domingo, outubro 19, 2008

A livreira.

[sob o signo das ironias sem limites que a vida tem]

Mas também não sei, esse negócio de depressão é forçar demais a barra para mim.
E terapia é menos estético que um chute na cara.
Fato é que se eu me acostumei às amputações de pernas, braços, almas - e me criei, me refiz no processo feio e doloroso que niguém gosta de ver (como um açougue de onde provém as carnes deliciosas) - fato é que na mesma medida ou em contrapartida talvez eu não saiba é lidar com isso de realocar uma perna mecânica.
Admito o quão estranho deve ser andar com isso fingindo-se normal ao invés de um tripé.
Quem sabe agora uma bengala charmosa.
Mas eu permaneço com medo de fazer análise e perder a inspiração.
E não me rendo fácil assim não.
Sempre preferi a morte dolorosa, a angústia dolorosa do processo solitário - mesmo que sempre se tenha com quem contar - a temperatura amena de dar a mão à terapia.
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E o passado bater à porta faz pensar que, de alguma maneira, se estava era o tempo todo esperando por isso. Como uma alma saindo do forno ainda bem quente devorada num rompante. Comer quente dá dor de barriga.
Como um casal que ao invés de continuar de onde parou, resolve recomeçar do zero.
Não sei se tenho talento para espelho. Não sei se para aurora. Se para chute na cara. Sinfonia de silêncio, terapia ou rosa de lá de longe.
Sei que cada dia mais é estranho me publicar. O divórcio dos eus-líricos não funcionou afinal.
Eu tenho talento é para dar aulas de gramática.
Não sei se é/sou reconhecível.

2 comentários:

  1. A angústia dolorosa, o processo solitário sempre foram meus maiores companheiros... e não é possível enfrentarmos os abismos se não solitáriamente...

    mas... não podemos desperdiçar a oportunidade de olhar num espelho, e talvez seja menos corajoso, e todas as quintas feiras eu enterro meu ego numa sala sufocante e perco minha coragem, não podemos subestimar as próprias limitações que nos impelem a ir além.

    Todo ponto em questão, todo dogma psíoquico inflexível, todo tabu(jamais tomaria sorvete de creme) que erigimos é uma ferida, uma ponta de nó não desatado, uma "pista" que conduz é claro para uma "barreira" contra si próprio.

    Tenho um exercício filosófico que costumo fazer frequentemente.

    Quando algo me incomoda ou me traz a idéia de que jamais faria aquilo, tento me desafiar a fazer aquele tipo de coisa, como num jogo, num teste, que visa a integrar todas as partes odiosas que vivem dentro de mim.

    Foi assim que comecei a entender, que o que não é agradável para o ego, no sentido freudiano da palavra é a chave da solução do "problema". Se é que conhecer abismos seja em si um problema.

    O problema está em não reconhecê-lo, ou rejeitá-lo...

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  2. E quanto ao cartaz... realmente... não consegui fazer...

    Culpa do dionisíaco que me abandonou em detrimento do prático apolo...

    Vamos marcar um dia para bolarmos a idéia junto, uma tarde ou um fim de noite, que tal?

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