domingo, agosto 05, 2012

Fragmentos entrecortados na pauta do dia



O desafio é sempre sair do canto espectante, saber que as mãos servem para mais que aplausos, que o corpo não tem lugar marcado em assentos desconfortáveis. Mas hoje não é de mim, tenho que aceitar e entender (e se de fato o fizesse, abria mão por um dia que fosse da tentativa, da eterna tentativa). Se não há desespero, não há ânsia nem náusea. Há essa cara boba de quem não entende nada e não quer entender, não quer tampouco dar a torcer o braço de argila moldável.

O domingo frio me dá uma vontade enorme de mim. Uma paixão que vai virando mais que amor próprio, uma constatação de não querer outro corpo que não seja o meu, de não querer percorrer outras linhas que não sejam as do meu corpo, dos meus livros estrategicamente organizados na cabeceira. Não sei se tranquilidade é sinônimo de indiferença, não sei se autoconhecimento é sinônimo de ostracismo, sei que tenho ao meu redor as minhas paredes e sempre me pego demasiadamente apegada aos pronomes possessivos só para desmoronar meus próprios discursos libertários. Elas me protegem e não perguntam. Elas vão formando uma espécie de ninho quente, um regozijo para o agosto que espera - eu encaro desafiadora as nuvens carregadas no meu horizonte estreito e digo "Venha!".

Eu espero pouco e opto sempre por me respeitar. Uma página por dia, como quem começa um novo livro para ter com quem conviver. A vida não é feita de contos, mandam dizer em bilhetes escritos em guardanapos. Não é para essas pessoas que escrevo, respondo sabendo que não percebem meus plágios. Eu costuro. Uma frase na parede, uma música no rádio, uma paisagem. As coisas mais pequenas são as que fazem algo e nem importa que o conto acabe se desdobrando em crônica mal ajambrada.

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