segunda-feira, setembro 17, 2012

Mar!

Ela encostou no meu corpo e disse 'mar'. Não, não foi isso. Ela tocou de leve a minha alma - porque ali, naquele momento, naquela nudez, naquele vento, naquele cenário, só era possível expor almas - e foi a minha que ela tocou quando me pediu que dissesse junto com ela. Eu disse 'mar' da forma mais atrapalhada. Não teve uníssono, nem timbres harmoniosos, teve a palavra nervosa pela fome de ouvir mais palavras.

Eu disse 'corpo' porque nunca saberia dizer qual a parte, posto que meu corpo inteiro estremeceu de um jeito estranho. Pode ter sido um pedaço de cotovelo ou antebraço, ou algumas dessas partes quaisquer que a gente esquece de erotizar - e nem imagina que podem despertar sensações tão gritantes. Meu corpo inteiro sentiu o calor que certamente também era de um corpo inteiro. Fiquei pensando se a alma se divide em partes e se há sensações diferentes quando se toca o dedão-do-pé-da-alma ou o-fundo-do-sexo-da-alma. Eu não sei se existem essas partes, porque, assim como o corpo, ela me tocou a alma inteira.

Me fez imaginar sóis e tardes de praia talhando feito escultura em madeira aquela temperatura que eu senti tão breve. Não só isso, a cor era de sol. Dia de verão em que a pele é assim elaborada durante todo o dia para, ao cair da tarde, refrescar-se em um banho que não diminui a temperatura da pele que já não é sol e sim fôlego de vida. Fôlego efêmero herdado do mergulho-gesto que lava e lavra as almas tão mais imorais do que os corpos. Meu corpo se desfez em ondas metafóricas do mar que você trazia na voz e na garganta. Toque fortuito que é inteiro mar e não só pela palavra que disse - dissemos - e continua gritando que só se abre depois da água no pescoço.

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