terça-feira, dezembro 03, 2013

Exposição

Para ler ao som de Pra você dizer o nome (5 a seco).


Metade de mim é palavra.

Digo isso sem qualquer dimensão de medidas.
Como quem reparte um pedaço de comida
com desproporção inconsciente.
Minha metade-palavra
às vezes se cala.
Ou finge
e se escreve de outras formas.

Palavra-imagem,
palavra-comida,
palavra-sentimento,
palavra-masturbação,
palavra-gozo.

Mesmo quando eu digo
em vez de escrever
(e olha que eu venho aprendendo a dizer,
a olhar nos olhos e nomear sentimentos),
é sempre palavra.

Tenho aprendido que palavra tem gosto, cor, corpo, textura.
Palavra tem som, cadência, ritmo.
Palavra tem até maquiagem
e se entrava no alto das pernas.

Mas tem hora
que mesmo a palavra mais ensaiada
(da repetição e da saia)
não pode ser dita. 

Fica pairando na garganta
sem engolir de volta
por falta de lubrificante
ou simples medo de que machuque.

Fica boiando no copo
e desmantela sem derreter,

como esses gelos artificiais de hoje em dia.

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