sexta-feira, novembro 30, 2012

Quem se importa se ela não é polonesa?

Para Natassja.

Ao som de Sentimental (Chico Buarque).

Caiu a ficha da saudade. Sabe quando é isso? Sabe quando você simplesmente percebe que, daqui a muito pouco tempo, não vai poder fazer o que está fazendo exatamente agora? Esse brinde essa cerveja, esse telefonema de desespero inventado no meio do engarrafamento, essa visita inesperada no meio da manhã, esse encontro que pode ser apenas uma atualização de novidades, mas também pode ser uma abertura funda nisso que nos acostumamos a chamar de vida ou alma ou deus, enfim, acho que ainda não nos acostumamos a chamar por nenhum nome específico.

Mentira, porque eu já sei há muito colocar no lugar certo esse j que ninguém fala, que minha mãe nunca aprendeu. Eu sei o quanto muda a vida também. Eu sei que você já foi, já voltou, que eu também já fui, mesmo estando perto e que também voltei. Sei, acima de tudo, que de um jeito ou de outro, a gente sempre esteve aqui. Mas saber às vezes não adianta de nada. O conhecimento pode ser inútil, pode ser arrogância, estratégia de sedução, trivialidade ou uma vontade estranha de entender o mundo, de se sentir em casa nele, de transformá-lo em um lugar mais confortável. Mas tudo isso não muda o fato de que, mesmo sabendo que você volta, que o tempo é curto perto desses quase treze anos, mesmo com certezas grandes e pequenas na vida, fato é que eu vou sentir saudades.

Ou melhor, eu comecei a senti-la hoje quando de repente me lembrei como era ruim quando você não estava ao alcance de um telefonema, quando não tinha esse abraço compreensivo de quem discorda de absolutamente tudo o que eu estou dizendo, mas que me diz com os olhos que isso não tem a menor importância. Assim como não tem importância o fato de que já perdi o fio das frases, o sentido das coisas e tudo bem, porque esse texto vai ficar chato e você não vai querer ler.

Mas caso você mude de ideia e resolva passar por aqui, saiba que uma das coisas melhores da vida é ver o sorriso de felicidade nos olhos de quem a gente quer ver feliz. E mesmo que eu só vá vê-los virtualmente durante algum tempo, a certeza de que eles sorriem me faz feliz também.

E a saudade a gente transforma em copos que esperarão para ser novamente enchidos, de água, guaraná, cerveja, vinho, mate - enchidos de histórias e palavras, enchidos de troca. Essa troca que percorre os anos, os continentes e que mantém o mesmo imediatismo, o mesmo conforto, a mesma sensação gostosa de poder percorrer na mesma frase o leite ninho e sociologia musical.

Um comentário:

  1. Obrigada, querida Eliza, por esse texto emocionante. Provavelmente quem venha a ler que não entenda a profundidade, porque estão nas entrelinhas os detalhes que provam que você também me conhece quase melhor do que eu mesma. Sentirei muita saudade, mas me conforta saber que nenhuma reviravolta vai conseguir nos afastar. O mundo é bem pequeno pro tamanho da nossa amizade, que é uma das maiores dádivas da minha vida. Não importa o quanto você apronte, o quanto nossas ideias sejam divergentes, eu nunca vou desistir de você. Te amo.

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