sexta-feira, janeiro 06, 2006

Se não for isso o que será?

Tem alguma coisa me doendo muito aqui dentro. Como uma saudade antecipada e ao mesmo tempo atrasada. Um saudade que não sabe se deve ser saudade ou nostalgia. Uma saudade buarquiana, que é o pior dos tormentos, pior que sentir o braço ausente. Receio ter finalmente perdido o membro que tanto me disseram que eu perderia. E está sendo tão ou mais difícil do que pensei lidar com as situações que se enrroscam no meu pescoço.
"Aquilo que eu temia aconteceu ou foi só ilusão? Você manchou nós dois e desbotou a cor de um só coração ou anda sozinho me esperando pra dizer coisas de amor?" Pois eu já nem sei mais de mim. E atesto que desisti de saber. Já se dizia que é querer muito querer ser feliz depois de tudo. Viver sem me corta a alma inteira em pedaços que perco de vista. Há caminhos sem volta. "E o que é que a vida fez da nossa vida? E o que que a gente não faz por amor? Também já me esqueci de te esquecer porque o seu desejo é meu maior prazer e o meu destino é querer sempre mais. "
Ora, não sei do meu destino. Meus baratos desatinos de ausência. Ontem fui dormir com medo. Um olhar inesquecível - e lindo - me encarava, sentado numa cadeira de praia. E confundiu todos os meus pensamentos.
Eu bem podia tentar implorar de todos os jeitos e tentar impedir o que mostram os indícios. Eu podia e queria. Mas acho que não cabe a mim. Que fiquem para trás os laços e terminem os ciclos que têm de terminar. Mas como doem os fins!!!! Eu apenas torço para não ser esquecida. Para que sejam lembradas as conversas intensas: "Daqui a vinte anos, casado, longe, sei lá onde... Você ainda vai lembrar de mim?" Lembre como uma lembrança apenas. Mas não esqueça das promessas não cumpridas. O ano leva muitas coisas com ele. Primavera levou tanta coisa consigo. Só não seria capaz de dizer que não sabia. Novos horizontes. "Nossa conta conjunta, de tanta labuta acabou de zerar./ E não precisa voltar para cobrir todos os cheques sem fundo, / pode seguir, viajar o mundo / Enquanto espero seu cartão postal./ (...) E não sobrou nem ficha pra te ligar no Carnaval. / No desse ano vou me vestir de cinza e chorar meu pranto sozinha. / Com cara de quem te espera ainda..."
Queria ter aprendido a não esperar nada da vida. Mas a vida me ensinou que nunca consigo aprender as lições de que mais preciso. Contraditória? Pode até ser. Antes de tudo eu sou eu e acho que vou continuar sendo enquanto conseguir sobreviver. Dói tanto desde que perdi o controle de meus sentimentos...

Primavera se foi e com ela meu amor
Quem me dera poder consertar tudo que eu fiz
O perfume que andava com o vento pelo ar
Primavera soprando pra um caminho mais feliz
Mais feliz, pois a rosa que se esconde
No cabelo mais bonito, é um grito
Quase um mito, uma prova de amor
Primavera se foi, e com ela essa dor
Se alojou no peito devagar
A certeza do amor não me deixa nunca mais
Primavera brilhando em seu olhar
E o olhar que eu guardo na lembrança
Ainda traz a esperança
de te ter ao meu ladinho numa proxima estação
Mais feliz
Mais feliz

Um comentário:

  1. E o que é que eu comento disso?

    Eu comento que... ah, uma daquelas horas que se dá um abraço ao invés de dizer qualquer coisa.

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