segunda-feira, junho 18, 2012

Afinal, quem saberia que seria preciso inventar um novo mundo pensando um esboço do tal sentir-se em casa e chegar ao topo da mais bonita montanha montada para saber que o conforto não é compatível com os tais sentimentos. O conforto é o estagna, o que deve existir apenas tempo suficiente para acender a vontade irritante e constante de mudar.


É preciso uma coragem enorme para fazer cada partezinha, cada pilar desse novo mundo. É preciso também humildade para saber que ele não é, como teria desejado Leibniz, o melhor dos mundos possíveis. Mas ele é um mundo. É preciso muito orgulho também, para se defender dos dedos acusadores que dirão "isso não é um mundo", "mas olha como é apenas um rascunho" ou "você não está vendo esses borrões? essas fissuras?". As pessoas dirão muitas coisas e pensarão que não é mundo por não saberem que outro é possível. É preciso tranquilidade e equilíbrio para também não achar que aos outros falta é inventar também o seu mundo. Há mundos que se cruzam. Há pessoas que vivem bem no delas e deixe que fiquem bem por lá.


Há que saber também que os tais pilares serão sempre frágeis, mas que, se usado com cuidado, o tal mundo pode ser usado por uma pessoa durante toda a sua vida - desde que ela saiba que nunca estará pronto e nem por isso desista da tarefa árdua e diária que será fazê-lo. Com perseverança, dizem, cabem dois inquilinos, mas aí, o caso fica mais delicado, pois além de saber do quão interminável é a tarefa, há que saber que cada um está fazendo o seu próprio mundo - apesar de a olhos nus de estranhos pareça tratar-se do mesmo. Há que saber a quantidade de cores que é possível colocar nas paredes e que quando a gente mistura duas diferentes dá uma terceira, que às vezes pode resultar bonito, noutras algo que nenhum dos dois pretendeu. Faz parte da brincadeira o esforço de tirar a tinta - ou pintar por cima, ao gosto do freguês - para fazer tudo de novo.


Para quem não esquece de colocar o ponto final, vale lembrar que é tudo novo de novo.

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