segunda-feira, julho 09, 2012

É só uma questão de gosto, uma questão de cheiro-curva-do-pescoço-com-ombro-onde-o-de-nenhuma-pessoa-é-igual-ao-de-outra, uma questão de toque, peles que se encontram e não importa muito o grau do arrepio, é uma questão de cena - bota as cores, uma iluminação diferente, cenário bem escolhido, uma questão de trilha sonora, vozes sussurradas, inesperadas, timbres, melodias, batida forte pulsando junto com ouvidos entorpecidos, músculos relaxados e gestos aparentemente despretensiosos.

Questão de não ter questão nenhuma, não ter peso, não ter amanhã, não ter paixão triste, submissão, renúncia. Não tem nada além dos tais sentidos que no fim das contas guiam, perdem, acham-se em fundos de copos, fundo dos olhos, poça de lágrimas que sempre acham o tal caminho de casa. Sabe deus por quanto tempo... Quem saberá quantas expressões idiomáticas serão necessárias, quantos ninguéns para quem ser, quantos espelhos em que a gente procura estender-se, esticar, espreguiçar, caber. E nunca cabe, fica nesse transbordamento sem fim, essa procura que se fantasia de passo de dança porque vai que é esse o caminho.

As citações estão prontas e ainda há muitos livros na estante. Muitos papéis em branco, muitas tintas querendo se espalhar nos dedos, desembocar em papel - em cor ou palavra, da melhor forma que caia a carapuça. Poça de sangue, de lama, de lágrima ou mesmo de chuva que molha a raiz do cabelo e lava junto aquilo que chamamos de alma.

E para os dias de frio, basta ter café e bons cobertores. O resto a gente inventa pra se distrair sem saber de fato o que existe.

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