domingo, fevereiro 17, 2013

Todo carnaval tem seu fim

É só uma questão de recobrar a saúde, recobrar as rédeas, recobrar a sanidade, o volume do rádio, a agenda de telefones, o formato do travesseiro. O relógio corre. Os dias idem. E não há tempo. Simplesmente não há tempo nem sanidade para criar de novo as próprias armadilhas. O segredo é desfazer o ponto à mesma proporção que teço. Difícil é saber medir e controlar a velocidade com que o sol bate nos olhos.

O tempo é necessário. A solidão é necessária. Qualquer tropeço me faz perder o rumo nesse caminho de quem não sabe aonde está indo. O sabor do passo, lembra? Uma hora ou outra esbarro num instante mais bonito que desvirtua, fragiliza.

Há mais cores e possibilidades e não há doença que Drummond não cure. Não há cabeça que o coração não ame e não há lembrança e rosto virado na rua que não faça lembrar o quanto o amor arde - mesmo quando a gente anda depressa demais tentando não rever os próprios passos. Vovó diria que tropeça, mas as pessoas da minha família nunca gostaram de alimentar estereótipos.

É preciso tempo e dedicação. É preciso convivência. É preciso não precisar e saborear devagar cada pequena folha de manjericão.

O carnaval acaba, sempre acaba. A coerência não, posto que ela nunca existiu.

Os vírus passam depois de determinado ciclo. Atos de um drama teatral: o momento da reflexão sempre chega. Ainda que seja a mais simplista, a mais cliché, a mais encerramento-birra de quem no fundo guarda o vestido estampado para o carnaval que vem.

Eu pinto o nariz quantas vezes for, mas o suor borra e a pintura se desfaz.

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