eu fico assim, mão no peito e alma na boca pronta pra cuspir. Fico sentindo seus efeitos... Eu - que já quis esquecer, parar tudo, mergulhar fundo e esperar pra ver no que dá. É fato notório (hehe) que não vai dar em nada. Hoje, depois dos meus maiores êxtases, penso que ISSO é só mais um detalhe, um meio de testar os meus medos ou descair da mesmice que às vezes ameaça aparecer. Você é que está decaindo, mas eu já disse a mim mesma - mais de um milhão de vezes - que vou me desligar desse assunto.

Eu disse um dia que só existe o AGORA, longe disso não pode haver cobrança, pois nunca houve dívida! Isso ainda vale. E se depender de mim, vai valer sempre. Mesmo sabendo que o sempre não existe. É possível voltar atrás de cada passo que se dá, basta ter consciência de que as coisas nunca vão ser iguais ao que eram antes. "Mas no fundo eu nem ligo...Você sempre volta com as mesmas notícias!" Eu tenho a pele quente de uma alma transbordando, prstes a explodir. Às vezes eu penso que seria melhor se eu não soubesse. Depois eu penso em como é mais fácil porque eu sei. Saber ou não saber não faz tanta diferença quanto sentir.

Eu só escrevo para tentar arrancar de mim tudo o que eu quero tanto deixar aqui. É só um jeito de lavar essa ferida que eu quero manter aberta para continuar vivendo com urgência. Mas se não fosse tão igual... Se não fosse tudo tão igual! "Somos íntimos agora." Sempre que eu relembro eu acho tudo tão bonito. Penso que devia agradecer mais vezes. E fico me preocupando tanto com esses fragmentos de vida... Me escondo num papel dobrado que escondo num canto Da gaveta. Vaga-lume. Eu sonhei. Sonhei com uma mulata linda. Sonhei com uma barata e acordei cantando. Sonhei com uma vida normal e até me assustei ao acordar e ver a vida dormindo ao meu lado calada.

"Cada cheiro de vida, cada gosto de vida,
ao passo que me satisfaz
me aumenta a sede e a fome
(...)
Viver é dádiva.
Viver é dívida.
Vem ver a dália.
Viver é dolo.
Viver é dose.
E não é tão clichê quanto parece.
Prece."

Eu tenho uma vida encantada!!! Os silêncios e segredos fazem parte e me temperam nesse encanto. TANTO!
"- Eu tb." !

Nossa.

Um dia eu acordei e tava tudo fora do lugar, mas você não contou uma estória romântica porque o amor na prática é sempre ao contrário. E todas as minhas desculpas e culpas indesculpáveis são só pretextos de uma alma carregada que cospe, vomita, grita e até cala por não ser capaz de chorar suas sinceras-falsas dores.

domingo, novembro 06, 2005

Esquecendo o post anterior...

"Vazios são os domingos e eu me escondo no meu mundo." Também tou um pouco vazia por dentro. Meio nublada eu acho. Meu mundo é sempre o mesmo apesar dessas sutis diferenças. A gente vai criando rotinas e quando gosta delas chama de tradição. Mas entre as mesmices contruímos afetos. Algumas coisas ficam pra sempre. E tem outras que a gente sabe que não duram, mas são momentos tão bons que nos fazem crer em eternidade.
"- Vamos! Vamos tirar uma foto!" Assim, todo mundo junto, pra tentar reunir esses anos num limite de papel. Isso de tentar escrever faz pensar muito no limite do papel. Eu queria ser uma folha A3 das aulas de arte da oitava série. To começando a ter aquele tipo de saudade de quem já não tem mais, esqueço que ainda me falta um ano de cp2.
É bom ouvir as vozes que dão segurança. Acordar e ver que se está exatamente onde queria. Os sussuros distantes de um passado que agora, masi do que nunca, parece ter maturado e se tornado aquilo que sempre sonhamos - a imperdoável felicidade. Mas tudo sempre tem pequenas diferenças que a gente nem percebe. É tudo meio igual. Meu violão é meia-boca. Estou assim, meio desabraçada com vontade de abraçar as pessoas que amo. Bi vem pra cá!!!!! To indo, to indo lá viver.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Uáua tsc tsc tsc

Esse é um post em homenagem à todos os escorpianos:
dia 30/10 - Meu tio
dia 31/10 - Meu querido priminho Vítor
dia 04/11 - Nossa tão querida e amada Mamãe e Sartre
dia 06/11 - Nat!!!!!!!!!!!
dia 07/11 - Bia!!!!!!!!!!! e Danielle
dia 15/11 - Minha tão querida, amada e adorada irmã Ellen e Mariana

É isso aí, obrigada a todos pelas comemorações, churrascos, docinhos,...
Eu adorei!!!

E aproveito o espaço também para dizer q finalmente comprei um celular!!!!!!!!!
Mas isso não quer dizer q vcs vão conseguir me encontrar!

É isso, bjs pra vcs

PS: Esse é o pior post q eu já vi, destrói toda a minha imagem de pseudo-poeta.

sábado, outubro 29, 2005

Alma nova

Sempre que te vejo assim
linda, nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí
e eu digo calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir
então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento, tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender


domingo, outubro 23, 2005



Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer

Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido

Teu paletó enlaça o meu vestido

E o teu sapato inda pisa no meu

Como, se nos amamos feito dois pagãos

Meus seios inda estão nas tuas mãos

Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei de partir

quinta-feira, outubro 20, 2005

Aos mares

Mais que um poema e uma foto
vão de oferta - viajando entre confidências,
solidificando em sonhos,
concretizando em vozes poéticas
lendo outros poetas -
de você até mim,
de mim até você.

"Conheci um rapaz, Eliza!
Você vai gostar..."
Quase uma professia, uma premonição.
Um sei-lá-o-quê de sei-lá-quem nos uniu.
Pegou pelos braços (paralelos)
Falou de poesia, planos, loucuras
Fez entre nós esses mil elos
Entornou na mesa amizade pura!
Dessas feitas de acaso
por mais que eu saiba
que ainda não fizemos.
Estamos fazendo...

E essa coisa que já virou hábito...
Virou até plágio isso de pedir um poema.
Mas eu pedi.
Ganhei dois até.
E ganhei outros muitos
em voz firme e branda
me rasgando a alma.

Voz não se leva para casa
Caos, mesmo da alma,
não se leva para cama.
Esqueci de avisar:
Eu não sei fazer poesia!!!
Mas eu sinto um monte delas
bem aqui dentro de mim.
E às vezes esse sentir dói
Às vezes esse sentir
cruza com outro sentir
E sente explodindo
e transbordo.
Daí escorre minha poesia...
Derrama-me a alma inteira no mar!
Nisso, vez ou outra,
aparece alguém que me afoga de vez
ou me leva à beira do mar
Faz-me noiva - mares 7
Dá-me medo de escolhas,
palavras no quardanapo
e pede algo em troca.
Eu tremo de receio.

Mas está aqui minha poesia torta - tonta
Inteira com cara de meio
Escrita por quem abre a porta
Com medo de dar o que leio.


-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Pra ti, Osmar!
conforme eu prometi.
Não é por nada não, mas eu saí linda nessa foto.
bjs

sábado, outubro 15, 2005

Devaneios d'outro espaço-tempo

Não mostrei a poesia que fiz. Devia mesmo ter morrido. Mas como falta coragem! Tenho fome de muitas coisas. Não sei até que ponto conheço as verdades. Devia ter mandado emails de dia do mestre.Tenho medo do fim, tenho medo de outras vidas. Fernando Sabino o quê? Eu não sei nada, vou tentar aprender porquês. Tenho medo desse não medo que me dá sua presença. "Perdi-me muitas vezes pelo mar." Perdi as águas doces de cloro. Perdi. Cadê? 'Tou me ´procurando, mas confesso que tenho um medo enorme de achar.

Desapego. Desassossego. Não se pode soltar a fumaça e gritar simplesmente, nem escrever um poema no banco de trás. Mas na parede pode. Se resistir... Se durar... Eu prometo. E daí? Daqui a um tempo eu prometo um espaço-tempo só nosso. Agora eu não tenho. Me acostumei a outras trilhas. Assim, solta no iluminado mundo real, penso se não seria melhor estar trancada num quarto escuro. Acompanhada apenas de uma espera esperançosa. Seria? Tem mundo fora do quarto escuro? "Têm varal?" Nãããããão! Eu não sei mentir. Vou parar com as cervejas. Eu e meu costume de ficar devendo. Bebendo... Bebê? Florzinha? Biiiiiiiii! Denise? Eu?! Eu... Sempre caio nessa de falar de mim. Melhor quebrar a cara do que quebrar um nariz e não parar de sangrar... Nunca tampem meu olho. Nem ponham tampão no nariz sangrento. Não mudou muita coisa. Ei, pare de falar. Não quero mais ver filme. Já me chega um filme bom por dia. Isso sem falar na vida. Não sei se é esse o propósito , mas ela me tem sido um ótimo entretenimento.

Bocas de cimento à luz do amanhecer. Tenho fopme mesmo depois do filme. Vou parar de ser do jeito que as pessoas querem que eu seja. Não quero nunca ser uma boboca apaixonada. Fechei para balanço. Se me procurarem, vão ver que eu estou lá, em qualquer parquinho. Beija o beijo do tchau-adeus quase despercebido. Não quis dizer o quanto eu estava nervosa. As mãos tremem... Não soube ficar perto. Vou parar de não saber. Sei de coisas tão bonitas! Mas é segredo. Tenho lá o meu lá também. Me dê meia dúzia de motivos para não desaprender a viver:
- O mundo é tão pop.
- A vida é tão vazia/clichê
- Tenho a história mais linda.
- E eu ganho porque é verdade.
- Respeito seus limites. Não quero.

E foi cada um prum lado, já meio sem saco de voltar atrás. As estórias são assim...

(ontem)

segunda-feira, outubro 10, 2005

Conversa de botas batidas

- Veja você, onde é que o barco foi desaguar? A gente só queria um amor...
- Deus parece às vezes se esquecer!
- Ai, não fala isso, por favor! Esse é só o começo do fim da nossa vida. Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida que a gente vai passar...Veja você, quando é que tudo foi desabar...A gente corre pra se esconder e se amar, se amar até o fim. Sem saber que o fim já vai chegar.
- Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga. Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar. Abre a janela agora: deixa que o sol te veja. É só lembrar que o amor é tão maior que estamos sós no céu. Abre as cortinas pra mim, que eu não me escondo de ninguém! O amor já desvendou nosso lugar e agora está de bem.
- Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga. Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar. Diz quem é maior que o amor?
- Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora!
- Vem, vamos além...Vão dizer que a vida é passageira sem notar que a nossa estrela vai cair...

domingo, outubro 09, 2005

Início e fim sem meio


Estranho isso de estrear uma nova página. Quase como renascer uma parte. Deveria dizer coisas de mim, mas sou muito pouco interessante. O que aliás poderia desencadear uma reflexão sobre o sentido de estar aqui criando esse sítio de loucuras ainda não cultivadas. Há muito deixei de buscar sentido, prefiro sentir. Estou jogando na terra molhada, na página negra, sementes de uma nova eu. Uma nova parte nasce. Uma velha parte morre. Uma velha parte nasce. Uma nova parte morre. E eu? Cíclica. Sifilítica. Cancerosa. Avião. Palma. Arquiteta do porvir. Insulto. Eu e eu e eu e eu e eu. Ego. Um lugar pra mim só.
Mas se quiser entrar, fique à vontade...