segunda-feira, junho 18, 2012

Aos poucos, eu vou aprendendo a molhar a rosa. Aos poucos, acerto as doses diárias de água. Percebo os dias em que ela prefere uma boa dose de uísque ou mesmo uma cervejinha gelada. Ela vai ganhando pétalas novas, vai abrindo a cada dia. Percebo que sou capaz de garantir que ela não morra. Sei adubar a terra, podar os espinhos mais traiçoeiros e deixar os que são necessários para que ela se defenda.

Aos poucos eu entendo que uma roseira não é uma margarida. Não é uma avenca. Vejo todos os dias que ela é apenas uma roseira. Vejo todos os dias que ela não quer ser nenhuma outra. Vou percebendo que sua finitude não é displicência, não é excesso de água, falta de uísque, de espaço, de terra. Percebo que ela precisa de mim para se alimentar e vejo em seus olhos a gratidão pelos meus cuidados assim tão insistentes, tão diários.

Todos os dias eu acordo cedo e não tardo a pegar o meu regador. Sinto um orgulho enorme de mim mesma ao ver, todas as manhãs, que ela está ali, vivíssima, ávida pelos líquidos que eu puder oferecer no seu tipo preferido de copo. Ela está lá, todas as manhãs. E se morre um pouco por dia é porque morrer de amor é a substância de que a vida é feita.

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