terça-feira, setembro 23, 2008

Poema medíocre

Eu estou com vontade
de me reescrever inteira.
Reinscrever-me
num molde de areia
pra esperar o mar
vir desfazer.

Remoldar tudo.
Reviver tudo.
E me entrego à pena,
a duras penas
- a trocadilhos infames -,
mas não sai nada.

Tudo o que eu digo
parece piada.
O que escrevo
me soa desejo
de ficar deitada na pedra
esperando
a Vida vir e me dar
de presente
uma nova personagem.

Mas todas as que me vêm
parecem já antes forjadas
ou desbotadas.

Toda minha poesia
de repente
me soa forçada.
Meu caderno
parece vitrine,
minha vitrine,
um caderno guardado.

Até minha psedo-meta-poesia
sobre a vontade de ser
se foi sem final -
me deixou vazia.

Hoje eu não sou é nada.

2 comentários:

  1. Tô muito bem impressionada com esse texto das bonecas aí embaixo. Diferente das coisas que já li tuas, mas ainda assim com a mesma essência. Estamos crescendo, boneca.

    Ficou bom o layout novo, mais você do que o preto.

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