quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Não há nenhuma razão clara para uma troca de ciclo e mesmo assim os círculos giram com força em torno da minha cabeça. Uma madrugada é só uma madrugada e - a essa altura da vida - botar a cara a tapa e escrever assim, ao vivo, a cores e em público é para exercitar a coragem que me falta na vida todos os dias, meses e anos que tão-de-repente-que-nem-sente vão passando.

Eu ainda não posso me colocar nem na crise dos vinte, Cora Rónai, mas posso dizer que nasci em crise nessa vida. (Como todo mundo deve tê-lo feito.) E com uma mania chatinha e birrenta de bater o pé e sempre fazer o que eu quero - esquecendo a volatidade que esse verbo tem. Ou mesmo efemeridade. Aí fica assim, oscilando numa detestável roda gigante, agora eu quero, agora eu não quero. Como uma criança a quem ficou faltando trabalhar o controle das pulsões, não é amigo freud?

O que falta eu sempre soube: falta alguma coisa transcendental que dê conta dessa angústia de estar viva - exatamente essa coisa clichê que no fundo significa que eu nasci sem o talento para o sucesso literário que eu tanto esperei.

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