segunda-feira, março 27, 2006

Algumas considerações aleatórias sobre a vida

Então um dia eu descobri que queria ajudar os outros. Que queria ensinar-lhes tudo o que pudesse. E para isso é preciso aprender tudo o que puder. E sim, a gente aprende com o que já sabe. Chama lembrar. Redescobrir como verdades coisas que a gente achou que nem valiam mais. Chama origem também. É da onde a gente vem, de tudo o que aprendeu. É de vez em quando lembrar o motivo pelo qual a gente age. Sabe como e porque aprendi um dia cada coisa que sei. E ficar feliz simplesmente com a euforia de tudo que ainda posso aprender. E saber que não vou aprender tudo o que quero. Que algumas lições são difíceis, posso errar muitas vezes, mas desistindo fácil eu não tenho como saber se conseguiria.
Descobri um dia que sempre amei as palavras. A referência mais antiga que tenho de mim mesma é que sempre quis ser bailarina. Não sei o que é ter um pai. Nunca chamei ninguém por essa palavra, mas sei o que é ter várias pessoas tentando me proteger ao mesmo tempo. Cada uma à sua maneira. Talvez por isso eu tenha essa ânsia insaciável por uma liberdade que sequer saberia definir. No fundo, gosto de seer cuidada e protegida, mas prefiro é estar no controle. No entanto, o mundo não cabe nas mãos. Não é sempre que consigo deter tudo com meus dedos, como também não é sempre que quero isso. Devo ser bem frágil, ou melhor, sou frágil. Por isso é preciso ter precaução com os sentimentos, manter certa distância, por segurança. Dos outros também, pois tenho o costume de machucar os outros. Dizer que é sem querer é demasiado piegas. Machuco os outros quando é uma questão de escolher entre a felicidade deles e a minha. Eu geralmente escolho a minha.
Tento parecer forte, só que às vezes é muito difícil. Tenho habituais contradições humanas. Acho que emoções são importantes e devem ser expressadas. De modo algum são sinônimo de fraqueza.
Fico pensando se a sociologia, ao invés de tentar entender o comportamento humano, não o está mecanizando. Sou mecênica às vezes. Conheço bem o gosto de minhas lágrimas por outro lado. Deixamos de ser máquinas quando, no meio do trabalho, nos dá vontade de fazer sexo com a pessoa que amamos. Ou quando no meio do trânsito, atrasados, queremos saber como está um amigo.
Dizem que palavrões não combinam comigo. Mas uma das mais importantes declarações de sentimento que já recebi veio regada deles.
Acho que amor é para poucos. Pois deve ser inteiro, intenso, incondicional. E por mais que a gente não perceba, ele nos desgasta. Com a melhor sensação de desgaste do mundo! Incondicional é uma coisa difícil às vezes. Porque as pessoas que amamos podem nos magoar. Amor é quando a gente sabe que tem razão e mesmo assim pede desculpas. Pois razão não é tão importante quanto o sorriso de alguém. Mas amor termina... Paixão é quando a gente pensa que, se determinada coisa acontecesse, não seria possível parar de remoer. Perdão é uma demonstração de sentimento de superioridade. Deve ser invenção da Igreja. Ninguém tem o direito de dar. Justiça é uma coisa importantíssima, vem de valores coletivos, que devem ser respeitados e periodicamente questionados.
Há uma sensação desesperada do peito que eu chamo êxtase. Ao mesmo tempo em que se quer segurar o mundo, achar que o tem nas mãos. Mãe é uma palavra estranha. Um hábito, uma pessoa pra quem não se tem vergonha de pedir e por quem se deve ter incontável gratidão. Família a gente não escolhe, mas pode conhecer pessoas maravilhosas - que o acaso nunca nos apresentaria - através dela. Pode descobrir o ódio dentro dela também. No mais, a gente vai vivendo.

3 comentários:

  1. "Deixamos de ser máquinas quando, no meio do trabalho, nos dá vontade de fazer sexo com a pessoa que amamos"
    Phoda isso, isso que nos difere dos animais - Livre arbítrio -
    A liberdade de poder escolher o que queremos, para onde vamos...o problema é são tantas as perguntas sem respostas...Não deixe um livro te enlouquecer...por mais que a linha seja tênue...

    _______e nunca esqueça______
    Plantamos a liberdade com os nossos próprios pés...
    ____________________________

    até
    bjus²

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  2. Fui a umabunecasemanual e lembreu de você.

    Tô com saudade. Me deu um aperto no peito o seu texto.

    É isso.
    Beijo.

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