domingo, junho 24, 2012

Riso, preces e paixão

Chega a hora de mudar a trilha sonora. Reconstruir detalhes mais fortes que as cores do cabelo que nem podem ser tantas assim. Faz a casa com a tal solidão-liberdade. Buscar dentro de si os meios de retirar o pó, dar brilho, lustrar emoções novas-velhas-outras, descobrir que a gente se ilude em frases antigas nos dizendo que já não há mais quando ainda há tanto e de tantos jeitos e formas.

Quem se deixava vencer pelo cansaço da alma que minava o corpo agora desperta seu sono na exaustão que é só vontade de um algo a mais, uma foda a mais, uma noite a mais, uma vida a mais, porque eu sei que você tem muitas, que nós temos tantas e que ainda é cedo para decorar tantas frases. Ainda há muito o que escrever, muita coisa para arrumar, nem que seja para poder contar depois.

Deitar no velho travesseiro pensando em novas roupas de cama, novas peles, novas camas. Acordar no velho travesseiro ancorando em novas vidas, em novos planos e sonhos. Acordar no meio da noite, no meio da tarde, no meio do dia, no meio do desespero de saber que você não resolveu nem poderia nem ninguém poderia tirar do peito essa angústia, era muito exigir essa responsabilidade.

Na falta de uma ingenuidade essencialista, na falta de crença antiga de que é possível encontrar a gosma pronta. Eu tiro os dedos da garganta e vou é tateando outras coisas, texturas, peles, cheiros, gostos que deem prazer e façam sentir que no caminho a gente sempre vai encontrando uma ou outra coisa de mais ou menos valor.

No mundo sem canetas, ninguém mais perguntaria sobre valer a pena. Ninguém conhece ou pretende medir o tamanho das almas.

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A depender de mim
Os psicanalistas estão fritos
Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos
Com aspirina, amor ou com cachaça
Os gritos todos virarão fumaça
A dor é coisa que dói e que passa
Curar feridas só o tempo há de
Toda regra para o bem da humanidade
É certo necessita de uma exceção

A depender de mim
Os publicitários viram bolhas
Eu sei como fazer minhas escolhas
E assumir os erros que lá vem
Se a alma finca pé os medos somem
Menino nunca deixe que te domem
Meu pai dizia o verdadeiro homem
Sabe o que quer ainda que não queira
Besteira é não seguir o coração

A depender de mim
Os padres e pastores serão tristes
Eu penso mesmo que deus não existe
E ainda assim quem sabe eu creia em deus
Se deus é o outro nome da verdade
Deste momento até a eternidade
Eu levo entre mentiras e trapaças
Besta felicidade frágil farsa
do que preciso riso, preces e paixão



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